Período de Provações e Testes
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Capítulo oito

Período de Provações e Testes

Presidente John Taylor

Após a morte do Presidente Brigham Young, o Quórum dos Doze Apóstolos, presidido por John Taylor, dirigiu os santos dos últimos dias durante três anos. Em 10 de outubro de 1880, John Taylor foi apoiado Presidente da Igreja. O Presidente Taylor era um talentoso escritor e jornalista e publicou um livro sobre a Expiação, tendo editado também alguns dos mais importantes periódicos da Igreja, inclusive o Times and Seasons e o Mormon. Em várias ocasiões, demonstrou coragem e profunda dedicação ao evangelho restaurado, inclusive unindo-se voluntariamente aos irmãos que se encontravam na Cadeia de Carthage, onde levou quatro tiros. Seu lema era: “O reino de Deus ou nada”, o que mostrava sua lealdade a Deus e à Igreja.

A Obra Missionária

O Presidente Taylor assumiu o compromisso de fazer tudo o que pudesse para que o evangelho fosse proclamado aos confins da Terra. Na conferência de outubro de 1879, chamou Moses Thatcher, o mais novo Apóstolo da Igreja, para dar início à obra missionária na Cidade do México. O élder Thatcher e dois outros missionários organizaram o primeiro ramo da Igreja na Cidade do México em 13 de novembro de 1879, com o Dr. Plotino C. Rhodacanaty como presidente do ramo. O Dr. Rhodacanaty converteu-se após a leitura de um folheto sobre o Livro de Mórmon em espanhol e escreveu ao Presidente Taylor, pedindo mais informações sobre a Igreja.

Com um núcleo de doze membros e três missionários, o evangelho restaurado começou a espalhar-se vagarosamente entre o povo mexicano. Em 6 de abril de 1881, o élder Thatcher, Feramorz Young e um certo irmão Pais subiram ao monte Popacatepetl, a uma altura de quase 500 metros e realizaram ali um pequeno serviço dedicatório. Ajoelhado perante o Senhor, o élder Thatcher dedicou a terra e o povo do México para ouvir a voz de Cristo, seu verdadeiro pastor.

O élder Thatcher retornou a Salt Lake City e recomendou que mais missionários fossem chamados para servir no México. Logo, vários jovens, entre eles Anthony W. Ivins, futuro membro da Primeira Presidência, estavam trabalhando na Cidade do México. Em 1886, como parte da obra da Igreja na Missão Mexicana, fez-se uma edição do Livro de Mórmon em espanhol. A história de Milton Trejo, que ajudou a traduzir o Livro de Mórmon e outras publicações da Igreja para o espanhol, demonstram como o Senhor dirige Seu trabalho.

Milton Trejo nasceu na Espanha e cresceu sem ter nenhuma religião. Quando servia no exército nas Filipinas, ouviu um comentário acerca dos mórmons que viviam nas Montanhas Rochosas e sentiu um forte desejo de visitá-los. Mais tarde, ficou muito doente e soube num sonho que deveria ir a Utah. Após seu restabelecimento, viajou para Salt Lake City. Milton Trejo conheceu o Presidente Young e pesquisou a respeito do evangelho. Convenceu-se de que havia encontrado a verdade e tornou-se membro da Igreja. Milton serviu como missionário no México e foi então preparado, espiritual e intelectualmente, para desempenhar um importante papel na tarefa de possibilitar às pessoas de língua espanhola a leitura do Livro de Mórmon em seu próprio idioma.

O Presidente Taylor também chamou missionários para levar o evangelho aos índios que viviam no oeste americano. O empenho de Amos Wright foi particularmente frutífero junto à tribo Shoshone, que habitava a Reserva de Wind River, em Wyoming. Após ter servido por apenas alguns meses, Wright batizou mais de 300 índios, inclusive o Chefe Washakie. Os missionários SUD levaram também o evangelho aos Navajos, Pueblos e Zunis, que viviam no Arizona e no Novo México. Wilford Woodruff passou um ano pregando aos índios, inclusive aos Hopis, Apaches e Zunis. Ammon M. Tenney ajudou a batizar mais de 100 índios Zunis.

Os missionários continuaram também a pregar o evangelho na Inglaterra e na Europa. Em 1833, Thomas Biesinger, que morava em Lehi, Utah, mas nascera na Alemanha, recebeu um chamado para servir na missão européia. Ele e Paul Hammer foram enviados a Praga, Checoslováquia, que então fazia parte do império austríaco-húngaro. Os missionários foram, por lei, proibidos de pregar e, por isso, começaram a conversar informalmente com as pessoas que encontravam. Essas conversas muitas vezes encaminhavam-se para o assunto de religião. Após trabalharem dessa forma por somente um mês, o Élder Biesinger foi preso e ficou na prisão por dois meses. Quando foi solto, teve a bênção de batizar Antonín Just, a pessoa a quem pregava quando foi preso. O irmão Just tornou-se o primeiro santo dos últimos dias residente na Checoslováquia.1

O evangelho também foi pregado na Polinésia. Dois havaianos, élder Kimo Pelio e Samuela Manoa, foram enviados a Samoa em 1862. Eles batizaram 50 pessoas e o élder Manoa ficou morando em Samoa com os conversos durante 25 anos. Em 1887, Joseph H. Dean, de Salt Lake City, Utah, foi chamado para servir em Samoa. O élder Manoa e a mulher, membros fiéis da Igreja, receberam o élder Dean e a esposa, Florence, em sua casa, sendo eles os primeiros santos dos últimos dias, de outro lugar, que o casal via em duas décadas. O Élder Dean logo batizou 14 pessoas e, cerca de um mês depois, proferiu seu primeiro discurso na língua samoana.2 Assim, a obra missionária recomeçou na ilha.

A partir de 1866, para controlar a lepra, o governo havaiano transferiu os portadores da doença para a Península de Kalaupapa, na ilha de Molokai. Em 1873, Jonathan e Kitty Napela, membros da Igreja, foram mandados para esse local. Apenas Kitty contraíra a doença, mas Jonathan, que fora selado a ela na Casa de Investidura de Salt Lake, não a deixou sozinha na ilha. Tempos depois, Jonathan também ficou doente e quando foi visitado nove anos mais tarde por um grande amigo, estava quase irreconhecível. Durante algum tempo, presidiu os santos da península, que, no ano de 1900, eram mais de 200. Os líderes da Igreja não se esqueciam dos membros fiéis que sofriam dessa doença terrível e freqüentemente visitavam o ramo para cuidar de suas necessidades espirituais.3

A Conferência do Jubileu

Em 6 de abril de 1880, os membros da Igreja celebraram o qüinquagésimo aniversário da organização da Igreja. Chamaram-no de Ano do Jubileu, como os antigos israelitas chamavam cada qüinquagésimo ano. O Presidente John Taylor perdoou muitos débitos que os membros necessitados tinham com a Igreja, e a Igreja contribuiu também com 300 vacas e 2.000 ovelhas, que foram distribuídas aos “pobres merecedores”.4 As irmãs da Sociedade de Socorro da Igreja doaram 35.000 sacas de trigo aos necessitados. O Presidente Taylor pediu também com veemência aos membros da Igreja que perdoassem débitos individuais, especialmente entre os necessitados. “É tempo de júbilo!” declarou.5 Entre os santos dos últimos dias imperou um grande espírito de perdão e alegria.

O último dia da conferência geral de abril, no jubileu de 1880, foi muito comovente. Onze dos Doze Apóstolos prestaram testemunho na sessão de encerramento. Orson Pratt, um dos membros originais do Quórum dos Doze Apóstolos, falou a respeito da época em que a Igreja inteira reunira-se na casa de Peter Whitmer Sênior, em Fayette, Estado de Nova York. Ele relembrou as provações, reuniões, perseguições e dificuldades dos santos dos últimos dias e sentiu-se grato por ainda “fazer parte deste povo”. Prestou, então, testemunho “acerca da grande obra que o Senhor nosso Deus fez nos últimos cinqüenta anos”.6 O Élder Pratt viveria apenas mais alguns meses e sentia-se alegre por ter perseverado fielmente, como santo dos últimos dias, até o fim.

Dois anos antes da celebração do Jubileu, o Presidente John Taylor havia autorizado a criação de uma organização que fornecesse instrução religiosa às crianças. A primeira Primária teve início em Farmington, Utah, cerca de 24 km ao norte de Salt Lake City e, por volta da metade da década de 1880, quase todas as comunidades da Igreja tinham uma. A Primária cresceu e hoje inclui milhões de crianças do mundo inteiro, que recebem as bênçãos dos ensinamentos do evangelho, da música e da amizade de outras pessoas todas as semanas.

A Perseguição Continua

Enquanto trabalhava na tradução da Bíblia, no início da década de 1830, o Profeta Joseph Smith sentiu-se confuso com o fato de que Abraão, Davi e outros líderes do Velho Testamento tivessem tido mais de uma esposa. O Profeta orou pedindo entendimento e soube que, em certas épocas, com propósitos específicos, seguindo leis divinas, o casamento plural era aprovado e estabelecido por Deus. Joseph Smith soube também que, com aprovação divina, alguns santos dos últimos dias logo seriam escolhidos, por meio da autoridade do sacerdócio, para casarem-se com mais de uma mulher. Vários santos dos últimos dias praticaram o casamento plural em Nauvoo, mas o anúncio público dessa doutrina só foi feito em agosto de 1852, numa conferência geral em Salt Lake City. Nessa ocasião, o Élder Orson Pratt, conforme orientação do Presidente Brigham Young, anunciou que a prática do casamento plural, ou seja, de um homem ter mais do que uma esposa, fazia parte da restauração de tudo feita pelo Senhor. (Ver Atos 3:19–21.)

Muitos líderes religiosos e políticos da América ficaram indignados quando souberam que os santos dos últimos dias residentes em Utah estavam encorajando um sistema matrimonial que eles consideravam imoral e anticristão. Empreendeu-se uma grande cruzada política contra a Igreja e seus membros, e o Congresso dos Estados Unidos aprovou leis que restringiam a liberdade dos santos dos últimos dias e prejudicavam a Igreja economicamente. Essas leis causaram por fim a prisão dos homens que tinham mais de uma esposa, negando-lhes o direito de voto, o direito à privacidade em seu lar e outras liberdades civis. Centenas de homens e algumas mulheres fiéis da Igreja cumpriram pena na prisão nos Estados de Utah, Idaho, Arizona, Nebraska, Michigan e Dakota do Sul.

A perseguição tornou-se intensa também para muitos que aceitaram chamados para pregar o evangelho, especialmente no sul dos Estados Unidos. Por exemplo, em julho de 1878, o élder Joseph Standing foi brutalmente assassinado enquanto trabalhava perto de Rome, no Estado da Georgia. Seu companheiro, o futuro Apóstolo Rudger Clawson, escapou da morte por um triz. Os santos de Salt Lake City ficaram muito abalados com a notícia do assassinato do élder Standing, e milhares de pessoas compareceram às cerimônias fúnebres realizadas no Tabernáculo de Salt Lake.

Os élderes John Gibbs, William Berry, William Jones e Henry Thompson viajaram pela maior parte do Estado do Tennessee, na tentativa de mudar a opinião pública a respeito da Igreja. Numa manhã de domingo, em agosto de 1884, estavam descansando na casa de James Condor, perto de Cane Creek, no Tennessee e, enquanto o élder Gibbs estudava as escrituras, procurando um texto para seu sermão, uma turba saiu de repente do meio do mato e começou a atirar. Os élderes Gibbs e Berry foram mortos. O élder Gibbs, que era professor primário, deixou a esposa e três crianças chorando sua morte. A irmã Gibbs ficou viúva durante 43 anos e tornou-se parteira para sustentar os filhos. Ela morreu fiel ao evangelho, esperando um alegre reencontro com o marido. Brigham Henry Roberts, o presidente interino da missão na época dos assassinatos, arriscou a vida, indo disfarçado exumar os corpos de Gibbs e Berry e levando-os de volta para Utah, onde muitas alas realizaram serviços fúnebres em homenagem aos dois élderes.

Missionários de outras áreas foram açoitados até o sangue correr-lhes pelas costas e muitos ficaram com cicatrizes para o resto da vida. Não era fácil ser membro da Igreja naquela época.

Muitos líderes tiveram que se esconder para não serem presos por policiais federais que procuravam homens com mais de uma esposa. As famílias temiam que esses oficiais invadissem suas casas no meio da noite. O Presidente George Q. Cannon, Lorenzo Snow, Rudger Clawson, Brigham Henry Roberts, George Reynolds e muitos outros foram presos e, na cadeia, passavam o tempo escrevendo livros, dando aulas e redigindo cartas para a família. O Presidente John Taylor foi forçado a viver no exílio em Kaysville, Utah, cerca de 32 km ao norte de Salt Lake City, onde morreu em 25 de julho de 1887. Foi um homem de fé e coragem, que dedicou a vida ao testemunho de Jesus Cristo e ao estabelecimento do reino de Deus na Terra.

Presidente Wilford Woodruff

Wilford Woodruff foi um dos missionários de maior sucesso na Igreja e era conhecido por sua inspiração profética e lealdade à Igreja. Wilford Woodruff escreveu diários minuciosos, que forneceram muitas informações sobre o início da história da Igreja. Quando John Taylor faleceu, Wilford Woodruff era Presidente do Quórum dos Doze Apóstolos e foi apoiado Presidente da Igreja quase dois anos mais tarde.

Durante sua administração, intensificou-se a cruzada política contra os santos dos últimos dias, mas a Igreja progredia. Havia templos funcionando em três cidades de Utah – St. George, Logan e Manti – e o templo de Salt Lake City estava quase terminado. Essas casas dedicadas ao Senhor permitiram que milhares de santos recebessem a investidura e fizessem o trabalho vicário por seus parentes falecidos. Durante toda a vida, o Presidente Wilford Woodruff demonstrou interesse tanto pelo templo como pela história da família e incentivou os santos, em muitas ocasiões, a realizarem as ordenanças do templo por seus antepassados.

O incidente a seguir ressalta a importância do trabalho pelos mortos realizado pelos santos: Em maio de 1884, o Bispo Henry Ballard, da Ala II de Logan, estava assinando recomendações para o templo em sua casa quando a filha de nove anos, que conversava com os amigos numa calçada próxima, viu dois homens idosos aproximarem-se. Eles chamaram-na, deram-lhe um jornal e disseram-lhe que o entregasse ao pai.

A menina obedeceu. O Bispo Ballard viu que o jornal, o Newbury Weekly News, publicado na Inglaterra, continha nomes de mais de 60 conhecidos dele e de seu pai, bem como informações genealógicas. Esse jornal, datado de 15 de maio de 1884, fora entregue a ele apenas três dias após sua publicação. Numa época muito anterior ao transporte aéreo, quando os correios levavam várias semanas para transportar uma correspondência da Inglaterra para o oeste dos Estados Unidos, isso fora um milagre.

No dia seguinte, o Bispo Ballard levou o jornal ao templo e contou a história desse milagre a Marriner W. Merrill, presidente do templo, que disse: “Irmão Ballard, os que se encontram do outro lado estão ansiosos para que o trabalho seja feito por eles e sabiam que você o faria se este jornal chegasse a suas mãos”.7 O jornal está guardado na Biblioteca Histórica da Igreja em Salt Lake City, Utah.

Apesar da perseguição, os líderes da Igreja ainda encorajavam a colonização de áreas desabitadas no oeste americano. No início de 1885, muitas famílias da Igreja estabeleceram-se em Sonora e Chihuahua, no México, e fundaram as cidades de Colonia Juárez e Colonia Díaz. Outras áreas no norte do México também receberam imigrantes que eram membros da Igreja.

Os membros da Igreja foram também para o norte, procurando lugares para colonizar no Canadá. Charles O. Card, então presidente da Estaca de Cache Valley, fundou uma comunidade de membros da Igreja no sul da província canadense de Alberta em 1886. No inverno de 1888, mais de 100 membros da Igreja estavam morando no oeste do Canadá, e durante a década de 1890 chegaram outros, fornecendo a mão-de-obra para a construção de um sistema de irrigação e uma estrada de ferro. Muitos líderes da Igreja amadureceram em Alberta.

O Manifesto

No final da década de 1880, o governo dos Estados Unidos promulgou outras leis que impediam os que adotavam o casamento plural de exercerem o direito de voto e de servirem como jurados, restringindo também, com rigor, o número de propriedades que a Igreja poderia possuir. As famílias SUD sofriam à medida que um número cada vez maior de pais tinha que se esconder. O Presidente Wilford Woodruff implorou ao Senhor que o orientasse e, na noite de 23 de setembro de 1890, o profeta, agindo sob inspiração, escreveu o Manifesto, um documento que colocou fim ao casamento plural para os membros da Igreja. O Senhor mostrou ao Presidente Wilford Woodruff numa visão que, se a prática do casamento plural não terminasse, o governo dos Estados Unidos ocuparia os templos, encerrando assim o trabalho pelos mortos.

Em 24 de setembro de 1890, a Primeira Presidência e o Quórum dos Doze Apóstolos apoiaram o Manifesto. Os santos aprovaram a mudança na conferência geral de outubro de 1890. Hoje, esse documento faz parte de Doutrina e Convênios como a Declaração Oficial 1.

Após essa decisão da Igreja, o governo federal indultou os homens que tinham sido condenados por violarem as leis antipoligamia, e a maior parte das perseguições cessaram. O Presidente Wilford Woodruff, contudo, explicou: “Eu teria deixado que os templos nos escapassem das mãos; teria ido eu próprio para a prisão e permitido que isso acontecesse a muitos de vós, não tivesse o Deus do céu me ordenado fazer o que fiz; e quando chegou a hora em que isso me foi ordenado, tudo ficou claro para mim. Dirigi-me ao Senhor e escrevi o que Ele ordenou que eu escrevesse”. (“Trechos de Três Discursos do Presidente Wilford Woodruff a Respeito do Manifesto”, incluídos após a Declaração Oficial–1.) Deus, não o Congresso dos Estados Unidos, ditou a suspensão do casamento plural.

A Sociedade Genealógica

Muito antes de os santos dos últimos dias fundarem uma sociedade genealógica, os membros da Igreja já juntavam registros, documentando a vida de seus antepassados falecidos. Wilford Woodruff, Orson Pratt e Heber J. Grant estão entre os que conseguiram os nomes de milhares de antepassados por quem fizeram as ordenanças do templo. Em 1894, a Primeira Presidência deu instruções para que fosse organizada uma sociedade genealógica, sendo o Élder Franklin D. Richards seu primeiro líder. Criou-se uma biblioteca e representantes da sociedade saíram pelo mundo em busca de nomes de pessoas por quem se pudessem realizar as ordenanças do templo. Essa sociedade deu origem ao Departamento de História da Família da Igreja.

Durante a conferência geral de abril de 1894, o Presidente Wilford Woodruff anunciou que tivera uma revelação sobre o trabalho genealógico e declarou o desejo de Deus aos santos dos últimos dias: “Pesquisem sua genealogia o mais longe possível e sejam selados a seus pais e mães. As crianças devem ser seladas aos pais, formando-se uma corrente tão longa quanto possível. ( … ) Essa é a vontade do Senhor para Seu povo”, disse ele, “e acho que quando refletirem sobre o assunto, verão que isto é verdade”.8 Os santos dos últimos dias ainda são incentivados a procurar os registros de seus antepassados falecidos e a realizar as ordenanças do templo em favor deles.

De 1885 a 1900, muitos membros da Igreja fizeram missões genealógicas e foram chamados a Salt Lake City para que uma Autoridade Geral lhes desse uma bênção. Receberam também um cartão de identificação e uma carta de designação. Essas pessoas visitaram parentes, registraram nomes extraídos de lápides e estudaram registros paroquiais e Bíblias de família, retornando com valiosas informações que permitiram a realização do trabalho do templo. Muitos missionários relataram experiências espirituais que lhes deram a firme certeza de que o Senhor estava com eles e freqüentemente os dirigia a uma fonte de informações de que precisavam ou a um parente.9

A Dedicação do Templo de Salt Lake

O Presidente Wilford Woodruff dedicou muito de sua vida ao trabalho no templo. Foi o primeiro presidente do Templo de Saint George e dedicou o Templo de Manti. Quarenta anos após ter sido colocada a pedra de esquina do Templo de Salt Lake, o Presidente Woodruff aguardava com grande expectativa a dedicação desse templo, que era um marco para a Igreja. Os serviços dedicatórios foram realizados de 6 de abril a 18 de maio de 1893, e aproximadamente 75.000 pessoas compareceram.10

Após o serviço dedicatório inicial em 6 de abril, o Presidente Woodruff escreveu em seu diário: “O espírito e o poder de Deus estavam sobre nós. O espírito de profecia e revelação estava conosco, o coração das pessoas foi tocado e muitas coisas nos foram reveladas”.11 Alguns santos dos últimos dias viram anjos, enquanto outros viram Presidentes da Igreja do passado e outros líderes falecidos.12

Quando o Presidente Woodruff comemorou seu nonagésimo aniversário, milhares de crianças da Escola Dominical ocuparam o Tabernáculo da Praça do Templo para homenageá-lo. Ele ficou profundamente comovido e, falando com grande emoção, disse à jovem audiência que quando tinha dez anos de idade assistira à uma Escola Dominical protestante e lera a respeito dos apóstolos e profetas. Ao voltar para casa, orara para que pudesse viver o bastante para ver apóstolos e profetas uma vez mais na Terra. Naquele momento, estava na presença de homens que eram tanto apóstolos como profetas; sua oração fora atendida muitas e muitas vezes.13

Um ano mais tarde, em 2 de setembro de 1898, o Presidente Woodruff faleceu durante uma visita a São Francisco.

O Presidente Lorenzo Snow e o Dízimo

Após a morte do Presidente Woodruff, Lorenzo Snow, Presidente do Quórum dos Doze, tornou-se Presidente da Igreja. Ele era um líder sábio e amoroso, que fora bem preparado para suas responsabilidades. Conheceu todos os profetas modernos até aquela data e foi por eles ensinado. Em novembro de 1900, contou aos santos reunidos no Tabernáculo que muitas vezes visitara o Profeta Joseph Smith e sua família, comera à sua mesa e tivera entrevistas particulares com ele. Lorenzo Snow sabia que Joseph era um profeta de Deus porque o Senhor lhe mostrara essa verdade “da maneira mais clara e completa”.14

Durante a administração do Presidente Snow, a Igreja enfrentava sérias dificuldades financeiras, causadas pela legislação federal contra o casamento plural. O Presidente Snow refletiu e orou para ser orientado a respeito de como livrar a Igreja das dívidas que a enfraqueciam. Após a conferência geral de abril de 1899, o Presidente Snow sentiu-se inspirado a visitar Saint George, no Estado de Utah. Enquanto falava numa reunião, fez uma pausa por alguns momentos e, ao continuar, declarou que recebera uma revelação. O povo da Igreja negligenciara a lei do dízimo e o Senhor disse-lhe que, se os santos pagassem mais fielmente um dízimo integral, muitas bênçãos seriam derramadas sobre eles.

O profeta pregou a importância do dízimo às congregações de todo o Estado de Utah. Os santos obedeceram a seu conselho e, naquele ano, pagaram duas vezes mais dízimos do que no ano anterior. Em 1907, a Igreja possuía fundos suficientes para pagar todos os seus credores e saldar suas dívidas.

Em 1898, numa recepção para a junta geral da Associação de Melhoramentos Mútuos das Moças, o Presidente George Q. Cannon anunciou que a Primeira Presidência tomara a decisão de chamar “algumas de nossas mulheres sábias e prudentes para o campo missionário”.15 Antes dessa época, poucas irmãs haviam acompanhado o marido em missão, mas essa era a primeira vez que a Igreja chamava e designava oficialmente irmãs para serem embaixadoras missionárias do Senhor Jesus Cristo. Embora as irmãs não tenham o dever de servir como missionárias, nas últimas décadas milhares tiveram esse privilégio e serviram ao Senhor valorosamente como missionárias de tempo integral.

O Presidente Lorenzo Snow estava dirigindo a Igreja quando o mundo entrou no século vinte. Em 1900, a Igreja tinha 43 estacas, 20 missões e 967 alas e ramos. Havia 283.765 membros, a maioria residente na área das Montanhas Rochosas, nos Estados Unidos. Quatro templos estavam em funcionamento e as publicações Juvenile Instructor, Improvement Era e Young Women’s Journal traziam artigos sobre a Igreja. Circularam rumores de que pelo menos uma nova missão seria aberta, e os santos dos últimos dias mal podiam imaginar o que aconteceria nos cem anos seguintes. Estavam, contudo, confiantes de que as profecias concernentes ao futuro da Igreja seriam cumpridas.

Notas

  1. Kahlile Mehr, “Enduring Believers: Czechoslovakia and the LDS Church, 1884-1990”, Journal of Mormon History (Outono 1992), pp. 112-113.

  2. R. Lanier Britsch, Unto the Islands of the Sea: A History of the Latter-day Saints in the Pacific (1986), pp. 352-354.

  3. Lee G. Cantwell, “The Separating Sickness”, This People (Verão 1995), p. 58.

  4. B. H. Roberts, A Comprehensive History of the Church, 5:592.

  5. B. H. Roberts, A Comprehensive History of the Church, 5:593.

  6. B. H. Roberts, A Comprehensive History of the Church, 5:590-591.

  7. Melvin J. Ballard: Crusader for Righteousness (1966), pp. 16-17.

  8. James R. Clark, comp., Messages of the First Presidency of The Church of Jesus Christ of Latter-day Saints, 6 vols. (1965-75), 3:256-257.

  9. James B. Allen, Jessie L. Embry, Kahlile B. Mehr, Hearts Turned to the Fathers: A History of the Genealogical Society of Utah, 1894-1994 (1995), pp. 39-41.

  10. B. H. Robert, A Comprehensive History of the Churh, 6:236.

  11. “Wilford Woodruff Journals” (1833-98), 6 abr. 1893; LDS Archives; ortografia e pontuação modernizadas.

  12. Richard Neitzel Holzapfel, Every Stone a Sermon (1992), pp. 71, 75, 80.

  13. Ver Mathias F. Cowley, Wilford Woodruff (1909), p. 602.

  14. “The Redemption of Zion”, Millennial Star, 29 nov. 1900, p. 754.

  15. “Biographical Sketches: Jennie Brimhall and Inez Knight”, Young Women’s Journal, jun. 1898, p. 245.