A Vida e o Ministério de Howard W. Hunter
    Notas de rodapé

    A Vida e o Ministério de Howard W. Hunter

    No dia 6 de junho de 1994, o dia seguinte à designação de Howard W. Hunter como Presidente de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, ele fez dois convites. Falando com um tom de doce incentivo, ele disse:

    “Gostaria de convidar todos os membros da Igreja a seguirem com mais atenção o exemplo da vida de Jesus Cristo, especialmente no que tange ao amor, à esperança e à compaixão que Ele demonstrou. Oro para que nos tratemos uns aos outros com mais bondade, paciência, cortesia e perdão”.1

    O foco dos ensinamentos do Presidente Hunter durante décadas foi o incentivo às pessoas para seguirem o exemplo do Salvador. “Lembrem-se disto que vou dizer”, disse ele alguns anos antes. “Se nossa vida e nossa fé estiverem centralizadas em Jesus Cristo e Seu evangelho restaurado, nada poderá dar errado permanentemente. Por outro lado, se nossa vida não estiver centralizada no Salvador e nos Seus ensinamentos, nenhum outro sucesso poderá ser garantido permanentemente.”2

    O segundo convite que o Presidente Hunter fez foi aos membros da Igreja para que desfrutassem mais plenamente das bênçãos do templo:

    “Também exorto os membros da Igreja a fazerem do templo do Senhor o grande símbolo de sua condição de membro e o local supremo de seus convênios mais sagrados. Meu desejo mais profundo é que todos os membros da Igreja se tornem dignos de entrar no templo. Espero que todo membro adulto seja digno de ter uma recomendação válida para o templo e a carregue consigo mesmo que a distância não lhe permita um uso imediato ou assíduo.

    Sejamos um povo que frequenta e ama o templo. Procuremos diligentemente ir ao templo do Senhor com a maior assiduidade que nossos meios, nossas circunstâncias pessoais e nosso tempo o permitirem. Que façamos isso não apenas em favor de nossos parentes falecidos, mas também pelas bênçãos pessoais advindas da adoração no templo, pela santidade e a segurança que encontramos por trás daquelas paredes santas e consagradas. O templo é um local de beleza, um local de revelação e um local de paz. O templo é a casa do Senhor. É sagrado para Ele. Deve ser sagrado para nós”.3

    O Presidente Hunter continuou enfatizando esses dois convites por todo o seu período de serviço como Presidente da Igreja. Embora seu tempo como Presidente tenha durado somente nove meses, esses convites inspiraram os membros da Igreja no mundo inteiro a serem mais semelhantes a Cristo e a buscarem as bênçãos do templo com maior fervor.

    Howard W. Hunter

    Primórdios

    Em meados de 1800, os antepassados de Howard W. Hunter de quatro países diferentes tornaram-se membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Do lado materno, esses antepassados vieram da Dinamarca e da Noruega. Depois de emigrarem de sua terra natal, eles fizeram parte dos primeiros colonizadores de Mount Pleasant, Utah. Uma descendente desses pioneiros vigorosos, Nellie Rasmussen, viria a ser a mãe de um profeta.

    Do lado paterno, Howard teve antepassados com raízes profundas na Escócia e na Nova Inglaterra. Aqueles que se filiaram à Igreja fizeram grandes sacrifícios, mas a maioria descontinuou a filiação depois de alguns anos. O nascimento de John William (Will) Hunter, em 1879, marcou o início da terceira geração da linhagem Hunter que não estava ligada à Igreja. Mesmo assim, Will Hunter veio a ser o pai de um profeta.

    Will Hunter tinha 8 anos de idade quando sua família se mudou para Boise, Idaho. Aos 16 anos, Will conheceu Nellie Rasmussen quando ela veio a Boise ficar uns dias com a tia e o tio. Will logo começou a cortejar Nellie e, depois de dois anos, pediu-a em casamento. Nellie hesitou por algum tempo, mas Will foi persistente, e ela acabou aceitando o pedido. Casaram-se em Mount Pleasant, Utah, e o casal voltou a Boise, onde estabeleceram seu lar. O primeiro filho, Howard William Hunter, nasceu em Boise, em 14 de novembro de 1907. A única outra criança da família, a filha, a quem deram o nome de Dorothy, nasceu em 1909.

    Howard W. Hunter mais jovem

    Howard W. Hunter ainda criança

    Edificar um Alicerce para a Vida

    Na época do nascimento de Howard, só havia um pequeno ramo da Igreja em Boise. A mãe de Howard foi um membro ativo no ramo e criou os filhos no evangelho. Howard comentou sobre a mãe: “Ela sempre foi fiel. (…) Serviu como presidente das organizações da Primária e das Moças. Lembro-me de ir à Igreja com a mamãe, às vezes antes do horário das reuniões, e de ficar depois delas a fim de terminar suas atribuições”.4 Embora o pai de Howard não fosse membro da Igreja, não se opunha à participação da família e, de vez em quando, vinha com eles à reunião sacramental.

    Além de conduzir seus filhos na atividade na Igreja, Nellie Hunter ajudou-os a edificar um forte alicerce religioso em casa. “Foi a mamãe quem teve a iniciativa de ensinar-nos o evangelho”, recorda Howard. “Foi em seu colo que aprendemos a orar. (…) Foi no colo de minha mãe que recebi um testemunho, ainda menino.”5

    O Ramo Boise tornou-se ala em 1913, alguns dias antes do sexto aniversário de Howard. Dois anos depois, quando Howard fez 8 anos, estava ansioso por ser batizado. “Fiquei muito empolgado diante dessa possibilidade”, recorda ele. Seu pai, entretanto, não lhe deu permissão. Howard comenta: “Papai (…) achava que eu devia esperar até saber o que queria da vida. Eu queria ser batizado, mas o tempo passava, e eu não recebia essa bênção”.6

    Como Howard não tinha sido batizado, não pôde ser ordenado diácono quando completou 12 anos. “Naquele tempo, todos os meus amigos tinham sido ordenados diáconos”, disse ele. “Por eu não ser membro oficial da Igreja, não podia fazer muitas das coisas que eles faziam.”7 Howard sentia-se especificamente desanimado por não poder distribuir o sacramento: “Nas reuniões sacramentais, eu me sentava com os outros rapazes. Quando chegava a hora de distribuir o sacramento, eu me afundava no meu lugar. Sentia-me tão diminuído!”8

    Howard tentou novamente convencer o pai, dessa vez com a ajuda da irmã de 10 anos, Dorothy: “[Nosso esforço conjunto] foi gradualmente persuadindo o papai para que nos deixasse ser batizados. Também oramos muito para que ele dissesse sim. Ficamos super felizes quando ele finalmente deu seu consentimento”.9 Quase cinco meses depois de Howard completar 12 anos, ele e Dorothy foram batizados em uma piscina pública. Logo em seguida, Howard foi ordenado diácono e distribuiu o sacramento pela primeira vez. “Tive medo, mas fiquei muito entusiasmado com o privilégio”, relembra.10 Entre outros deveres, Howard tinha de acionar o fole do órgão e acender o fogo para aquecer a capela nas manhãs frias de domingo. “Um novo mundo se descortinava diante de mim ao aprender as responsabilidades de membro da Igreja e por ser portador do sacerdócio”, disse.11

    Na adolescência, Howard fez parte da tropa escoteira de sua ala e se esforçou arduamente para receber o prêmio mais almejado pelos jovens: o Eagle Scout (correspondente ao Escoteiros da Pátria, no Brasil). Bem perto de atingir essa meta, acabou-se envolvendo em uma competição amistosa. “Éramos dois na disputa final para ganhar em primeiro lugar o Eagle Scout em Boise”, contou.12 O outro rapaz completou os requisitos primeiro, e Howard parecia satisfeito por ficar em segundo lugar na competição.13

    Howard aprendeu a ser trabalhador muito cedo na vida. Ajudava as viúvas e outros vizinhos, vendia jornais e trabalhava na fazenda de um tio. Ao crescer, seus empregos incluíam carregador de tacos em jogos de golfe, entregador de telegramas, balconista em uma farmácia, entregador de jornais, atendente em um hotel, em uma loja de departamentos e em uma loja de arte.

    Dorothy Hunter disse que o irmão tinha uma “grande ambição” e uma “mente brilhante”.14 Complementando esses atributos, possuía ainda as qualidades da compaixão e da generosidade. Ao se lembrar de seu jeito carinhoso de cuidar das pessoas, Dorothy disse: “Howard sempre quis fazer o bem e ser bom. Era um irmão maravilhoso e me protegia. Era bom para nossa mãe e nosso pai”.15

    A compaixão de Howard se estendia aos animais. “Qualquer gato perdido encontraria abrigo em nossa casa, mesmo contra as objeções da família.16 Certa vez, uns meninos da vizinhança estavam atormentando um gatinho mantendo-o preso em uma vala de irrigação perto da casa dos Hunter. Quando o animalzinho conseguia se arrastar para a beira da vala, os garotos o empurravam de novo para baixo. Logo Howard chegou e resgatou o bichinho. “O pobrezinho estava quase morto”, lembra Dorothy, “e Howard o trouxe para casa”.17

    “Não vai sobreviver”, alertou a mãe.

    “Mãe, temos de tentar”, Howard insistiu.18

    Dorothy disse que “eles o embrulharam em um cobertor e o colocaram perto do fogão aquecido e cuidaram dele”; e graças ao carinho recebido, o gatinho se recuperou e viveu naquele lar por muitos anos.

    Howard foi ordenado mestre em 1923, pouco antes da criação da Ala Boise Dois. Por precisarem de mais um local para se reunirem e preverem o crescimento iminente, os líderes da Igreja propuseram construir um tabernáculo da estaca. Foi pedido aos santos em Boise que contribuíssem com 20 mil dólares para a construção do edifício.19 Em uma reunião em que os líderes solicitaram doações, o jovem Howard W. Hunter foi o primeiro a erguer a mão e se comprometer. A quantia prometida foi 25 dólares — um valor muito grande em 1923, especialmente para um rapaz de 15 anos. “Trabalhei e economizei até poder pagar minha contribuição inteiramente”, disse ele depois.20 O tabernáculo ficou pronto em 1925, e o próprio Presidente Heber J. Grant veio dedicá-lo em dezembro.21

    Desde muito cedo, Howard demonstrara certa aptidão para a música e, na adolescência, aprendeu a tocar vários instrumentos. Aos 16 anos, já possuía sua própria banda musical, a que chamou de Hunter’s Croonaders. O grupo tocava sempre em bailes, recepções e outros eventos na área de Boise.

    Aos 19 anos, assinou um contrato para se apresentarem em um navio de cruzeiro que ia para a Ásia. Nos primeiros dois meses de 1927, os cinco componentes do grupo de Howard tocaram em jantares e bailes enquanto o navio cruzava o Pacífico e parava em várias cidades do Japão, da China e das Filipinas. O cruzeiro foi uma experiência iluminadora para Howard, permitindo-lhe aprender mais sobre outros povos e outras culturas. Embora tenha gastado a maior parte do dinheiro em passeios e presentes, pensava: “Esse tipo de educação valeu tudo aquilo que gastamos”.22

    os cinco componentes da banda

    Howard W. Hunter, ao centro, com os Hunter’s Croonaders, 1927

    Momento de Grandes Decisões

    Howard voltou do cruzeiro e recebeu a alegre notícia de que seu pai tinha sido batizado enquanto estivera ausente. No domingo seguinte, Howard e seu pai participaram da reunião do sacerdócio juntos, pela primeira vez. Um bispo cuidadoso tinha incentivado Will Hunter a ser batizado, e Howard disse que “foi graças a um mestre [familiar] que o pai passou a se interessar mais pela Igreja”.23

    Depois do cruzeiro, Howard ficou em dúvida quanto ao futuro. Manteve-se ocupado com atividades musicais e outros empregos, inclusive um negócio próprio, mas nada que representasse uma carreira promissora. Quando seu negócio não deu certo, em março de 1928, decidiu visitar um amigo no sul da Califórnia. Seu plano inicial era ficar ali só uma semana ou duas, mas acabou decidindo ficar mais tempo e procurar o que ele descrevia como “emprego com oportunidade”.24 Na Califórnia, ele encontraria não só uma carreira, mas também sua futura esposa, extensas oportunidades de servir na Igreja e um lar por mais de três décadas.

    Seus primeiros empregos na Califórnia incluíam o de vendedor de sapatos e trabalhador de uma instalação de acondicionamento de frutas em engradados. Nesse local, às vezes, ele carregava vagões de trem com 40 ou 45 toneladas de laranjas por dia. “Eu não sabia que havia tanta laranja no mundo”, brincava. Certo dia ele enfrentou um “problema terrível”, pois precisava selecionar limões de acordo com a cor, e ele não conseguia diferenciar as nuances de tom entre o amarelo e o verde por ser daltônico. “Achei que ia ter um ataque de nervos antes do fim do dia”, relembra.25

    Depois de trabalhar na instalação por duas semanas, Howard candidatou-se para trabalhar em um banco em Los Angeles, que o contratou de imediato e onde foi promovido rapidamente. Ainda continuou com a atividade musical, tocando em diversos grupos à noite. Em setembro de 1928, cerca de seis meses depois de Howard mudar-se para a Califórnia, a família se reuniu novamente quando os pais e a irmã também se mudaram para lá.

    Na adolescência, Howard ia à Igreja, mas não estudava o evangelho em profundidade. Já na Califórnia, tornou-se muito mais atento ao estudo do evangelho. “Meu primeiro despertar para o evangelho ocorreu em uma aula da Escola Dominical, na Ala Adams, cujo professor era Peter A. Clayton”, recorda. “Ele possuía um amplo conhecimento e a habilidade para inspirar os jovens. Eu estudava as lições, lia as designações que ele nos dava e fazia comentários sobre os assuntos propostos. (…) Acho que esse período da minha vida foi o momento em que a verdade do evangelho começou a germinar em mim. Sempre tive um testemunho do evangelho, mas, de repente, comecei a entendê-lo.”26 Para Howard, sua experiência naquele curso da Escola Dominical deu início ao amor pelo estudo do evangelho que durou a vida inteira.

    Howard adorava estar com os outros jovens adultos na região de Los Angeles. Frequentavam a Igreja juntos e, às vezes, iam a duas ou três alas no mesmo domingo e participavam de inúmeras atividades. Uma dessas atividades teve um significado marcante para Howard. Alguns meses depois de chegar à Califórnia, ele e alguns amigos foram a um baile da Igreja e, depois, foram passear na praia. Naquela noite, Howard conheceu Clara May (Claire) Jeffs, que acompanhava um de seus amigos. Howard e Claire logo sentiram uma atração mútua que floresceu até se tornar amor.

    Encontraram-se algumas vezes em 1928 e passaram a namorar firme no ano seguinte. “Seus cabelos eram louro-claros e ela era uma garota linda”, Howard recorda. “Acho que o que mais me impressionou nela foi a intensidade de seu testemunho.”27 Em uma tarde de primavera, quase três anos depois do primeiro encontro, Howard levou Claire a um mirante com linda vista para o mar. Ali Howard pediu Claire em casamento, e ela aceitou. Howard recorda:

    “Observamos juntos como as ondas se erguiam no Pacífico e se arremessavam contra as rochas, iluminadas pelo clarão de uma lua cheia. Fizemos alguns planos e, então, coloquei um anel de brilhantes em seu dedo. Tomamos muitas decisões naquela noite e algumas fortes resoluções quanto à nossa vida juntos”.28

    Tais resoluções influenciaram Howard a tomar, quatro dias antes do casamento, uma decisão que mudaria sua vida. Depois da apresentação do grupo naquela noite, guardou seus instrumentos e nunca mais tocou profissionalmente. Tocar em bailes e festas “até que era empolgante”, disse ele, “e ganhei bastante dinheiro”; mas concluiu que parte desse estilo de vida não era compatível com o que ele sonhava para sua família. “A decisão deixou um vazio, pois era algo que eu gostava de fazer, [mas] nunca me arrependi por tê-la tomado”, declarou anos depois.29 Seu filho observou: “Penso sempre na disciplina extraordinária (eu a chamo de brio) que foi necessária para abandonar algo que ele amava tanto por valorizar mais outra coisa”.30

    Desafios e Bênçãos nos Primeiros Anos do Casamento

    Howard e Claire casaram-se no Templo de Salt Lake, em 10 de junho de 1931, e voltaram ao sul da Califórnia para começar sua vida juntos. A situação econômica dos Estados Unidos estava se deteriorando devido à Grande Depressão; em janeiro de 1932, o banco onde Howard trabalhava fechou. Nos dois anos que se seguiram, trabalhou em uma variedade de empregos para suprir as necessidades da família. Ele e Claire estavam determinados a ser independentes o quanto antes, mas depois de um ano eles aceitaram o convite de morar com os pais de Claire por algum tempo.

    Em 20 de março de 1934, nasceu o primeiro filho de Howard e Claire, a quem deram o nome de Howard William Hunter Jr. e chamavam de Billy. Naquele verão, eles notaram que Billy parecia letárgico. Os médicos diagnosticaram anemia no menino, e Howard doou sangue duas vezes para transfusões de sangue, mas as condições de Billy não melhoraram. Outros exames mostraram um grave problema intestinal, e os médicos recomendaram uma cirurgia. Howard recorda: “Na hora da cirurgia, fui levado à sala sobre uma mesa ao lado dele, e doei sangue durante a operação. Após o procedimento, os médicos não estavam muito animados”. Três dias depois, com apenas sete meses de vida, o pequeno Billy faleceu, tendo os pais a seu lado, na cama. “Ao deixarmos o hospital aquela noite, estávamos traspassados pela dor e atordoados”, Howard escreveu.32 “Foi um choque terrível para nós.”33

    Dois meses antes de Billy nascer, Howard tinha sido contratado pelo Los Angeles County Flood Control District [Distrito de Controle de Enchentes do Condado de Los Angeles]. Seu trabalho o levou a conhecer documentos jurídicos e a procedimentos em tribunais; ele decidiu então seguir a carreira de advogado. O cumprimento dessa meta exigiu anos de trabalho árduo e resoluto. Por não ter a graduação mínima requerida, Howard teve de fazer vários cursos antes de ser aceito na faculdade de Direito. Fez os cursos à noite porque precisava continuar trabalhando. Mesmo depois de entrar para a faculdade, continuou a trabalhar por período integral. “Não foi fácil trabalhar o dia todo e estudar à noite; além disso, tinha de reservar um tempo para estudar”, ele escreveu.34 “Não era raro atravessar as noites estudando.”35 Howard manteve esse ritmo rigoroso por cinco anos; por fim, formou-se em 1939, em terceiro lugar na sua classe.

    Enquanto Howard estava na faculdade de Direito, seus outros dois filhos nasceram: John em 1936 e Richard em 1938. Graças ao emprego de Howard no Distrito de Controle de Enchentes, a família conseguiu comprar uma casa modesta.

    Bispo da Ala El Sereno

    Em 1940, cerca de um ano após a formatura em Direito, Howard foi chamado para servir como bispo da recém-criada Ala El Sereno, na Califórnia. Surpreendido pelo chamado, ele disse: “Sempre pensei na figura do bispo como um homem mais velho e perguntei como poderia ser o pai da ala tendo somente 32 anos de idade”. A presidência da estaca respondeu, garantindo-lhe que ele poderia “estar à altura do chamado”. Embora Howard se sentisse um tanto inadequado, prometeu: “Darei o melhor de mim”.36 Ele cumpriu a promessa com grande compromisso, inspiração e compaixão durante seus mais de seis anos de serviço como bispo.

    Mais uma vez, Howard ficou sobrecarregado, mas sentiu que seus serviços lhe renderam muitas bênçãos. “Senti-me oprimido pelas imensas responsabilidades”, comentou. “Foi um trabalho glorioso e uma grande bênção.”37

    Uma necessidade imediata para a ala recém-formada era ter um local para se reunir. O bispado desocupou algumas salas em um edifício local e os membros da ala começaram a levantar fundos para a própria capela. A construção dos edifícios da Igreja, porém, foi logo suspensa por causa da Segunda Grande Guerra, mas os membros continuaram a levantar fundos tendo em vista o futuro. Em um dos projetos para levantar fundos, conhecido como “projeto cebola”, os membros foram a uma fábrica de picles cortar cebolas. O cheiro de cebola é impregnante, o que levava o Bispo Hunter a brincar: “Era fácil identificar, na reunião sacramental, aqueles que tinham participado da atividade de cortar cebolas”.38

    Outras atividades para levantar fundos incluíam cortar repolhos em uma fábrica de chucrute e vender a produção excedente de cereais matinais. “Esse tempo em que trabalhamos juntos foi muito feliz; pessoas de todas as classes e profissões apoiaram o bispado nesse empenho de levantar fundos para a construção da capela”, recordou o Bispo Hunter. “Nossa ala era como uma família grande e feliz.”39 Depois de muita paciência e sacrifício, a meta de uma capela própria da ala foi finalmente atingida em 1950, quase quatro anos depois de Howard ter sido desobrigado de seu serviço como bispo.

    O trabalho de bispo durante a Segunda Grande Guerra apresentou desafios incomuns. Muitos membros homens da ala estavam no serviço militar, deixando famílias sem o marido e pai no lar. A pouca disponibilidade de homens logo trouxe dificuldades para ocupar os chamados da Igreja. Consequentemente, durante parte de seu período como bispo, Howard também serviu como chefe escoteiro. “Tínhamos um grupo de excelentes rapazes e não podíamos negligenciá-los”, disse. “Assumi os rapazes por quase dois anos e eles tiveram um grande progresso.”40

    Howard foi desobrigado como bispo em 10 de novembro de 1946. “Sempre serei grato por esse privilégio e o aprendizado daqueles anos”, comentou. Embora a experiência tenha sido “difícil sob vários aspectos”, ele e Claire eram gratos pelos valores que essa experiência agregou à família deles.41 Ao expressar gratidão pelo serviço do Bispo Hunter, um membro da ala escreveu: “Ele conseguiu unir os membros de nossa pequena ala em um esforço unificado e ensinou-nos a alcançar metas aparentemente fora do alcance. Trabalhávamos juntos como ala, orávamos juntos, brincávamos juntos e adorávamos juntos”.42

    Embora Howard tenha sido desobrigado em 1946, sua ligação especial com os membros da Ala El Sereno continuou. Seu filho Richard disse que, “até o fim da vida, ele esteve em contato com eles e sabia onde estavam e quais eram suas circunstâncias. Sempre que viajava a algum lugar onde [morava] um dos membros da ala antiga, costumava entrar em contato com ele. Seu amor pelos membros da ala continuou por toda a vida”.43

    A Criação da Família e a Estruturação da Carreira Profissional

    Howard e Claire Hunter eram pais amorosos que ensinaram aos filhos valores, responsabilidade e a importância do evangelho. Muito antes de a Igreja instituir as noites de segunda-feira para a noite familiar, os Hunter já reservavam essa noite como um tempo para ensinar o evangelho, contar histórias, brincar com as crianças e passear juntos. Quando a família viajava, às vezes iam juntos ao templo, para que John e Richard realizassem batismos pelos mortos. Howard e seus filhos gostavam de montar modelos de trenzinhos, acampar juntos e fazer outras atividades ao ar livre.

    Howard trabalhava por tempo integral e ainda frequentava a faculdade de Direito quando nasceram os filhos John e Richard, e foi chamado para ser bispo quando os meninos eram muito pequenos — quatro e dois anos — e, assim, a criação adequada de uma família exigia uma medida extra de dedicação de Claire, que a deu com alegria. “Meu maior desejo e ambição (…) era ser uma boa esposa, uma boa dona de casa e ser verdadeiramente uma boa mãe”, disse ela. “Trabalhamos muito arduamente para manter nossos filhos dentro da Igreja; eles e eu passamos momentos maravilhosos juntos.”44 Howard sempre elogiou Claire por sua influência e pelos sacrifícios dela na criação dos filhos.

    Durante o período de crescimento dos meninos e do serviço em chamados de liderança na Igreja, Howard também edificou uma próspera carreira jurídica. Trabalhando principalmente com empresas e clientes corporativos, tornou-se um advogado altamente respeitado no sul da Califórnia. Foi eleito para servir na junta de diretores de mais de duas dezenas de empresas.

    Em sua profissão, Howard era conhecido por sua integridade, seu pensamento preciso, sua comunicação clara e seu senso de imparcialidade. Era também conhecido como “advogado do povo” — alguém que “sempre tinha tempo e interesse suficiente para ajudar as pessoas a resolver seus problemas”.45 Certo advogado disse que Howard “se preocupava muito mais em ver que as pessoas recebessem a ajuda necessária do que em ser pago por isso”.46

    A família Hunter

    Howard e Claire Hunter com os filhos, John e Richard

    Presidente da Estaca Pasadena Califórnia

    Em fevereiro de 1950, o Élder Stephen L. Richards e o Élder Harold B. Lee, do Quórum dos Doze, viajaram até a Califórnia para dividir a sempre crescente Estaca Pasadena. Entrevistaram vários irmãos na estaca, inclusive Howard. Depois de refletirem fervorosamente sobre quem o Senhor gostaria que servisse como presidente da estaca, já por volta da meia-noite, mandaram chamar Howard e fizeram-lhe o chamado. O Élder Richards e o Élder Lee disseram-lhe para ter uma boa noite de sono e o chamaram bem cedo na manhã seguinte, pedindo-lhe que trouxesse as indicações dos seus conselheiros. “Fui para casa naquela noite, mas não consegui dormir”, disse Howard. “O chamado era avassalador. Claire e eu conversamos por um longo tempo.”47

    Depois do apoio do Presidente Hunter e dos conselheiros, eles começaram a avaliar as necessidades da estaca. Uma das maiores prioridades para a nova presidência da estaca era ajudar os membros a edificar sua força espiritual. Uma das preocupações era que as famílias estavam fragmentadas, em parte porque se envolviam em demasiadas atividades. Depois de orar e conversar, os líderes sentiram-se inspirados a enfatizar a noite familiar e reservar as noites de segunda-feira para a família. Todos os edifícios da Igreja na estaca ficavam fechados às segundas-feiras à noite, e “nenhuma outra atividade era realizada que conflitasse com essa noite sagrada”, explicou o Presidente Hunter.48

    Desde o início de seu serviço, o Presidente Hunter e outros presidentes de estaca no sul da Califórnia reuniam-se com o Élder Stephen L. Richards para discutir um programa de Seminário para os jovens com idade para o Ensino Médio. O Presidente Hunter relembra: “[O Élder Richards] explicou-nos que eles gostariam de fazer um teste com aulas do Seminário ministradas bem cedo pela manhã em uma área onde a lei não liberava tempo [na escola] para a educação religiosa”.49 O Presidente Hunter foi indicado para ser o presidente de um comitê que estudaria a possibilidade de colocar a ideia em prática. Depois de concluir o estudo, o comitê recomendou a realização do Seminário matinal para os alunos de três escolas de Ensino Médio. Richard, filho do Presidente Hunter, fez parte do grupo de jovens desse Seminário matinal piloto. Ele se lembra: “Nós, jovens, ficamos pasmos e perguntávamos quem tinha tido essa ideia maluca de dar aulas às 6 horas da manhã; mas, no final, essa se tornou nossa parte favorita do dia, em que podíamos estar juntos como amigos da Igreja e aprender”.50 Logo, esse programa se estendeu a outros alunos e foi o precursor do programa do Seminário diário para os jovens da Igreja.

    Durante a conferência geral de outubro de 1951, a Primeira Presidência reuniu-se com os presidentes de estaca do sul da Califórnia para anunciar seu desejo de construir um templo em Los Angeles. A perspectiva de terem um templo nas proximidades trouxe aos membros grande alegria — e exigiu um grande sacrifício, já que lhes foi solicitado que contribuíssem com 1 milhão de dólares para a construção. Quando o Presidente Hunter voltou para a Califórnia, reuniu os líderes das alas e das estacas e disse: “Deem às pessoas a oportunidade de receber grandes bênçãos, contribuindo generosamente para o templo”.51 Em seis meses, os membros na região sul da Califórnia tinham conseguido levantar 1,6 milhão de dólares para a construção do templo, que foi dedicado em 1956.

    Presidência da Estaca Pasadena

    Líderes na Presidência da Estaca Pasadena, 1950. Da esquerda para a direita: Daken K. Broadhead, primeiro conselheiro na presidência da estaca; Howard W. Hunter, presidente; A. Kay Berry, segundo conselheiro; e Emron “Jack” Jones, secretário.

    Além de contribuírem com os fundos para a construção do templo e de outros edifícios da Igreja, os membros também ofereceram trabalho voluntário. Durante a construção das capelas, o Presidente Hunter passou muitas horas trabalhando com uma pá, um martelo ou um pincel. Além de oferecerem trabalho voluntário nas construções, os membros também trabalharam em projetos de bem-estar que incluíam granjas, pomares de cítricos e fábricas de conservas. Por oito anos, o Presidente Hunter foi responsável por coordenar o trabalho de 12 estacas nesses projetos e sempre ajudou pessoalmente nos trabalhos. “Jamais pediu a outra pessoa que fizesse algo ou assumisse uma responsabilidade que ele mesmo não assumiria”, comentou um amigo.52 Anos depois, já como membro do Quórum dos Doze, o Élder Hunter disse:

    “Nunca participei de um projeto de bem-estar monótono. Já subi em árvores e colhi limões, descasquei frutas, cuidei de caldeiras, carreguei caixas, descarreguei caminhões, fiz limpeza na fábrica de conservas e mil e uma outras coisas; mas o que mais recordo é o riso, o canto e a camaradagem entre os que estavam engajados a serviço do Senhor”.53

    Em novembro de 1953, o Presidente e a irmã Hunter, com outros membros da Estaca Pasadena, viajaram ao Templo de Mesa Arizona para realizar ordenanças vicárias. O Presidente Hunter completaria 46 anos no dia 14 de novembro e, antes do início da sessão daquele dia, o presidente do templo pediu a ele que falasse à congregação reunida na capela. Tempos depois, ele escreveu sobre essa experiência:

    “Enquanto eu falava aos presentes (…), meu pai e minha mãe entraram na capela vestidos de branco. Eu não fazia ideia de que meu pai estivesse preparado para receber as bênçãos do templo embora soubesse que minha mãe estava ansiosa por isso havia algum tempo. A emoção me dominou de tal maneira que não consegui continuar falando. O Presidente Pierce [o presidente do templo] veio até o meu lado e explicou o motivo da interrupção. Quando meu pai e minha mãe vieram ao templo naquela manhã, pediram ao presidente que não me contasse que eles estavam ali, pois queriam que isso fosse uma surpresa de aniversário. Jamais me esqueci desse aniversário, pois naquele dia eles receberam a própria investidura e eu tive o privilégio de testemunhar seu selamento, após o que fui selado a eles”.54

    Cerca de três anos depois, os laços eternos da família do Presidente Hunter ficaram completos quando Dorothy foi selada aos pais no recém-dedicado Templo de Los Angeles Califórnia.

    Como presidente de estaca, Howard liderou com amor. Certa irmã que servia em um chamado da estaca disse: “Cada um se sentia valorizado, querido, necessário. (…) Ele fazia as pessoas se sentirem responsáveis quando recebiam um chamado, mas, se alguém precisasse de sua opinião ou seu conselho, ele sempre estava lá. Sabíamos ter seu total apoio e interesse”.55 Um de seus conselheiros observou: “Ele elogiava as pessoas por suas realizações e ajudava-as a alcançar suas mais altas expectativas”.56 Uma irmã, membro da estaca, que declarou ter sido o Presidente Hunter o professor que mais a influenciou, esclareceu: “Esse homem amava as pessoas ao colocá-las em alta prioridade, ao ouvi-las, entendê-las e ao compartilhar com elas suas experiências pessoais”.57

    No segundo semestre de 1959, Howard W. Hunter havia presidido a Estaca Pasadena por mais de nove anos, prestando um serviço que abençoou a vida de milhares de santos dos últimos dias no sul da Califórnia. Seu ministério estava prestes a se expandir para abençoar a vida dos membros da Igreja no mundo todo.

    Quórum dos Doze

    “Prestarás testemunho de meu nome, (…) e enviarás minha palavra aos confins da Terra” (D&C 112:4).

    Em 9 de outubro de 1959, entre as sessões da conferência geral em Salt Lake City, Howard soube que o Presidente David O. McKay queria falar com ele. Foi, então, imediatamente até o Edifício Administrativo da Igreja, onde o Presidente McKay o recebeu calorosamente e disse: “Presidente Hunter, (…) o Senhor falou. Você está sendo chamado para ser uma de Suas testemunhas especiais, e amanhã você será apoiado membro do Conselho dos Doze”.58 Quanto a essa experiência, Howard escreveu:

    “Não há palavras para expressar o sentimento que tomou conta de mim. Meus olhos se encheram de lágrimas e não conseguia falar. Nunca havia me sentido tão completamente humilde quanto naquele momento, na presença desse homem grandioso, manso, bondoso — o profeta do Senhor. Ele me falou sobre a imensa alegria que isso traria a minha vida e a maravilhosa convivência que passaria a ter com as autoridades gerais e que minha vida e meu tempo, a partir dali, seriam devotados como servo do Senhor e que eu passaria a pertencer à Igreja e ao mundo. (…) Pôs os braços em meus ombros e me assegurou que o Senhor me amaria e que eu teria toda confiança e apoio da Primeira Presidência e do Conselho dos Doze. (…) Eu [lhe] disse que entregaria alegremente meu tempo, minha vida e tudo o que tinha para esse serviço”.59

    Assim que Howard saiu da sala do Presidente McKay, voltou para o quarto do hotel e ligou para Claire, que estava em Provo visitando o filho John, a nora e o bebê. Howard mal conseguia falar. Quando finalmente contou a Claire sobre seu chamado, ambos foram tomados pela emoção.

    No dia seguinte, na sessão da manhã de sábado da conferência geral, Howard William Hunter foi apoiado membro do Quórum dos Doze Apóstolos. “Senti (…) o peso do mundo sobre meus ombros”, comentou na ocasião. “À medida que a conferência prosseguia, senti muito desconforto, e me perguntava se em algum momento me convenceria de minha adequação àquele lugar.”60

    O Presidente McKay chamou o Élder Hunter para fazer um discurso na sessão da tarde de domingo da conferência. Depois de fazer um breve comentário sobre sua vida e prestar seu testemunho, disse:

    “Não me desculpo pelas lágrimas que choro nesta ocasião, pois sei que estou diante de amigos, meus irmãos e irmãs da Igreja, cujo coração bate da mesma forma que o meu hoje, entusiasmado pelo evangelho e pelo serviço ao próximo.

    Presidente McKay, (…) aceito, sem reservas, o chamado que me foi feito, e estou pronto a devotar minha vida e tudo o que tenho a esse serviço. A irmã Hunter se junta a mim nesse compromisso”.61

    O Élder Hunter foi ordenado apóstolo em 15 de outubro de 1959. Aos 51 anos, era o membro mais jovem dos Doze, cuja média etária na ocasião se aproximava dos 66 anos.

    Nos 18 meses seguintes, o Élder Hunter viajou várias vezes entre a Califórnia e Utah até completar os trabalhos necessários em sua prática jurídica e preparar-se para a mudança. Um de seus clientes disse que “a Igreja deve ter feito uma oferta muito atraente” para convencê-lo a abandonar a carreira tão bem-sucedida de advogado. Quanto a isso, o Élder Hunter escreveu em seu diário:

    “A maioria das pessoas não entende por que os membros de nossa religião atendem aos chamados para servir ou ao compromisso de doação total. (…) Desfrutei na plenitude a prática do Direito, mas esse chamado que me foi feito ofusca qualquer realização profissional ou ganho financeiro”.62

    O ministério apostólico do Élder Hunter se estendeu por mais de 35 anos, durante os quais ele viajou a quase todos os países do mundo a fim de cumprir seu encargo de testemunha especial de Jesus Cristo (ver D&C 107:23).

    Quórum dos Doze

    O Quórum dos Doze Apóstolos, 1965. Sentados, da esquerda para a direita: Ezra Taft Benson, Mark E. Petersen (no braço da poltrona), Joseph Fielding Smith (presidente do quórum) e LeGrand Richards. Em pé, da esquerda para a direita: Gordon B. Hinckley, Delbert L. Stapley, Thomas S. Monson, Spencer W. Kimball, Harold B. Lee, Marion G. Romney, Richard L. Evans e Howard W. Hunter.

    A Sociedade Genealógica de Utah

    “Apresentemos em seu templo santo (…) um livro contendo os registros de nossos mortos, que seja digno de toda aceitação” (D&C 128:24).

    Em 1964, a Primeira Presidência indicou o Élder Hunter para ser o presidente da Sociedade Genealógica da Igreja, que na época era conhecida como Sociedade Genealógica de Utah. Essa organização foi a precursora do Departamento de História da Família da Igreja. Seu propósito era coletar, preservar e compartilhar informações genealógicas pelo mundo inteiro. O Élder Hunter presidiu a sociedade por oito anos e, nesse período, supervisionou as mudanças que viriam a ter efeito duradouro no aceleramento, na qualidade e na expansão do trabalho de história da família.

    Até 1969, a organização havia reunido “mais de 670.000 rolos de microfilme, o que representava o equivalente a três milhões de volumes de 300 páginas cada um”. Também havia coletado “6 milhões de registros completos de grupos familiares, um índice de arquivo de fichas de 36 milhões de pessoas e uma coleção de livros de mais de 90 mil volumes”.63 Por semana, cerca de mil rolos de microfilme eram acrescentados, provenientes de todas as partes do mundo. O trabalho de processar esses registros e disponibilizá-los — tanto para pesquisas como para o trabalho no templo — era uma tarefa enorme. Sob a liderança do Élder Hunter, a Sociedade Genealógica passou a usar as mais recentes tecnologias da informática para auxiliar o trabalho. Certo escritor observou que a sociedade se tornara “famosa mundialmente entre as organizações profissionais por suas atividades progressistas na manutenção de registros”.64

    O Élder Hunter foi desobrigado como presidente da Sociedade Genealógica em 1972. Para resumir os efeitos de seu trabalho, o Élder Richard G. Scott disse: “Ele dedicou uma parte significativa de sua vida a esse trabalho e lançou o alicerce e a direção dos quais a Igreja ainda está colhendo os benefícios”.65

    O Centro Cultural Polinésio

    “Escutai, ó povos distantes e vós, que estais nas ilhas do mar, escutai juntamente” (D&C 1:1).

    Em 1965, a Primeira Presidência indicou o Élder Hunter para ser o presidente e diretor da junta do Centro Cultural Polinésio em Laie, Havaí. Na época, o centro estivera aberto por apenas 15 meses e enfrentava muitas dificuldades. A frequência de turistas era baixa e as pessoas tinham pontos de vista diferentes sobre os objetivos e os programas do centro. Uma semana depois de o Élder Hunter ser indicado, ele foi a Laie e deu início a um estudo criterioso dos pontos fortes e das necessidades do centro.

    Sob a liderança do Élder Hunter, o Centro Cultural Polinésio tornou-se uma das atrações turísticas mais populares no Havaí, atraindo quase um milhão de visitantes em 1971. O Élder Hunter também supervisionou uma grande expansão do centro e de seus programas. Também foi importante, nas palavras do Élder Hunter, que o centro tenha oferecido empregos que permitiram a “milhares de estudantes do Pacífico Sul [serem] assistidos no tocante a sua educação, já que a maioria desses jovens não teria a possibilidade de sair das ilhas para fazer um curso superior [de outra forma]”.66

    Depois de presidir o Centro Cultural Polinésio por 12 anos, o Élder Hunter foi desobrigado em 1976. Seu serviço como presidente ajudou a cumprir as palavras do Presidente David O. McKay, que disse, em 1955, que o pequeno vilarejo de Laie tinha potencial de tornar-se “um agente missionário, influenciando não milhares nem dezenas de milhares, mas, sim, milhões de pessoas, que buscariam conhecer essa cidade e saber seu significado”.67

    Historiador da Igreja

    “É dever do secretário do Senhor, a quem ele designou, conservar uma história e um registro geral da igreja de todas as coisas que ocorrem em Sião” (D&C 85:1).

    Com o falecimento do Presidente David O. McKay, em janeiro de 1970, Joseph Fielding Smith foi designado o novo presidente da Igreja. Joseph Fielding Smith servira como Historiador da Igreja nos últimos 49 anos e, quando se tornou Presidente da Igreja, o Élder Hunter foi chamado para sucedê-lo nessa atribuição. “O Presidente Smith fora o Historiador da Igreja por tantos anos que era difícil, para mim, imaginar-me ocupando esse cargo”, comentou.68

    O Élder Hunter cuidou dessa nova responsabilidade com o zelo de costume. “A atribuição feita pelo Senhor por meio de revelação é extremamente desafiadora — tanto para cumprir a tarefa de coletar e escrever como disponibilizar o material para uso dos membros da Igreja”, disse ele.69 O periódico Church News afirmou que o Historiador da Igreja era “responsável pela manutenção de todos os registros da Igreja, inclusive atas, registros do templo, ordenanças, bênçãos patriarcais e (…) uma compilação atualizada da história da Igreja”.70

    Em 1972, os membros dos Doze tinham sido aliviados de alguns pesados deveres administrativos e, assim, podiam dedicar mais tempo para seu ministério apostólico. Como parte dessa mudança, o Élder Hunter foi desobrigado como Historiador da Igreja, mas continuou com o papel de consultor no Departamento de História da Igreja. “Isso me deixará em uma posição de direção, mas distante da função operacional”, escreveu.71 Ele continuou no papel de consultor até 1978.

    BYU, Jerusalém

    Centro de Estudos para o Oriente Médio da Universidade Brigham Young

    Serviço na Terra Santa

    Howard W. Hunter desenvolveu um amor especial pela Terra Santa quando viajou para lá com sua família em 1958 e 1960. Enquanto serviu como apóstolo, voltou mais de 20 vezes ao local. “Seu desejo de estar onde o Salvador andou e ensinou parecia insaciável”, disse o Élder James E. Faust, do Quórum dos Doze Apóstolos.72

    Muito ciente dos conflitos na região, o Élder Hunter levava uma mensagem de amor e de paz. “Tanto judeus como árabes são filhos de nosso Pai”, dizia. “Ambos são filhos da promessa; e, como Igreja, não tomamos partido. Temos amor e interesse por ambos. O propósito do evangelho de Jesus Cristo é gerar amor, união e irmandade da mais alta ordem.”73

    Entre 1972 e 1989, o Élder Hunter cumpriu atribuições essenciais para dois projetos especiais em Jerusalém: o Jardim Memorial Orson Hyde e o Centro de Estudos para o Oriente Médio da Universidade Brigham Young. No começo da história da Igreja, em 1841, o Élder Orson Hyde, do Quórum dos Doze, ofereceu uma oração dedicatória no Monte das Oliveiras, a leste de Jerusalém. Em 1972, a Primeira Presidência pediu ao Élder Hunter que passasse a procurar possíveis locais para a construção de um memorial a Orson Hyde em Jerusalém. Em 1975, a cidade de Jerusalém abriu caminho para o que acabou se tornando o Jardim Memorial Orson Hyde, construído no Monte das Oliveiras.

    Nos poucos anos que se seguiram, o Élder Hunter viajou a Jerusalém muitas vezes para negociar os contratos para o memorial e supervisionar seu planejamento e sua construção. O projeto ficou pronto em 1979 e foi dedicado naquele ano pelo Presidente Spencer W. Kimball. Depois de dirigir os serviços dedicatórios, o Élder Hunter expressou sua crença de que o memorial “exerceria uma grande influência para o bem por transmitir uma imagem favorável da Igreja”.74

    Mesmo antes do término do Jardim Memorial Orson Hyde, o Élder Hunter estivera procurando um local onde a Igreja pudesse construir um centro de estudos da BYU para estudantes de fora dos EUA. O centro também abrigaria um local de reunião para os membros do Ramo Jerusalém. A supervisão desse projeto viria a ser uma das atribuições mais complexas e sensíveis do ministério do Élder Hunter.

    Os líderes da Igreja escolheram o local, mas a obtenção da licença para o arrendamento da terra e a aprovação do planejamento exigiu quase cinco anos do que o Élder Hunter descreveu como “trabalho interminável”.75 Depois de extensos debates e negociações, o governo israelita permitiu que a construção do centro tivesse seguimento.

    Em maio de 1988, a construção estava quase concluída e o contrato de arrendamento pronto para ser assinado. Na ocasião, Howard W. Hunter servia como Presidente Interino do Quórum dos Doze. Tinha sido submetido a uma delicada cirurgia da coluna no ano anterior e não conseguia andar, mas, mesmo assim, voou até Jerusalém para assinar o contrato. Enquanto esteve lá, os alunos da BYU e os membros do Ramo Jerusalém fizeram uma pequena recepção para expressar sua gratidão. Um relato do ramo fala dessa cena pungente no início da recepção: “Ainda convalescendo da cirurgia da coluna, o Presidente Hunter chegou pela entrada principal em uma cadeira de rodas, conduzido pelo Presidente [Jeffrey R.] Holland, [da Universidade Brigham Young], enquanto o coro os recebia cantando ‘The Holy City’ [A Cidade Santa]”.76 Lágrimas corriam pelo rosto do Presidente Hunter.

    Em maio de 1989, o Presidente Hunter voltou a Jerusalém para dedicar o centro de estudos. Essa cerimônia dedicatória foi o ponto culminante de uma década de esforços extraordinários — dele e de outros — para tornar realidade o sonho do Centro de Jerusalém. “O Presidente Howard W. Hunter (…) esteve continuamente envolvido, foi o atalaia na torre, supervisionando esse projeto desde a época em que era nada além de um sonho”, disse o Élder Jeffrey R. Holland.77 Na oração dedicatória, o Presidente Hunter disse:

    “Este edifício (…) foi construído para receber aqueles que Te amam, que buscam aprender de Ti e seguir os passos de Teu Filho, nosso Salvador e Redentor. É belo sob todos os aspectos, exemplificando a beleza daquilo que representa. Ó Pai, nós Te agradecemos pelo privilégio de edificar esta casa a Ti, para o benefício e o aprendizado de Teus filhos e filhas”.78

    O Presidente Hunter na cadeira de rodas

    O Presidente Hunter no Centro de Estudos para o Oriente Médio da Universidade Brigham Young, antes da cerimônia de dedicação

    A Expansão da Igreja

    “Sião deve crescer em beleza e em santidade; suas fronteiras devem ser expandidas; suas estacas devem ser fortalecidas” (D&C 82:14).

    Quando Howard W. Hunter foi chamado apóstolo em 1959, havia aproximadamente 1,6 milhão de membros da Igreja. Nas décadas seguintes, ele desempenhou um papel essencial no crescimento sem precedentes da Igreja no mundo. Por centenas de finais de semana, ele viajou para as estacas a fim de fortalecer os membros e chamar novos líderes. Ele também se reuniu com líderes governamentais de muitos países, ajudando a abrir as portas para o trabalho missionário.

    Em 1975, o número de membros da Igreja havia crescido para cerca de 3,4 milhões, e crescia rapidamente em especial na América Latina. Mais tarde naquele ano, o Élder Hunter e o Élder J. Thomas Fyans, Assistente dos Doze, foram designados para dividir cinco estacas na Cidade do México. Depois de reunir-se com os líderes na área e examinar as informações dos presidentes de estaca, o Élder Hunter dirigiu a organização de 15 estacas a partir daquelas 5 estacas — tudo em um só final de semana.79 Com seu típico entendimento, ele escreveu: “Duvido que já tenha havido uma organização em massa como esta na Igreja; estávamos exaustos quando fomos para casa”.80

    Claire e Howard Hunter

    Howard e Claire Hunter

    Claire, Companheira Dedicada

    “Minha mulher tem sido uma companheira doce e amorosa”, disse o Élder Hunter quando foi chamado para o Quórum dos Doze em 1959.81 Por muitos anos, Claire sempre acompanhava o Élder Hunter em suas viagens como apóstolo. O Presidente Thomas S. Monson relembra uma ocasião em que ele observou Claire demonstrando seu amor pelas crianças de Tonga: “Ela pegava essas criancinhas no colo e sentava uma em cada joelho enquanto conversava com elas (…) e depois explicava às professoras da Primária como elas eram abençoadas e privilegiadas por terem a oportunidade de ensinar criancinhas tão preciosas. Ela sabia o valor que tem uma alma humana”.82

    Em uma entrevista realizada em 1974, o Élder Hunter disse a respeito de Claire: “Em todo o nosso tempo de casados, (…) ela sempre esteve ao meu lado, com amor, consideração e incentivo. (…) [Claire] tem sido um apoio maravilhoso”.83

    Na época dessa entrevista, Claire já começara a manifestar problemas graves de saúde. No início, sentia fortes dores de cabeça e ocasionais perdas de memória e desorientação. Depois, sofreu vários pequenos derrames que dificultaram a fala e o uso das mãos. Quando ela começou a precisar de cuidados constantes, o Élder Hunter estava decidido a fazer tudo o que pudesse [para cuidar dela] e, ao mesmo tempo, cumprir suas responsabilidades como membro do Quórum dos Doze. Ele contratou alguém para ficar com Claire durante o dia, mas ele mesmo cuidava dela à noite. O próprio Élder Hunter enfrentou alguns problemas de saúde durante esse período, inclusive um ataque cardíaco, em 1980.

    Claire sofreu uma hemorragia cerebral em 1981 e outra em 1982. A segunda deixou-a tão incapacitada que os médicos insistiram que ela fosse colocada em um centro de saúde para receber a atenção médica devida. Ela permaneceu no centro de saúde durante os últimos 18 meses de vida. Nesse período, o Presidente Hunter visitou-a pelo menos uma vez por dia, exceto durante as viagens por atribuições da Igreja. Embora Claire não o reconhecesse na maioria das visitas, ele continuou a expressar-lhe seu amor e assegurar-se de que ela estava sendo bem tratada. Um dos netos disse: “Ele sempre tinha pressa para ir vê-la, para estar ao lado dela, para cuidar dela”.84 Recordando o carinho do pai pela mãe, Richard Hunter escreveu:

    “Minha mãe recebeu o melhor cuidado possível nos anos de declínio [de sua saúde] porque papai tomou conta dela. Todos na família assistiam com grande admiração e respeito quando ele assumia o papel de cuidador. (…) Lembro-me do peso que ele sentiu quando o médico o alertou para o fato de que poderia ser a pior coisa para ela se ficasse em casa e não fosse levada para um local onde pudesse receber cuidados profissionais. Se ela permanecesse em casa, ele provavelmente morreria tentando cuidar dela, devido à própria limitação física e ela acabaria ficando sozinha, sem ninguém para cuidar dela. A devoção dele para com ela é uma das coisas que sempre será lembrada com carinho por nossa família”.85

    Claire faleceu em 9 de outubro de 1983. Após observar o carinho do Élder Hunter durante o sofrimento de Claire em mais de 10 anos de enfermidade, o Élder James E. Faust disse: “[A] ternura que se evidenciava em sua comunicação era comovente, tocante. Nunca tinha visto um exemplo assim de devoção de um marido por sua mulher”.86

    Presidente do Quórum dos Doze

    O Presidente Spencer W. Kimball faleceu em novembro de 1985, e Ezra Taft Benson o sucedeu como Presidente da Igreja. Marion G. Romney tornou-se Presidente do Quórum dos Doze por ser o membro mais antigo do quórum. Devido à saúde debilitada do Presidente Romney, o Élder Hunter, o segundo mais antigo, foi designado Presidente Interino dos Doze. Tornou-se Presidente dos Doze em junho de 1988, cerca de duas semanas depois da morte do Presidente Romney.

    O Presidente Hunter serviu como Presidente Interino e Presidente do Quórum dos Doze por oito anos e meio. Nesse período, o ministério dos Doze no mundo continuou a se expandir à medida que a Igreja crescia de 5,9 milhões para 8,7 milhões, com alas e ramos em 149 nações e territórios. “É um momento empolgante na história da Igreja”, disse o Presidente Hunter em 1988. “Hoje, só caminhar não é suficiente. Precisamos correr, empenhar-nos ao máximo para acompanhar e fazer avançar a obra.”87 Ao cumprir a responsabilidade de prestar testemunho de Jesus Cristo e edificar a Igreja no mundo, o Presidente Hunter liderou pelo exemplo. Viajou pelos Estados Unidos de ponta a ponta, além de visitar mais de 25 outros países durante seu serviço como Presidente dos Doze.

    O Presidente Hunter prosseguiu com firmeza apesar dos muitos problemas de saúde. Em 1986, submeteu-se a uma cirurgia de coração aberto e, em 1987, a uma cirurgia da coluna. Embora a coluna tenha-se curado, ficou impossibilitado de andar devido a um nervo danificado e outras complicações. Em outubro daquele ano, estava em uma cadeira de rodas quando discursou na conferência geral. “Desculpem-me por permanecer sentado ao fazer meu discurso”, começou dizendo. “Não é por minha opção que lhes falo em uma cadeira de rodas. Vi que todos estão desfrutando da conferência confortavelmente sentados; então, decidi seguir o exemplo de vocês.”88

    Firmemente decidido a recuperar o uso das pernas, o Presidente Hunter deu início a um extenuante programa de fisioterapia. Na conferência geral seguinte, em abril de 1988, caminhou lentamente até o púlpito com a ajuda de um andador. Em dezembro, usou um andador para ir à reunião semanal da Primeira Presidência e dos Doze, no templo, a primeira vez, em mais de um ano, em que não usou uma cadeira de rodas. “Quando entrei na sala do conselho, as autoridades gerais se levantaram e aplaudiram”, recorda. “Foi a primeira vez que ouvi aplausos dentro do templo. (…) A maioria dos médicos me disse que eu não poderia mais me levantar ou andar, mas eles não levaram em conta o poder da oração.”89

    Inis e Howard Hunter

    Howard e Inis Hunter

    Em abril de 1990, no encerramento de uma reunião do Quórum dos Doze, o Presidente Hunter perguntou: “Algum de vocês tem algo a dizer que não esteja na agenda?” Como ninguém se manifestou, ele anunciou: “Bem, então, (…) se ninguém tem mais nada a dizer, pensei em avisar vocês que vou-me casar esta tarde”. Um dos membros dos Doze disse que o anúncio foi tão surpreendente que “todos ficaram em dúvida quanto a se tinham ouvido direito”. O Presidente Hunter explicou às autoridades gerais: “Inis Stanton é uma velha conhecida da Califórnia. Eu a tenho visitado há algum tempo e decidi me casar”.90 Inis era membro da Ala El Sereno quando o Presidente Hunter foi bispo. Seus caminhos se cruzaram novamente quando Inis mudou-se para Utah e trabalhou como recepcionista no Edifício Administrativo da Igreja. Eles se casaram no Templo de Salt Lake em 12 de abril de 1990, e o Presidente Gordon B. Hinckley realizou a cerimônia.

    Tinham-se passado sete anos desde o falecimento de Claire. Inis foi uma grande fonte de consolo e forças para o Presidente Hunter enquanto ele serviu como Presidente do Quórum dos Doze e como Presidente da Igreja. Ela o acompanhava na maioria das viagens para reunir-se com os santos no mundo todo.

    Em 7 de fevereiro de 1993, o Presidente Hunter foi à Universidade Brigham Young para discursar em um serão ao qual compareceram 17 mil pessoas. Ele mal começara a discursar, quando um homem galgou rapidamente o local do púlpito, levando uma valise em uma das mãos e um objeto negro na outra. “Pare agora mesmo!” gritou o homem. Ele ameaçou detonar o que dizia ser uma bomba, a menos que o Presidente Hunter lesse a declaração que trouxera. O Presidente Hunter se recusou a fazê-lo e permaneceu resolutamente ao púlpito durante todo o tempo em que o homem o ameaçava. À medida que a comoção se espalhava pelo edifício, a audiência começou a cantar “Graças Damos, Ó Deus, por um Profeta”. Depois de alguns minutos de suspense, dois seguranças imobilizaram o homem e o Presidente Hunter foi retirado do púlpito para sua proteção. Quando a ordem foi restabelecida, ele continuou o discurso depois de um breve descanso. “A vida nos apresenta inúmeros desafios”, recomeçou, logo acrescentando: “como acabamos de ver aqui”.91

    Nos 20 anos anteriores, o Presidente Hunter vivenciou inúmeras provações, inclusive o declínio da saúde de Claire e seu falecimento e múltiplas hospitalizações devido aos próprios problemas de saúde, além das dores lancinantes e da limitação física. Seus ensinamentos durante esses anos sempre se centralizavam na adversidade e em prestar testemunho do Salvador Jesus Cristo como a fonte da paz e da ajuda nos momentos difíceis. Em um dos discursos, ele ensinou:

    “Os profetas e os apóstolos da Igreja enfrentaram (…) dificuldades pessoais. Reconheço ter enfrentado algumas, e vocês sem dúvida enfrentarão outras hoje e no futuro. Quando essas experiências nos humilham, e nos refinam, e nos ensinam, e nos abençoam, elas podem ser instrumentos eficazes nas mãos de Deus para tornar-nos pessoas melhores, tornar-nos mais gratos, mais cheios de amor e mais atenciosos com as outras pessoas em seus momentos de dificuldade”.92

    Tais ensinamentos foram como um abraço amoroso a todos os que estavam sofrendo. As palavras inspiradas do Presidente Howard W. Hunter incentivaram muitos irmãos a se voltarem para o Salvador, assim como ocorreu com ele.

    Presidente da Igreja

    “O Presidente Hunter é um dos homens mais amorosos e cristãos que já conhecemos. Sua profundidade espiritual é tão grande que se tornou imensurável. Por ter vivido sob a influência orientadora do Senhor Jesus Cristo, como Sua testemunha especial por tantos anos, a espiritualidade do Presidente Hunter aguçou-se de maneira notável. É o manancial de todo o seu ser” (James E. Faust).93

    Em 30 de maio de 1994, depois de uma extensa enfermidade, o Presidente Ezra Taft Benson faleceu. Seis dias depois, o Quórum dos Doze Apóstolos reuniu-se no Templo de Salt Lake para reorganizar a Primeira Presidência. Por ser o apóstolo mais antigo, Howard W. Hunter foi designado Presidente da Igreja. Ele chamou Gordon B. Hinckley e Thomas S. Monson, que serviam como conselheiros do Presidente Benson, para serem seus conselheiros.

    Presidentes Hunter, Hinckley e Monson

    O Presidente Hunter com seus conselheiros na Primeira Presidência: O Presidente Gordon B. Hinckley (à esquerda) e o Presidente Thomas S. Monson (à direita)

    Durante uma entrevista coletiva no dia seguinte, o Presidente Hunter fez seu primeiro pronunciamento como Presidente da Igreja. “Nosso coração se enterneceu muito com a morte de nosso amigo e irmão Ezra Taft Benson”, declarou. “Senti sua perda de maneira especialmente pessoal, tendo em vista a nova responsabilidade que me coube desde seu falecimento. Chorei muito e procurei o Pai Celestial em sincera oração, desejando estar à altura deste grande e santo chamado.

    Nestes últimos meses, dias e horas, tenho sido fortalecido pelo meu firme testemunho de que esta obra é de Deus, e não dos homens; que Jesus Cristo é o Cabeça vivo e autorizado desta Igreja; que Ele a dirige tanto por palavras como por ações. Ofereço minha vida, minhas forças e toda a minha alma para servi-Lo.”94

    Depois de expressar seu amor, o Presidente Hunter fez dois convites aos membros da Igreja. O primeiro, para que seguissem mais diligentemente o exemplo de Jesus Cristo; e o segundo, para que participassem mais plenamente das bênçãos do templo (ver páginas 1–3). Ele também convidou aqueles que estavam magoados, que lutavam com algum problema ou que estavam temerosos que “voltassem e [os] deixassem ficar a seu lado e consolá-los”.95

    A despeito da saúde fragilizada, o Presidente Hunter estava determinado a fazer tudo o que pudesse para reunir-se com os santos e fortalecê-los. Duas semanas depois de tornar-se Presidente, proferiu seu primeiro grande discurso ao dirigir-se aos novos presidentes de missão e, depois, a mais de 2.200 missionários. Mais tarde, naquele mesmo mês, visitou Carthage e Nauvoo, Illinois, para celebrar o sesquicentenário do martírio de Joseph e Hyrum Smith. “Aonde quer que fôssemos, formava-se uma multidão em torno dele”, disse o Presidente Gordon B. Hinckley. “Eram milhares de apertos de mão, com um sorriso especial às crianças que o rodeavam para olhá-lo nos olhos e segurar sua mão.”96

    Em 1º de outubro de 1994, na sessão da manhã de sábado da conferência geral, os membros da Igreja apoiaram formalmente Howard W. Hunter como Presidente de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e como profeta, vidente e revelador. Em seu discurso de abertura, o Presidente Hunter repetiu os convites aos membros da Igreja, de seguirem o exemplo do Salvador e de “fazerem do templo do Senhor o grande símbolo de sua condição de membro”.97 Ele enfatizou novamente a importância dos templos na semana seguinte, ao viajar para a Flórida para dedicar o Templo de Orlando Flórida. “O plano do evangelho, revelado pelo Senhor, não se completa sem um templo”, ensinou, “pois é em seu interior que são administradas as ordenanças necessárias para Seu plano de vida e de salvação”.98

    Em novembro, o Presidente Hunter foi o orador em uma transmissão via satélite em comemoração ao 100º aniversário da Sociedade Genealógica, evento que teve um significado muito especial para ele, já que presidiu a organização de 1964 a 1972. “Olho para trás para admirar a tapeçaria formada pelo Senhor no desenvolvimento do trabalho do templo e de história da família”, disse ele. Depois declarou: “Tenho uma mensagem extremamente importante [a transmitir]: Precisamos acelerar esse trabalho”.99

    O Presidente Hunter continuou a trabalhar vigorosamente até o final do ano. No Devocional de Natal da Primeira Presidência, ele prestou testemunho do Salvador e enfatizou novamente a importância de seguirmos Seu exemplo:

    “O Salvador dedicou Sua vida para abençoar outras pessoas. (…) Jamais [Ele] dava esperando retribuição. Ao doar, fazia-o liberal e amorosamente e Suas dádivas eram de valor inestimável. Deu visão ao cego, ouvido ao surdo, pernas sãs ao coxo, pureza ao impuro, saúde ao enfermo e fôlego ao morto. Suas dádivas eram oportunidade ao desalentado, liberdade ao oprimido, perdão ao penitente, esperança ao desesperado e luz nas trevas. Ele nos deu Seu amor, Seu serviço, Sua vida. E o mais importante, Ele nos deu — a todos os mortais — ressurreição, salvação e vida eterna.

    Devemos procurar, com empenho, dar como Ele dava. Dar a si próprio é uma dádiva sagrada. Damos [a nós mesmos] como lembrança de tudo o que o Salvador deu”.100

    Como parte de seu discurso, ele também adaptou uma mensagem anteriormente publicada em uma revista do mesmo ano em que foi chamado como apóstolo:

    “Neste Natal, amenizem uma briga. Procurem um amigo esquecido. Ponham de lado a suspeita, substituindo-a pela confiança. Escrevam uma carta. Deem uma resposta branda. Incentivem os jovens. Manifestem sua lealdade em palavras e atos. Cumpram uma promessa. Abandonem um rancor. Perdoem um inimigo. Desculpem-se. Tentem entender. Avaliem suas exigências em relação aos outros. Pensem antes na outra pessoa. Sejam bondosos. Sejam gentis. Riam um pouco mais. Expressem sua gratidão. Deem boas-vindas a um estranho. Alegrem o coração de uma criança. Sintam satisfação pela beleza e pelas maravilhas da Terra. Expressem seu amor e, depois, tornem a expressá-lo”.101

    Na semana seguinte, o Presidente Hunter viajou à Cidade do México para organizar a estaca de número 2.000 da Igreja. Dezenove anos antes, na Cidade do México, ele havia dirigido a organização de 15 estacas a partir de 5, em um só final de semana. O Presidente Gordon B. Hinckley descreveu a criação da estaca de número 2.000 como “um marco significativo na história da Igreja”.102

    Certa noite, em um desses meses, o filho do Presidente Hunter, Richard, estava no Edifício Memorial Joseph Smith e viu que uma das recepcionistas usava cadeira de rodas. “Percebi que aquilo era novidade para ela”, disse. “Fui conversar com ela e disse-lhe que meu pai usava uma cadeira de rodas como a dela. Ela me disse que o profeta de sua Igreja também usava uma cadeira de rodas como a dela. Disse que, se ele conseguia, ela provavelmente também conseguiria. Isso lhe deu esperança. Acho que o papai era amado por muitas pessoas. Talvez uma das razões seja que eles conseguiam vê-lo sofrer assim como eles sofriam, e o fato de ele ter sobrepujado seu fardo de sofrimento deu-lhes esperança.”103

    Para começar o ano de 1995, o Presidente Hunter dedicou o Templo de Bountiful Utah. Ele presidiu mais de seis sessões dedicatórias antes de ficar tão extenuado que teve de ser levado para o hospital. Depois de ter alta, alguns dias depois, a Igreja fez um comunicado ao público dizendo que ele tinha câncer de próstata e que a doença se espalhara para os ossos. O Presidente Hunter não fez nenhuma outra aparição pública nas últimas seis semanas de vida embora tenha continuado a reunir-se com seus conselheiros e dirigido os assuntos da Igreja em sua residência. “Sou grato por ele ter tido a oportunidade de dedicar [aquele templo]”, disse o Presidente Gordon B. Hinckley, “especialmente em vista do apelo que ele fez anteriormente aos membros da Igreja para que ‘[fizessem] do templo do Senhor o grande símbolo de sua condição de membro’”.104

    O Presidente Howard W. Hunter faleceu em 3 de março de 1995, aos 87 anos de idade. Suas últimas palavras, pronunciadas com uma voz “muito calma e doce” aos que estavam ao redor do seu leito, foram, simplesmente: “Thank you” [Obrigado].105 Embora tenha sido Presidente da Igreja por apenas nove meses, sua influência foi enorme. “Os membros da Igreja no mundo inteiro sentiam-se ligados a ele, de um modo muito especial, como seu profeta, vidente e revelador”, disse o Élder James E. Faust. “Viam nele a personificação dos atributos do próprio Salvador. Responderam de maneira admirável às mensagens proféticas que ele lhes deixou, de tornar sua vida mais cristã e de fazer do templo o centro de sua adoração.”106

    Durante o funeral do Presidente Hunter, o Presidente Gordon B. Hinckley disse em sua homenagem:

    “Uma árvore majestosa caiu, deixando o vazio em seu lugar. Uma força grandiosa e mansa partiu de nosso meio.

    Muito já se disse sobre seu sofrimento. Creio que durou mais e foi mais agudo e profundo do que qualquer de nós imagina. Ele desenvolveu grande tolerância à dor e não se queixava. É um milagre que tenha vivido tanto. Seu sofrimento consola e diminui a dor de muitos outros que sofrem. Eles sabem que o Presidente Hunter entendia o peso de seus fardos. A esses ele influenciou com um tipo particular de amor.

    Muito já se disse sobre sua bondade, sua solidariedade, sua cortesia para com os outros. Tudo é verdade. Ele se entregou completamente ao padrão do Senhor, a quem amava. Era um homem manso e compassivo. Mas sua voz também se erguia para manifestar opiniões fortes e sábias. (…)

    O irmão Hunter era bondoso e gentil. Mas também era vigoroso e persuasivo em suas afirmações. (…) Ele era advogado. Sabia como apresentar um assunto. Expunha as diversas premissas de modo muito organizado. Ele partia dessas premissas para as conclusões. Quando ele falava, todos nós ouvíamos. Suas sugestões quase sempre eram implementadas. Mas quando porventura não eram aceitas, era flexível e cessava suas argumentações. (…)

    Por 36 anos vestindo o manto do santo apostolado, sua voz vigorosa de líder proclamou os ensinamentos do evangelho de Jesus Cristo e levou adiante a obra da Igreja. Ele viajou por toda a Terra como um ministro verdadeiro e capaz a serviço do Mestre. (…)

    Howard W. Hunter, profeta, vidente e revelador, tinha um testemunho seguro e certo da viva realidade de Deus, nosso Pai Eterno. Expressou com grande convicção seu testemunho da divindade do Senhor Jesus Cristo, o Redentor da humanidade. Com amor, falava do Profeta Joseph Smith e de todos os que o sucederam na linha de sucessão, até o tempo do próprio Presidente Hunter. (…)

    Que Deus abençoe sua memória para o nosso grande benefício”.107

    Notas

    1. Jay M. Todd, “President Howard W. Hunter: Fourteenth President of the Church” [Presidente Howard W. Hunter, Décimo Quarto Presidente da Igreja], Ensign, julho de 1994, p. 4.

    2. Howard W. Hunter, “Fear Not, Little Flock” [Não Temais, Pequeno Rebanho], discurso proferido na Universidade Brigham Young, 14 de março de 1989, p. 2; speeches.byu.edu.

    3. Todd, “President Howard W. Hunter”, p. 5.

    4. J M. Heslop, “He Found Pleasure in Work” [Ele Sentia Prazer em Trabalhar], Church News, 16 de novembro de 1974, p. 4.

    5. Heslop, “He Found Pleasure in Work”, pp. 4, 12.

    6. Heslop, “He Found Pleasure in Work”, p. 4.

    7. Kellene Ricks, “De um Amigo para Outro: De uma entrevista com Howard W. Hunter, Presidente do Quórum dos Doze Apóstolos”, O Amigo, abril de 1990, p. 12.

    8. Gerry Avant, “Elder Hunter—Packed Away Musician’s Career for Marriage” [Élder Hunter — Deixa a Carreira Musical para Casar-se], Church News, 19 de maio de 1985, p. 4.

    9. Ricks, “Friend to Friend”, p. 6.

    10. Heslop, “He Found Pleasure in Work”, p. 4.

    11. Ricks, “Friend to Friend”, p. 6.

    12. Avant, “Elder Hunter”, p. 4.

    13. Ver “Eagle Scout Qualifies” [O Eagle Scout Qualifica], Idaho Statesman, 12 de maio de 1923; citado em Eleanor Knowles, Howard W. Hunter, 1994, p. 41.

    14. Don L. Searle, “Presidente Howard W. Hunter: Presidente em Exercício do Quórum dos Doze Apóstolos”, A Liahona, abril de 1987, p. 19.

    15. James E. Faust, “O Caminho da Águia”, A Liahona, setembro de 1994, p. 2.

    16. Knowles, Howard W. Hunter, p. 22.

    17. James E. Faust, “O Caminho da Águia”, p. 2.

    18. Knowles, Howard W. Hunter, p. 22.

    19. Relato histórico da Estaca Boise de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, 1924, p. 6, Biblioteca de História da Igreja, Salt Lake City.

    20. Knowles, Howard W. Hunter, p. 41.

    21. O Tabernáculo de Boise foi demolido em 1992 pelo Distrito Escolar de Boise, que o havia comprado da Igreja havia vários anos, ver “Preservationists Protest Demolition Work on Tabernacle in Boise” [Conservadoristas Protestam contra o Trabalho de Demolição do Tabernáculo em Boise], Deseret News, 9 de setembro de 1992, p. B3.

    22. Knowles, Howard W. Hunter, p. 55.

    23. Heslop, “He Found Pleasure in Work” [Ele Tinha Prazer em Trabalhar], p. 4; ver também Knowles, Howard W. Hunter, p. 57.

    24. Knowles, Howard W. Hunter, p. 64.

    25. Knowles, Howard W. Hunter, p. 65.

    26. Knowles, Howard W. Hunter, p. 71.

    27. Gerry Avant, “She Made Home a Happy Place” [Ela Fez do Lar um Lugar Feliz], Church News, 16 de novembro de 1974, p. 5.

    28. Knowles, Howard W. Hunter, pp. 79–80.

    29. Knowles, Howard W. Hunter, p. 81.

    30. Manuscrito não publicado de Richard A. Hunter. Este livro inclui algumas citações do filho do Presidente Hunter, Richard, porque ele estava disponível para contribuir com informações e ideias enquanto o livro estava sendo preparado. O outro filho do Presidente Hunter, John, havia falecido em 2007.

    31. Knowles, Howard W. Hunter, p. 87.

    32. Knowles, Howard W. Hunter, p. 88.

    33. Heslop, “He Found Pleasure in Work”, p. 4.

    34. Knowles, Howard W. Hunter, p. 91.

    35. Knowles, Howard W. Hunter, p. 90.

    36. Ver Knowles, Howard W. Hunter, p. 94.

    37. Heslop, “He Found Pleasure in Work”, p. 4.

    38. Knowles, Howard W. Hunter, p. 97.

    39. Knowles, Howard W. Hunter, p. 98.

    40. Knowles, Howard W. Hunter, p. 98.

    41. Ver Knowles, Howard W. Hunter, pp. 100–101.

    42. Charles C. Pulsipher, “My Most Influential Teacher” [O Professor Que Mais Me Influenciou], Church News, 10 de janeiro de 1981, p. 2.

    43. Manuscrito não publicado de Richard A. Hunter.

    44. Doyle L. Green, “Howard William Hunter: Apostle from California” [Howard William Hunter: Apóstolo da Califórnia], Improvement Era, janeiro de 1960, p. 37.

    45. Cree-L Kofford, em Knowles, Howard W. Hunter, p. 120.

    46. John S. Welch, em Knowles, Howard W. Hunter, p. 119.

    47. Knowles, Howard W. Hunter, p. 123.

    48. Knowles, Howard W. Hunter, p. 125.

    49. Knowles, Howard W. Hunter, p. 131.

    50. Manuscrito não publicado de Richard A. Hunter.

    51. Knowles, Howard W. Hunter, p. 127.

    52. Charles C. Pulsipher, “My Most Influential Teacher”, p. 2.

    53. Howard W. Hunter, “Welfare and the Relief Society” [O Bem-Estar e a Sociedade de Socorro], Relief Society Magazine, abril de 1962, p. 238.

    54. Knowles, Howard W. Hunter, p. 135. Em relação a seu avô, Richard A. Hunter escreveu: “Eu sempre o conheci como um membro fiel da Igreja. Sempre estava praticando uma boa ação. Podia ser chamado de ‘Sr. Mórmon’. Muitos vizinhos e membros da ala contam histórias das coisas bondosas e caridosas que ele fez. Era amado por toda a comunidade da Igreja” (manuscrito não publicado).

    55. Knowles, Howard W. Hunter, p. 137.

    56. Knowles, Howard W. Hunter, p. 139.

    57. Betty C. McEwan, “My Most Influential Teacher” [O Professor Que Mais Me Influenciou], Church News, 21 de junho de 1980, p. 2.

    58. Knowles, Howard W. Hunter, p. 144.

    59. Knowles, Howard W. Hunter, p. 144.

    60. Knowles, Howard W. Hunter, pp. 145–146.

    61. Conference Report, outubro de 1959, p. 121.

    62. Knowles, Howard W. Hunter, p. 151.

    63. Douglas D. Palmer, “The World Conference on Records” [Registros da Conferência Mundial], Improvement Era, julho de 1969, p. 7.

    64. Jay M. Todd, “Elder Howard W. Hunter, Church Historian” [Élder Howard W. Hunter, Historiador da Igreja], Improvement Era, abril de 1970, p. 27.

    65. Knowles, Howard W. Hunter, p. 194.

    66. Knowles, Howard W. Hunter, p. 208.

    67. Knowles, Howard W. Hunter, p. 205.

    68. Todd, “Elder Howard W. Hunter, Church Historian”, p. 27.

    69. Todd, “Elder Howard W. Hunter, Church Historian”, p. 27.

    70. “New Church Historian Called” [Novo Historiador da Igreja É Chamado], Church News, 14 de fevereiro de 1970, p. 3.

    71. Knowles, Howard W. Hunter, p. 197.

    72. James E. Faust, “Howard W. Hunter: Man of God” [Howard W. Hunter: Homem de Deus], Ensign, abril de 1995, p. 27.

    73. Howard W. Hunter, “All Are Alike unto God” [Todos Somos Iguais Diante de Deus], Ensign, junho de 1979, p. 74; ver também “Paz na Terra Santa”, A Liahona, dezembro de 1997, p. 22.

    74. Knowles, Howard W. Hunter, p. 215.

    75. Knowles, Howard W. Hunter, p. 218.

    76. Knowles, Howard W. Hunter, p. 222; abreviações explicadas.

    77. Gerry Avant, “He Wanted to Visit the Holy Land ‘Just One More Time’” [Ele Queria Visitar a Terra Santa “Só Mais Uma Vez”], Church News, 11 de março de 1995, p. 9.

    78. Francis M. Gibbons, Howard W. Hunter: Man of Thought and Independence, Prophet of God [Howard W. Hunter: Homem de Inteligência e Independência, Profeta de Deus], 2011, p. 119.

    79. Ver “Growth in Mexican Cities Explodes into 16 Stakes” [O Crescimento nas Cidades Mexicanas Explode em 16 Estacas], Church News, 22 de novembro de 1975, p. 3.

    80. Knowles, Howard W. Hunter, p. 202.

    81. Conference Report, outubro de 1959, p. 121.

    82. Knowles, Howard W. Hunter, pp. 168–169.

    83. Avant, “She Made Home a Happy Place”, p. 5.

    84. Searle, “President Howard W. Hunter”, p. 25.

    85. Manuscrito não publicado de Richard A. Hunter.

    86. James E. Faust, “President Howard W. Hunter: The Lord’s ‘Good and Faithful Servant’” [Presidente Howard W. Hunter: O “Servo Bom e Fiel” do Senhor], Ensign, abril de 1995, p. 15.

    87. Dell Van Orden, “Exciting Time in Church History” [Uma Época Empolgante na História da Igreja], Church News, 25 de junho de 1988, p. 6.

    88. Howard W. Hunter, “Portas Que Se Abrem — Portas Que Se Fecham”, A Liahona, janeiro de 1988, p. 57.

    89. Knowles, Howard W. Hunter, p. 284.

    90. Knowles, Howard W. Hunter, p. 291.

    91. Knowles, Howard W. Hunter, pp. 305–306.

    92. Howard W. Hunter, “An Anchor to the Souls of Men” [Uma Âncora para a Alma dos Homens], Ensign, outubro de 1993, p. 71.

    93. James E. Faust, “The Way of an Eagle”, p. 13.

    94. Todd, “President Howard W. Hunter”, p. 4.

    95. Todd, “President Howard W. Hunter”, p. 5; ver também Howard W. Hunter, “Grandíssimas e Preciosas Promessas”, A Liahona, janeiro de 1995, p. 8.

    96. Gordon B. Hinckley, “A Prophet Polished and Refined” [Um Profeta Educado e Refinado], Ensign, abril de 1995, p. 34.

    97. Howard W. Hunter, “Grandíssimas e Preciosas Promessas”, A Liahona, janeiro de 1995, p. 8.

    98. Gerry Avant, “Temple Is Dedicated in Sunshine State” [Um Templo É Dedicado no Estado do Raio de Sol], Church News, 15 de outubro de 1994, p. 3.

    99. Howard W. Hunter, “We Have a Work to Do”, Ensign, março de 1995, p. 64.

    100. Howard W. Hunter, “The Gifts of Christmas” [As Dádivas do Natal], Ensign, dezembro de 2002, pp. 18–19; ver também “Ensinaram-se e Ministraram-se Mutuamente”, A Liahona, julho de 1986, p. 71.

    101. Howard W. Hunter, “The Gifts of Christmas”, pp. 18–19; adaptado de “What We Think Christmas Is” [O Que Achamos Que É o Natal], McCall’s, dezembro de 1959, pp. 82–83.

    102. Gordon B. Hinckley, “A Prophet Polished and Refined”, p. 34.

    103. Manuscrito não publicado de Richard A. Hunter.

    104. Gordon B. Hinckley, “A Prophet Polished and Refined”, p. 34.

    105. Dell Van Orden, “14th President of the Church Dies at Age 87; He Touched Millions of Lives across the World” [Décimo Quarto Presidente da Igreja Morre aos 87 Anos; Ele Tocou Milhões de Vidas no Mundo Inteiro], Church News, 11 de março de 1995, p. 3.

    106. James E. Faust, “Howard W. Hunter: Man of God” [Howard W. Hunter: Homem de Deus], p. 26.

    107. Gordon B. Hinckley, “A Prophet Polished and Refined”, pp. 33–35.