2000–2009
Um Sacerdócio Real
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Tema

Um Sacerdócio Real

Portar o sacerdócio traz grandes bênçãos, mas também implica grandes obrigações.

Meus queridos irmãos, é sempre um grande privilégio e uma séria responsabilidade falar ao sacerdócio da Igreja. Esta é possivelmente a maior reunião do sacerdócio na história do mundo. Gostaria de falar a vocês, rapazes, sobre o quanto são abençoados por serem portadores do Sacerdócio Aarônico, também conhecido como “sacerdócio menor”. A palavra menor, entretanto, não diminui em nada sua importância. Não há nada de pequeno a respeito dele — especialmente quando vejo quão grandes alguns de vocês, rapazes, são!

Tenho certeza de que se lembram como ficaram animados quando distribuíram o sacramento pela primeira vez. Ao ajudarem a preparar, abençoar e distribuir o sacramento, vocês, portadores do Sacerdócio Aarônico, ajudam todos os membros que dele partilham a se comprometerem novamente com o Senhor e a renovarem a fé no sacrifício expiatório do Salvador. Os membros que tomam o sacramento devem lembrar-se de tomar sobre si o nome do Filho, recordá-Lo sempre, guardar Seus mandamentos e buscar ter sempre Seu Espírito. Espero que vocês dêem valor ao sacerdócio que possuem e sempre honrem seus deveres nesse sacerdócio.

Li recentemente a história de alguns diáconos que se tornaram um tanto descuidados em sua atitude ao distribuir o sacramento. Começaram a pensar naquilo como uma obrigação que ninguém mais queria cumprir. Atrasavam-se com freqüência e nem sempre se vestiam adequadamente. Certo domingo, o consultor do sacerdócio lhes disse: “Não precisam preocupar-se com o sacramento hoje. Ele já foi providenciado”.

É claro que eles ficaram surpresos com a notícia, mas, como sempre, chegaram atrasados à reunião sacramental. Entraram discretamente durante o hino sacramental e sentaram-se com a congregação. Foi quando notaram quem estava sentado no banco dos diáconos — seu consultor e os sumos sacerdotes da ala, incluindo homens que haviam servido como bispos e presidentes de estaca. Estavam todos vestidos com ternos escuros, camisa branca e gravata. Mais do que isso, a postura deles era de total reverência enquanto levavam as bandejas de sacramento de fileira em fileira. Havia algo mais profundo e significativo quanto ao sacramento naquele dia. Aqueles diáconos, para quem seus deveres haviam-se tornado mera rotina, aprenderam pelo exemplo que distribuir o sacramento era uma responsabilidade sagrada e uma das maiores honras.1 Começaram a entender que o sacerdócio é, como o chamou o Apóstolo Pedro, um “sacerdócio real”. 2

Geralmente o Sacerdócio Aarônico, sob a direção do bispado, tem a responsabilidade de administrar e distribuir o sacramento. Em nossa ala, aqui em Salt Lake City, temos um bom número de membros fiéis e mais velhos, mas poucos em idade de Sacerdócio Aarônico. Através dos anos tenho observado esses sumos sacerdotes e élderes, homens de fé e grandes realizações, distribuírem humilde e reverentemente o sacramento da ceia do Senhor. Durante algum tempo esse grupo de portadores do sacerdócio incluiu um juiz federal sênior, um candidato a governador do Estado de Utah e outros homens proeminentes. Mesmo assim, sentiam-se honrados e privilegiados por desempenhar esse sagrado dever do sacerdócio.

O Sacerdócio Aarônico é um grande dom de poder espiritual que o Senhor conferiu sobre Aarão e seus filhos.3 Possui “a chave do ministério de anjos e do evangelho preparatório” 4 e inclui também “o evangelho do arrependimento e do batismo por imersão para remissão de pecados”.5

Gostaria de dizer algo sobre o ministério de anjos. Em tempos antigos e modernos, anjos apareceram e deram instruções, advertências e orientação em benefício das pessoas que visitaram. Não temos consciência do quanto o ministério de anjos afeta nossa vida. O Presidente Joseph F . Smith disse: “De igual maneira, os nossos pais e mães, irmãos, irmãs e amigos que passaram por esta Terra, tendo sido fiéis e dignos de gozar desses privilégios e direitos, podem receber a missão de visitar seus parentes e amigos na Terra, trazendo da presença divina mensagens de amor, de advertência ou reprovação e instrução àqueles que aprenderam a amar na carne.”6 Muitos de nós têm a impressão que já passaram por essa experiência. Esse ministério tem sido e ainda é uma parte importante do evangelho. Anjos ministraram a Joseph Smith quando ele restabeleceu o evangelho em sua plenitude.

Alma, o filho, teve uma experiência pessoal com anjos ministradores. Quando jovem, ele estava incluído entre os incrédulos e “fez com que muitos do povo agissem segundo suas iniqüidades”. Certo dia, “enquanto andava procurando destruir a Igreja de Deus” em companhia dos filhos de Mosias, um “anjo do Senhor apareceu-lhes; e desceu como se fosse numa nuvem; e falou como se fosse com voz de trovão, fazendo com que tremesse o solo”. O anjo então clamou: “Alma, levanta-te e aproxima-te, pois por que persegues a igreja de Deus?”

Alma ficou tão impressionado com a experiência que desmaiou e teve que ser carregado até a presença de seu pai. Somente depois que seu pai e outras pessoas jejuaram e oraram por dois dias, Alma recuperou a saúde e a força. Ele então se levantou e declarou: “Arrependi-me de meus pecados e o Senhor redimiu-me; eis que nasci do Espírito”.7 Alma acabou tornando-se um dos maiores missionários do Livro de Mórmon. Ainda assim, durante seus muitos anos de serviço missionário, jamais falou sobre a visita do anjo. Preferiu testificar que a verdade lhe tinha sido mostrada pelo Santo Espírito de Deus.

Ser instruído por um anjo seria uma grande bênção. Entretanto, como Alma ensinou, sua conversão derradeira e duradoura só veio depois que “[jejuou] e [orou] durante muitos dias”. 8 Sua conversão completa veio do Espírito Santo, que está disponível a todos nós se formos dignos.

Eventos miraculosos nem sempre têm levado à conversão. Por exemplo, quando Lamã e Lemuel maltrataram fisicamente seus irmãos mais novos, um anjo apareceu e os advertiu que parassem. O anjo também assegurou a todos os irmãos que Labão seria entregue em suas mãos. Néfi, por um lado, acreditou e resgatou as placas de latão. Lamã e Lemuel não acreditaram nem mudaram de comportamento como resultado da visita do anjo. Como lhes lembrou Néfi: “Como é que esquecestes que vistes um anjo do Senhor?” 9

Vocês, rapazes, estão formando seu testemunho. Ele é fortalecido pela confirmação espiritual, por intermédio do Espírito Santo, nas experiências comuns da vida. Embora algumas grandiosas manifestações possam fortalecer seu testemunho, é bem provável que não aconteça dessa maneira.

Portar o sacerdócio traz grandes bênçãos, mas também implica grandes obrigações.

  1. Todos os portadores do sacerdócio precisam magnificar seus chamados, agindo em nome do Senhor até onde seu ofício e chamado permitirem. Magnificamos nossos chamados seguindo a orientação de nossa presidência de quórum, do bispo e do consultor de nosso quórum. Isso significa preparar, administrar e distribuir o sacramento conforme formos designados a fazer. Também significa desempenhar outras responsabilidades do Sacerdócio Aarônico, tais como limpar nossas capelas, arrumar cadeiras para a conferência da estaca e outras reuniões da Igreja e cumprir outros deveres conforme designados.

  2. Os portadores do Sacerdócio Aarônico, ou do Sacerdócio preparatório, estão obrigados a se qualificar para o sacerdócio maior e receber treinamento para assumirem maiores responsabilidades de serviço na Igreja.

  3. Portar o Sacerdócio Aarônico implica na obrigação de ser um bom exemplo, com pensamentos puros e comportamento adequado. Adquirimos esses atributos ao desempenhar nossos deveres do sacerdócio.

  4. No quórum e em outras atividades, vocês se relacionarão com rapazes que seguem os mesmos padrões que vocês possuem. Vocês podem fortalecer uns aos outros.

  5. Vocês podem estudar as escrituras e aprender os princípios do evangelho para ajudá-los a prepararem-se para uma missão.

  6. Vocês podem aprender a orar e a reconhecer as respostas.

O livro de Doutrina e Convênios descreve diferentes tipos de autoridade relativos ao Sacerdócio Aarônico. Em primeiro lugar, a ordenação ao sacerdócio dá autoridade para realizar as ordenanças e possuir o poder do Sacerdócio Aarônico. O bispado é a presidência do Sacerdócio Aarônico na ala.10 Em segundo lugar, dentro desse sacerdócio há diferentes ofícios, cada qual com responsabilidades e privilégios diferentes. Como diácono, você deve zelar pela Igreja como um ministro local.11 Como mestre, além de zelar pela Igreja, você deve “estar com os membros e fortalecê-los”. 12 Como sacerdote, você deve “pregar, ensinar, explicar, exortar, batizar e administrar o sacramento e visitar a casa de todos os membros”.13 Seu bispo, que possui o ofício de sumo sacerdote, é também o presidente do quórum de sacerdotes e dirige o trabalho do quórum.

Ao progredirem de um desses ofícios do Sacerdócio Aarônico para o seguinte, vocês manterão a autoridade do ofício anterior. Por exemplo, os que são sacerdotes ainda possuem autoridade para fazer tudo o que faziam como diáconos e mestres. Na verdade, mesmo quando forem ordenados ao Sacerdócio de Melquisedeque, ainda manterão e poderão agir nos ofícios do Sacerdócio Aarônico. O falecido Élder LeGrand Richards, que foi membro do Quórum dos Doze por muitos anos, entendia bem esse princípio. Ele costumava dizer sempre: “Sou apenas um diácono crescido”.

Como já mencionei, ensinar é um dos importantes deveres do Sacerdócio Aarônico. Para vocês, adolescentes, freqüentemente a oportunidade de ensinar surge quando servem como companheiros de seu pai ou de outro portador do Sacerdócio de Melquisedeque como mestres familiares. Prover as necessidades de modo temporal e espiritual é parte significante da responsabilidade de zelar pela Igreja.

O Profeta Joseph Smith dava alta prioridade ao ensino familiar. O irmão Oakley era o mestre familiar do Profeta, e sempre que o irmão Oakley visitava a casa dos Smith para deixar uma mensagem, “o Profeta reunia a família e dava sua própria cadeira ao irmão Oakley, dizendo à família” que ouvisse o irmão Oakley com toda atenção. 14

Vocês, rapazes do Sacerdócio Aarônico, precisam ter o Espírito consigo na vida pessoal, no ensino familiar, na preparação e distribuição do sacramento, e em outras atividades do sacerdócio. Precisam evitar certas pedras de tropeço. Uma das maiores é o vício.

Aconselho todos vocês, irmãos, a evitarem todo tipo de vício. Nesta época, Satanás e seus seguidores estão escravizando alguns de nossos melhores jovens por meio do vício do álcool, todo tipo de drogas, pornografia, fumo, jogos de azar e outras desordens compulsivas. Algumas pessoas parecem ter nascido com uma fraqueza por essas substâncias, de modo que uma “simples” experiência resulta em vício incontrolável. Alguns vícios alteram a mente e criam uma compulsão que suplanta a razão e o julgamento. Esses vícios destroem não apenas a vida dos que não resistem a eles, mas também a de seus pais, cônjuges e filhos. Como lamentou o profeta Jeremias: “Não creram os reis da terra, nem todos os moradores do mundo, que entrasse o adversário e o inimigo pelas portas (…) ”15

Em Sua sabedoria, o Senhor nos advertiu que substâncias que não são boas para nós devem ser totalmente evitadas. Fomos advertidos a não beber o primeiro drinque, não fumar o primeiro cigarro, nem experimentar a primeira droga. Curiosidade e pressão do grupo são razões egoísticas para se brincar com substâncias que viciam. Devemos parar e considerar todas as conseqüências, não somente para nós e nosso futuro, mas para nossos entes queridos. Essas conseqüências são físicas, mas também criam o risco de que percamos o Espírito e fazem com que nos tornemos presas de Satanás.

Testifico que o sacerdócio tem tido uma influência refinadora, espiritual, confortadora, fortificadora e preventiva em minha vida. Tenho vivido sob sua influência espiritual toda a minha vida — na casa de meu avô, na casa de meu pai e em minha própria casa. É edificante usar o poder e a autoridade transcendentes do sacerdócio para transmitir poder a outros, curar e abençoar. Que vivamos dignos de portar a autoridade do sacerdócio para agir em nome de Deus, eu oro em nome de Jesus Cristo. Amém.