Quando Surgirem Dúvidas e Perguntas
    Notas de rodapé

    Quando Surgirem Dúvidas e Perguntas

    O autor mora na Geórgia, EUA.

    As perguntas são uma parte vital de nosso crescimento eterno, e a busca de respostas é a maneira pela qual o Senhor nos leva para mais perto de nosso Pai Celestial.

    Ilustrações: Beth Jepson

    Em grande parte por causa da Internet, não é incomum que os membros da Igreja encontrem ideias que questionem nossas crenças. Alguns membros consideram desconcertantes as questões levantadas e se perguntam se é aceitável ter questionamentos sobre sua fé.

    É importante entendermos que é bom ter perguntas. Na verdade, fazer perguntas com fé é essencial para nosso progresso espiritual. Contudo, ter questionamentos sinceros não é o mesmo que ter dúvidas.

    Questionamentos X Dúvidas

    Qual é, então, a diferença que existe entre um questionamento e uma dúvida? As perguntas, quando feitas com o sincero desejo de aumentar o entendimento e a fé, devem ser encorajadas. Muitas revelações antigas e modernas vieram como resultado de uma pergunta sincera.1 O mandamento dado nas escrituras de buscar e pedir para encontrar é um dos repetidos com maior frequência. As perguntas sinceras são aquelas que são feitas com “real intenção” (Morôni 10:4) a fim de compreendermos melhor e obedecermos mais plenamente à vontade do Senhor.

    Uma pessoa que sinceramente faz uma pergunta continua a ser obediente enquanto procura respostas. Por outro lado, notei que, quando as pessoas duvidam de suas crenças, costumam suspender seu compromisso com os mandamentos e convênios enquanto esperam respostas. A postura do que duvida geralmente é a de suspender a obediência ou limitá-la, dependendo da solução de suas dúvidas.

    Não há sugestão nas escrituras nem ensinamentos dos profetas que incentivem a dúvida. De fato, as escrituras estão repletas de ensinamentos que dizem o contrário. Somos, por exemplo, instados a “não [duvidar], não [temer]” (D&C 6:36). E em Mórmon 9:27, somos incentivados a “não [duvidar], mas [acreditar]”.

    Um problema da dúvida é a intenção de obedecer somente depois que a incerteza for resolvida de modo satisfatório para o que duvida. Essa atitude é personificada por Corior, que disse: “Se me mostrares um sinal (…) então me convencerei da veracidade de tuas palavras” (Alma 30:43).

    O poder de destruir a fé, a esperança e até a família é diminuído assim que a pessoa diz sinceramente: “Farei as coisas que o Senhor ordenou, quer minhas perguntas sejam resolvidas rapidamente ou jamais venham a ser, pois assumi o convênio de que o faria”. A diferença entre um fiel “Vou guardar os mandamentos porque…” e um duvidoso “Vou guardar os mandamentos se…” tem uma importância vigorosa e eterna.

    O Padrão do Senhor para Recebermos Respostas

    Na condição de engenheiro de rede, tenho que seguir diretrizes estritas se quiser que minhas redes de computadores se comuniquem com outras redes. Às vezes essas regras podem parecer entediantes, mas, quando todos os engenheiros de rede seguem os mesmos padrões, conseguimos criar algo mais poderoso do que cada um de nós trabalhando sozinho conseguiria.

    Da mesma forma, se você busca a resposta para uma pergunta espiritual na Fonte de todo o conhecimento, então tem que seguir as regras Dele para obter a resposta. Esse processo exige pelo menos o desejo de compreender a verdade e a disposição de seguir a vontade de Deus (ver Alma 32:27). Caso contrário, você corre o risco de criar você mesmo as respostas que quer ouvir, em vez de receber respostas verdadeiras de Deus.

    É perfeitamente normal sentir-nos preocupados e ansiosos quando nos deparamos com uma ideia desconhecida, principalmente se ela questionar uma crença arraigada. O que importa é não deixar que essa ansiedade nos afaste de nossos convênios enquanto buscamos respostas. Aprendi por experiência própria que não podemos voltar as costas a Deus e esperar que Ele responda a nossas perguntas em nossos termos. É preciso fé para continuar guardando os mandamentos enquanto nossa incerteza está sendo resolvida. Pode ser tentador suspender ou limitar nossa obediência ao aguardar uma resposta convincente para nossas preocupações, mas essa não é a maneira de agir de Deus.

    Em termos práticos, temos que nos perguntar primeiro: “Estou disposto a fazer o que for necessário para receber uma resposta do Senhor, ou simplesmente quero fazer as coisas a meu próprio modo?” O próprio Salvador explicou esse padrão ao dizer: “Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo” (João 7:17).

    Então, o primeiro passo para resolver perguntas é manter-nos “firmes e inabaláveis na obediência aos mandamentos” (Alma 1:25). O Élder Neil L. Andersen, do Quórum dos Doze Apóstolos, perguntou:

    “Como permaneceremos ‘firmes e inabaláveis’ durante uma prova de fé? Imergimo-nos naquelas mesmas coisas que ajudaram a edificar o cerne da fé: exercemos fé em Cristo, oramos, ponderamos as escrituras, arrependemo-nos, guardamos os mandamentos e servimos ao próximo.

    Quando se deparar com uma prova de fé — aconteça o que acontecer, não se afaste da Igreja! Se nos distanciarmos do reino de Deus durante uma prova de fé, será como sair da segurança de um abrigo contra tempestade justamente quando aparece um tornado”.2

    O Élder Andersen também ensinou que “fé (…) é uma decisão”.3 O Senhor não vai compelir seu intelecto ou sua obediência. Você precisa decidir intencionalmente que terá fé! Essa decisão não viola sua honestidade intelectual. É uma evidência de seu respeito eterno e divino por seu arbítrio.

    As Perguntas Ampliam o Entendimento

    Algumas pessoas incorretamente supõem que ter preocupações sinceras sobre a história ou a doutrina da Igreja é uma prova de que não se está vivendo à altura dos padrões da Igreja. Ter perguntas não significa que você é culpado de algum grande pecado. As perguntas fazem parte da vida e são necessárias para nosso progresso e para um maior entendimento. A preocupação não é se levantamos perguntas, mas se guardamos os mandamentos enquanto nos empenhamos no processo de revelação que conduz a respostas.

    Esteja ciente de que Satanás pode ampliar nossas dúvidas ou levar-nos a justificar nossos pecados. O Espírito Santo vai inspirar-nos com sentimentos incômodos quando pecamos, e podemos nos arrepender ou rejeitar essa inspiração. Quando surgirem dúvidas, pode ser útil perguntar-nos sinceramente: Há algo que estou fazendo ou desejando que é contrário ao evangelho? Se a resposta for sim, procure a ajuda de seu bispo. Isso pode fazer toda a diferença! Permitir que suas dúvidas justifiquem seus pecados jamais será um bom substituto para o arrependimento.

    Algumas pessoas também tropeçam em declarações feitas por líderes da Igreja que acabaram se provando incorretas, não a respeito de doutrina, mas no tocante a opiniões pessoais deles. O Presidente Joseph Fielding Smith (1876–1972), por exemplo, escreveu na primeira edição de seu livro Answers to Gospel Questions [Respostas a Perguntas do Evangelho]: “É duvidoso que ao homem seja permitido criar algum instrumento ou nave para viajar pelo espaço e visitar a Lua ou qualquer planeta distante”.4

    Mais tarde, depois da descida da Apolo na Lua e do falecimento do Presidente David O. McKay, Joseph Fielding Smith se tornou Presidente da Igreja. Numa entrevista coletiva à imprensa, um repórter o questionou sobre essa declaração. O Presidente Smith respondeu: “Ora, eu estava errado, não é mesmo?”5

    Como observou o Élder Jeffrey R. Holland, do Quórum dos Doze Apóstolos: “Consumimos uma quantia preciosa de recursos emocionais e espirituais ao nos atermos ferrenhamente (…) a um incidente da história da Igreja que só prova que os mortais sempre terão dificuldade para corresponder às esperanças imortais colocadas diante deles”.6

    Buscar um Caminho Edificante

    Muitos livros foram escritos e inúmeras horas foram gastas explorando-se a história da Restauração. Isso costuma levar a um entendimento maior, mas também pode suscitar perguntas incômodas, principalmente quando não compreendemos os motivos das pessoas naquela época. Também é fácil concentrar-nos demasiadamente na busca de fatos históricos cujo entendimento possa estar equivocado ou perdido para nós agora, mas sempre é possível obter informações reais e relevantes Daquele que compreende tudo.

    Esse é talvez o ponto-chave mais importante de todos: se formos firmes no cumprimento de nossos convênios e fiéis à luz que temos, o Senhor vai abençoar nossa vida e dar-nos inspiração. Senti essas ternas misericórdias. São experiências muito pessoais e diretas entre nós e o Pai Celestial. São luz e conhecimento. Por mais que tenhamos lido ou estudado a experiência pessoal de terceiros, nada pode se comparar ao poder de uma experiência em primeira mão que nos é dada pela misericórdia e pelo amor de nosso Pai.

    As perguntas vão continuar surgindo à medida que buscarmos um curso de estudo diário das escrituras e do evangelho. Quando o Senhor quiser ensinar-nos, geralmente o fará dando-nos uma pergunta para ponderar. As respostas virão se formos fiéis a nossos convênios e servirmos ao próximo ao estudar, porque esse é o caminho a seguir para termos experiências pessoais que, com o tempo, nos darão respostas a todas as perguntas.

    Notas

    1. Ver, por exemplo, Gênesis 25:21–23; Êxodo 3:11–22; Mosias 26; Alma 40; 3 Néfi 27; Doutrina e Convênios 76; 77; 138.

    2. Neil L. Andersen, “Prova de Vossa Fé”, A Liahona, novembro de 2012, p. 39.

    3. Neil L. Andersen, “Você Sabe o Suficiente”, A Liahona, novembro de 2008, p. 13.

    4. Joseph Fielding Smith, Answers to Gospel Questions, 1958, 5 vols., vol. 2, p. 191.

    5. Reminiscências pessoais de David Farnsworth; a entrevista coletiva para a imprensa foi realizada em 23 de janeiro de 1970, seis meses após a alunissagem.

    6. Jeffrey R. Holland, “Os Trabalhadores da Vinha”, A Liahona, maio de 2012, p. 31.