Capítulo 3: A Adversidade — Parte do Plano de Deus para o Nosso Progresso Eterno
    Notas de rodapé

    Capítulo 3

    A Adversidade — Parte do Plano de Deus para o Nosso Progresso Eterno

    “Quando [as dificuldades da mortalidade] nos humilham, refinam, ensinam e abençoam, elas podem ser instrumentos eficazes nas mãos de Deus para tornar-nos pessoas melhores.”

    Da Vida de Howard W. Hunter

    Na conferência geral de abril de 1980, o Élder Howard W. Hunter, então membro do Quórum dos Doze Apóstolos, falou sobre como assistiu, em meio a uma multidão, às regatas em Samoa. “A multidão mostrava-se inquieta”, disse ele, “e a maioria dos olhos fitava o horizonte em busca do primeiro sinal dos [barcos]. Repentinamente, elevou-se o vozerio quando o povo vislumbrou os primeiros barcos à distância. Cada barco tinha uma equipe de 50 vigorosos remadores que, manejando os remos com harmonia e ritmo perfeitos, fazia a embarcação vencer as ondas e águas revoltas — um quadro magnífico.

    Logo, barcos e homens eram perfeitamente visíveis em disparada para a linha de chegada. Impelido pela força daqueles homens vigorosos, o peso do barco com 50 homens vencia uma poderosa força contrária: a resistência da água.

    Os aplausos e o alarido da multidão elevaram-se em um crescendo quando o primeiro barco cruzou a linha de chegada”.

    Concluída a regata, o Élder Hunter foi até o local onde os barcos atracaram e conversou com um dos remadores, que explicou que a proa dos barcos “é construída de modo a cortar e dividir a água para diminuir a resistência que retarda seu deslocamento. Explicou ainda que a pressão do remo contra a resistência da água é que gera a força que impele o barco para frente. A resistência cria tanto a oposição como o movimento para frente”.1

    O Élder Hunter usou a analogia da regata em Samoa para apresentar um discurso sobre os propósitos da adversidade. Durante seu ministério como apóstolo, ele falou muitas vezes sobre a adversidade, oferecendo conselho, esperança e incentivo. Falou de sua experiência pessoal, tendo lutado contra doenças graves e outras provações. Testificou com firme convicção que, em momentos de dificuldade, “Jesus Cristo tem o poder de aliviar nossa carga e tornar nosso fardo mais leve”.2

    Cristo junto ao poço de Betesda

    Em nossas provações, o Salvador faz a cada um de nós o mesmo convite que Ele fez ao enfermo no tanque de Betesda: “Queres ficar são?” (João 5:6.)

    Ensinamentos de Howard W. Hunter

    1

    A adversidade faz parte do plano de Deus para nossa felicidade eterna.

    Tenho observado que a vida — qualquer vida — está repleta de altos e baixos. De fato, encontramos muitas alegrias e muitos pesares no mundo, muitas mudanças de planos e novos rumos, numerosas bênçãos que nem sempre parecem nem sentimos serem bênçãos, e muita coisa que nos torna mais humildes e aumenta nossa paciência e nossa fé. Todos temos passado por experiências assim de tempos em tempos, e suponho que continuaremos a passar. (…)

    Certa ocasião, o Presidente Spencer W. Kimball, que tinha bastante conhecimento quanto a dores, decepções e condições fora de seu controle, escreveu:

    “Sendo humanos, gostaríamos de eliminar de nossa vida a dor física e a angústia mental, assegurando-nos contínuo bem-estar e conforto; mas, se fechássemos as portas ao pesar e ao sofrimento, estaríamos possivelmente excluindo também nossos maiores amigos e benfeitores. O sofrimento pode santificar as pessoas ao aprenderem a ter paciência, resignação e autodomínio” (Faith Precedes the Miracle [A Fé Precede o Milagre], 1972, p. 98).

    Nessa declaração, o Presidente Kimball refere-se a fechar as portas para certas experiências da vida. (…) Na vida, costumamos ver portas fechando-se e, às vezes, isso nos causa genuína dor e pesar. Eu porém, creio realmente que, para cada porta que se fecha, abre-se outra (e talvez mais de uma), com esperança e bênçãos em outras áreas de nossa vida que talvez não descobriríamos de outra maneira.

    (…) Há alguns anos, [o Presidente Marion G. Romney] disse que todos os homens e todas as mulheres, inclusive os mais fiéis e leais, sofreriam adversidade e aflição na vida porque, nas palavras de Joseph Smith: “Os homens terão que sofrer para poderem subir ao monte Sião e ser exaltados acima dos céus” (Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith, 2007, p. 240; ver Conference Report, outubro de 1969, p. 57).

    Dizia então o Presidente Romney:

    “Isso não quer dizer que ansiamos por sofrer. Evitamos o sofrimento sempre que podemos. Entretanto, todos nós sabemos agora, e sabíamos, quando escolhemos vir para a mortalidade, que aqui seríamos provados com a devida porção de adversidade e aflição. (…)

    [Ademais], o plano do Pai destinado a provar [e refinar] Seus filhos não isentou nem mesmo o próprio Salvador. O padecimento que Se dispôs a sofrer, e de fato sofreu, equivale ao sofrimento somado de todos os homens [e mulheres de toda parte. Tremendo e sangrando, e desejando recusar a amarga taça, Ele disse:] ‘Eu bebi e terminei meus preparativos para os filhos dos homens’ (D&C 19:18–19)” (Conference Report, outubro de 1969, p. 57).

    Todos nós precisamos terminar nossos “preparativos para os filhos dos homens” (D&C 19:19). As preparações de Cristo foram bastante diversas das nossas, mas todos temos preparações a fazer, portas para abrir. Essas importantes preparações exigem, muitas vezes, certa dose de dor, algumas mudanças inesperadas na senda da vida e certa submissão, “assim como uma criança se submete a seu pai” (Mosias 3:19). Terminar as preparações divinas e abrir portas celestiais poderá levar-nos — na verdade, sem dúvida nos levará — até as últimas horas de nossa vida mortal.3

    Viemos para a vida mortal para sofrer resistência. Ela faz parte do plano de Deus para nosso progresso eterno. Sem tentação, doença, dor e pesar, não haveria bondade, virtude, apreço pelo bem-estar ou alegria. (…) É preciso lembrar que a mesma resistência ou oposição que impede nosso progresso também nos proporciona oportunidades de vencê-la.4

    2

    Nossas tribulações mortais existem para nosso crescimento e nossa experiência.

    Quando [as dificuldades da mortalidade] nos humilham, refinam, ensinam e abençoam, elas podem ser instrumentos eficazes nas mãos de Deus para tornar-nos pessoas melhores, para tornar-nos mais gratos, mais cheios de amor e para termos mais consideração por outras pessoas durante as dificuldades que elas enfrentam.

    Sim, todos nós enfrentamos dificuldades, individual e coletivamente; porém, até nos períodos mais rigorosos, tanto no passado como no presente, esses problemas e essas profecias sempre tiveram como propósito abençoar os justos e ajudar os que são menos justos a trilhar o caminho do arrependimento. Porque Deus nos amou de tal maneira que “deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16).5

    Leí, o grande patriarca do Livro de Mórmon, encorajou seu filho Jacó, que nascera no deserto em uma época de dificuldades e oposição. A vida de Jacó não era o que ele esperava que fosse e não seguia o que poderia ter sido o curso ideal da experiência. Tinha sofrido aflições e reveses; mas Leí prometeu-lhe que essas aflições se reverteriam em seu benefício (ver 2 Néfi 2:2).

    Depois, Leí acrescentou estas palavras que se tornaram clássicas:

    “Porque é necessário que haja uma oposição em todas as coisas. Se assim não fosse, (…) não haveria retidão nem iniquidade nem santidade nem miséria nem bem nem mal” (2 Néfi 2:11).

    Essa explicação para certas dores e decepções da vida tem-me confortado grandemente no decorrer dos anos. E conforta-me mais ainda saber que homens e mulheres dos mais nobres, inclusive o Filho de Deus, tiveram de enfrentar essa oposição a fim de entender melhor o contraste entre retidão e iniquidade, santidade e miséria, bem e mal. Devido ao confinamento na escura e úmida Cadeia de Liberty, o Profeta Joseph Smith aprendeu que, se somos chamados a passar por tribulações, isso é para nosso crescimento e nossa experiência e, no final, reverterá para nosso bem (ver D&C 122:5–8).

    Fechando-se uma porta, outra se abre, mesmo para um profeta na prisão. Nem sempre temos sabedoria ou experiência suficiente para discernir adequadamente todas as possíveis entradas e saídas. A mansão preparada por Deus para cada um de Seus amados filhos poderá ter só algumas passagens e corrimões, tapetes e cortinas especiais pelos quais Ele quer que passemos em nosso caminho para possuí-la. (…)

    Em vários momentos de nossa vida, provavelmente repetidas vezes na vida, somos obrigados a reconhecer que Deus sabe o que nós não sabemos e vê o que nós não vemos. “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor” (Isaías 55:8).

    Se vocês experimentarem problemas em casa com filhos rebeldes, se sofrerem reveses financeiros e tensão emocional que ameaçam seu lar e sua felicidade, se tiverem de enfrentar a perda da vida ou da saúde, que a paz seja com sua alma. Nós não seremos tentados além de nossa capacidade de resistir (ver I Coríntios 10:13; Alma 13:28; 34:39). Nossas provações e decepções são o caminho reto e apertado que conduz ao Senhor.6

    Joseph Smith na prisão

    Enquanto Joseph Smith estava na Cadeia de Liberty, o Senhor revelou-lhe que a adversidade pode nos servir de experiência e ser para o nosso bem.

    3

    Temos muitos motivos para ser otimistas e confiantes mesmo durante as tribulações.

    Sempre houve e sempre haverá dificuldades na vida mortal. Mas, sabendo o que sabemos e vivendo como se espera que vivamos, não há realmente espaço nem desculpa para o pessimismo e o desespero.

    No decorrer desta vida, presenciei duas guerras mundiais, além da guerra da Coreia, do Vietnã e outras. Atravessei o período da Depressão e consegui frequentar a faculdade de Direito enquanto começava uma jovem família ao mesmo tempo. Vi mercados de ações e a economia mundial enlouquecerem; vi alguns déspotas e tiranos enlouquecerem, tudo isso gerando, no processo, ondas de turbulência no mundo inteiro.

    Espero que não acreditem que todos os problemas do mundo se concentraram em sua década, ou que as coisas nunca estiveram tão ruins como estão agora para você, pessoalmente, ou que nunca vão melhorar. Garanto-lhes que as coisas já estiveram piores e que elas sempre vão melhorar. Sempre melhoram, especialmente quando vivemos e amamos o evangelho de Jesus Cristo e o colocamos à prova para abençoar nossa vida. (…)

    Ao contrário do que alguns possam pensar, vocês têm muitas razões neste mundo para ser felizes, ser otimistas e ser confiantes. Desde o início dos tempos, cada geração teve seu quinhão de problemas a vencer e a resolver.7

    4

    Quando nos achegamos ao Salvador, Ele alivia nossa carga e torna nosso fardo mais leve.

    “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.

    Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.

    Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mateus 11:28–30). (…)

    Essa oferta maravilhosa de ajuda, feita pelo próprio Filho de Deus, não era restrita aos galileus daquela época. Esse chamado para carregar Seu jugo suave e aceitar seu fardo leve não se limita às gerações passadas. Foi e é um apelo universal a todas as pessoas, a todas as cidades e nações, a todos os homens, a todas as mulheres e crianças de toda parte.

    E, nos momentos de extrema necessidade, não podemos deixar de reconhecer essa infalível resposta aos cuidados e às preocupações do nosso mundo. Essa é a promessa de paz e proteção pessoal. Esse é o poder de redimir os pecados em todos os tempos. Nós também devemos acreditar que Cristo tem o poder de aliviar nossa carga e tornar nosso fardo mais leve. Nós também temos de vir a Ele, e Nele receber descanso para nossos labores.

    Naturalmente, algumas obrigações acompanham essas promessas. “Tomai sobre vós o meu jugo”, suplica Ele. Nos tempos bíblicos, o jugo era um recurso de grande valor para os que trabalhavam no campo. Ele permitia que a força de um segundo animal se unisse ao esforço de outro, repartindo e diminuindo o trabalho pesado do arado ou da carroça. Um fardo que era grande demais, ou talvez impossível de ser carregado por um só, podia ser equitativa e confortavelmente suportado por dois animais unidos no mesmo jugo. O jugo de Cristo exige um esforço grande e honesto, mas, para os que realmente são convertidos, esse jugo é suave e a carga se torna leve.

    Por que levar os fardos da vida sozinhos, pergunta Cristo, ou por que carregá-los com o apoio material que logo falhará? Para aqueles que estão sobrecarregados, o jugo de Cristo, o poder e a paz de estarmos ao lado de Deus, é que oferecerá o apoio, o equilíbrio e a força para enfrentar os desafios e as tarefas aqui no campo árido e difícil da mortalidade.

    Obviamente, os fardos variam de pessoa para pessoa, mas todos nós os temos. (…) Naturalmente, algumas tristezas são causadas pelos pecados de um mundo que não segue o conselho do [nosso] Pai Celestial. Seja qual for a razão, nenhum de nós parece estar completamente livre dos desafios da vida. Cristo disse a absolutamente todos: Uma vez que todos têm de carregar algum fardo e tomar sobre si algum jugo, por que não deixar que seja o Meu? Minha promessa a vocês é que Meu jugo é suave e o Meu fardo é leve (ver Mateus 11:28–30).8

    rapaz sorrindo

    “Os discípulos de Cristo de todas as gerações recebem o convite, na verdade, o mandamento, de ter um perfeito esplendor de esperança.”

    5

    Os santos dos últimos dias não precisam temer as tribulações dos últimos dias.

    As escrituras (…) indicam que haverá períodos de tempo em que o mundo inteiro enfrentará a mesma dificuldade. Sabemos que, em nossa dispensação, a iniquidade, infelizmente, estará em evidência e trará consigo as inevitáveis dificuldades, dores e punições. Deus abreviará essa iniquidade em Seu devido tempo, mas nossa tarefa é viver plena e fielmente e não nos preocuparmos demais com as aflições ou com o fim do mundo. A tarefa é termos o evangelho em nossa vida e sermos uma luz no mundo, uma cidade edificada sobre o monte, que reflita a beleza do evangelho de Jesus Cristo e a alegria e a felicidade que sempre advêm àqueles de qualquer época que cumprem os mandamentos.

    Nesta última dispensação, haverá grande aflição (ver Mateus 24:21). Sabemos que haverá guerras e rumores de guerras (ver D&C 45:26) e que toda a Terra estará em comoção (ver D&C 45:26). Todas as dispensações vivenciaram seus tempos trabalhosos, mas nos dias atuais sobrevirá o perigo real (ver II Timóteo 3:1). Homens maus surgirão (ver II Timóteo 3:13), mas [nos dias atuais] homens maus têm surgido muito frequentemente. Haverá calamidades e a iniquidade será abundante (ver D&C 45:27).

    O resultado natural de algumas dessas profecias será inevitavelmente o temor, um tipo de temor que não se limita à última geração. É o temor sentido por aqueles de qualquer geração que não entendem o que nós entendemos.

    Mas quero reforçar que os santos dos últimos dias não precisam experimentar esses sentimentos; eles não vêm de Deus. O grande Jeová dos céus disse à antiga Israel:

    “Esforçai-vos, e animai-vos; não temais, nem vos espanteis diante deles; porque o Senhor [vosso] Deus é o que vai [convosco]; não [vos] deixará nem [vos] desamparará. (…)

    O Senhor, pois, é aquele que vai adiante de [vós]; ele será [convosco], não [vos] deixará, nem [vos] desamparará; não [temais], nem [vos espanteis]” (Deuteronômio 31:6, 8).

    E o Senhor disse a vocês, nossa maravilhosa geração na moderna Israel:

    “Portanto não temais, pequeno rebanho; fazei o bem; deixai que a Terra e o inferno se unam contra vós, pois se estiverdes estabelecidos sobre minha rocha, eles não poderão prevalecer. (…)

    Buscai-me em cada pensamento; não duvideis, não temais” (D&C 6:34, 36).

    Vocês verão esse conselho permear inteiramente nossas escrituras modernas. Ouçam esta maravilhosa reafirmação: “Não temais, filhinhos, porque sois meus e eu venci o mundo; e fazeis parte daqueles que meu Pai me deu” (D&C 50:41). “Em verdade vos digo, meus amigos: Não temais; que se console vosso coração; sim, regozijai-vos sempre e em tudo dai graças” (D&C 98:1).

    Tendo em vista um conselho tão maravilhoso como esse, creio ser nossa obrigação regozijar-nos um pouco mais e desesperar-nos um pouco menos, dar graças pelo que temos e pela magnitude das bênçãos de Deus sobre nós, e falar um pouco menos sobre o que não temos ou sobre a ansiedade que provavelmente acompanha os tempos trabalhosos desta ou de qualquer outra geração.

    Um tempo de grande esperança e expectativa

    Para os santos dos últimos dias, este é um tempo de grande esperança e grande expectativa — uma das épocas mais grandiosas da Restauração e, portanto, uma das mais importantes de qualquer dispensação, já que esta é a maior de todas as dispensações. Devemos ter fé e esperança, duas das grandes virtudes básicas de qualquer discipulado de Cristo. Devemos exercer contínua confiança em Deus, já que esse é o primeiro princípio de nossa crença. Devemos acreditar que Deus tem todo o poder, que Ele nos ama e que Sua obra não será interrompida ou frustrada, nem em nossa vida individual, nem no mundo como um todo. (…)

    Prometo-lhes, em nome do Senhor, de Quem sou servo, que Deus sempre vai proteger Seu povo e cuidar dele. Teremos dificuldades como tiveram todas as gerações e pessoas. Mas, com o evangelho de Jesus Cristo, vocês têm toda esperança, promessa e segurança. O Senhor tem poder sobre Seus santos e sempre vai preparar lugares de paz, defesa e segurança para Seu povo. Se tivermos fé em Deus, podemos esperar um mundo melhor, tanto para nós pessoalmente como para toda a humanidade. O Profeta Éter ensinou no passado (tendo ele mesmo vivenciado dificuldades): “Portanto todos os que creem em Deus podem, com segurança, esperar por um mundo melhor, sim, até mesmo um lugar à mão direita de Deus, esperança essa que vem pela fé e é uma âncora para a alma dos homens, tornando-os seguros e constantes, sempre abundantes em boas obras, sendo levados a glorificar a Deus” (Éter 12:4).

    Os discípulos de Cristo de todas as gerações receberam o convite, na verdade, o mandamento, de ter um perfeito esplendor de esperança (ver 2 Néfi 31:20).

    Dissipar o temor

    (…) Se nossa fé e esperança estiverem ancoradas em Cristo e em Seus ensinamentos, mandamentos e Suas promessas, poderemos, por fim, confiar em algo verdadeiramente notável, genuinamente miraculoso, que tem poder para abrir o Mar Vermelho e conduzir a moderna Israel a um lar onde, “libertos do pesar e dor, vamos todos cantar” (Hinos, nº 20). O temor que as pessoas sentem nos momentos difíceis é a principal arma do arsenal que Satanás lança mão para tornar a humanidade infeliz. Aquele que teme perde forças para o combate da vida na luta contra o mal. Por isso, o poder do maligno sempre tenta gerar temor no coração humano. Em todas as épocas de todas as eras, a humanidade enfrentou o temor.

    É nosso dever, como filhos de Deus e descendentes de Abraão, Isaque e Jacó, esforçar-nos por eliminar o temor dentre as pessoas. Um povo tímido e temeroso não consegue realizar bem sua obra e também não consegue realizar bem a obra de Deus. Os santos dos últimos dias têm uma missão divinamente designada a cumprir que não pode simplesmente se deixar vencer pelo temor e pela ansiedade.

    Certo apóstolo do Senhor desta dispensação disse o seguinte: “A chave para vencer o temor foi-nos dada pelo Profeta Joseph Smith. ‘Se estiverdes preparados, não temereis’ (D&C 38:30). Essa mensagem divina precisa ser repetida hoje em todas as estacas e alas” (Élder John A. Widtsoe, Conference Report, abril de 1942, p. 33).

    Estamos preparados para nos render aos mandamentos de Deus? Estamos preparados para a vitória sobre nossos apetites pessoais? Estamos preparados para obedecer a uma lei justa? Se pudermos responder honestamente sim a essas perguntas, podemos seguramente mandar embora o temor de nossa vida. Obviamente, o grau do temor em nosso coração será bem mensurado pelo grau de nossa preparação para viver dignamente — viver da maneira que deve caracterizar todo santo dos últimos dias de qualquer época.

    O privilégio, a honra e a responsabilidade de viver nos últimos dias

    Gostaria de encerrar com uma das mais tocantes declarações que já li do Profeta Joseph Smith, que vivenciou tremendas dificuldades em sua vida e que, com certeza, pagou o preço máximo por sua vitória. Mas ele foi vitorioso e foi um homem feliz, robusto e otimista. Aqueles que o conheceram sentiam sua força e coragem mesmo nos momentos mais tenebrosos. Não perdeu o ânimo nem permaneceu muito tempo sem esperança.

    Ele disse a respeito de nosso tempo — seu e meu — que este é um tema “sobre o qual profetas, sacerdotes e reis falaram [no passado] com especial deleite; [todas essas antigas testemunhas de Deus] aguardaram com grande e alegre expectativa o dia em que vivemos; e inflamados com esse alegre anseio celeste, cantaram, escreveram e profetizaram a respeito de nossos dias; (…) somos o povo abençoado que Deus escolheu para trazer à luz a glória dos últimos dias” (Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith, p. 194).

    Que privilégio! Que honra! Que responsabilidade! E que alegria! Temos todas as razões do tempo e da eternidade para regozijar-nos e dar graças pela qualidade de nossa vida e pelas promessas que recebemos.9

    Sugestões para Estudo e Ensino

    Perguntas

    • Como o fato de saber que a adversidade faz parte do plano de Deus para nosso progresso eterno pode ajudar-nos? (Ver seção 1.) Por que você acha que a adversidade é uma parte necessária da mortalidade?

    • Leia novamente os ensinamentos do Presidente Hunter na seção 2 sobre alguns dos propósitos da adversidade. De que maneira você viu que a adversidade pode servir para o nosso bem? Como podemos enxergar a adversidade sob a perspectiva eterna do Senhor?

    • De acordo com o que o Presidente Hunter nos ensina, por que temos razões para ser felizes e otimistas mesmo durante as dificuldades? (Ver seção 3.) Como podemos desenvolver mais o otimismo nesses momentos? Quais são algumas das bênçãos que continuamos a receber mesmo durante as maiores adversidades?

    • De que maneira aceitamos o convite do Salvador de deixá-Lo aliviar nossa carga e tornar nosso fardo mais leve? (Ver seção 4.) O que significa tomar o Seu jugo sobre nós? Como o Salvador ajudou você nos momentos de adversidade?

    • O Presidente Hunter nos ensina que o sentimento de temor diante das tribulações dos últimos dias não provém de Deus (ver seção 5). De que maneira o fato de viver sob o temor nos prejudica? De que maneira podemos viver com esperança e fé, e não com temor?

    Escrituras Relacionadas

    João 14:27; 16:33; Hebreus 4:14–16; 5:8–9; 1 Néfi 1:20; Alma 36:3; D&C 58:2–4; 101:4–5; 121:7–8; 122:7–9

    Auxílio de Estudo

    “Muitos acham que o melhor horário para estudar é pela manhã, depois de uma noite de repouso. (…) Outros preferem estudar nas horas calmas depois que as tarefas e preocupações do dia terminaram. (…) Talvez seja mais importante reservar um período de tempo regular do que estipular um horário para o estudo” (Howard W. Hunter, “Ler as Escrituras”, A Liahona, março de 1980, p. 93).

    Notas

    1. “Deus Deseja um Povo Que Venceu Suas Provações”, A Liahona, outubro de 1980, p. 39.

    2. “Vinde a Mim”, A Liahona, janeiro de 1991, p. 18.

    3. “Portas Que Se Abrem — Portas Que Se Fecham”, A Liahona, janeiro de 1988, p. 57.

    4. “Deus Deseja um Povo Que Venceu Suas Provações”, p. 39.

    5. “An Anchor to the Souls of Men” [Uma Âncora para a Alma dos Homens], Ensign, outubro de 1993, p. 70.

    6. “Portas Que Se Abrem — Portas Que Se Fecham”, p. 57.

    7. “An Anchor to the Souls of Men”, p. 70.

    8. “Vinde a Mim”, p. 18.

    9. “An Anchor to the Souls of Men”, p. 70.