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Encontrar Jesus Cristo no Velho Testamento
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Encontrar Jesus Cristo noVelho Testamento

Estas cinco verdades podem nos ajudar a conhecer nosso Salvador em nosso estudo das escrituras este ano.

LIGHT OF THE WORLD, DE WALTER RANE, NÃO PODE SER COPIADO

Um dia, Jesus Cristo encontrou dois de Seus discípulos em uma estrada entre Jerusalém e Emaús. Enquanto caminhavam, Ele os ensinou sobre Seu papel conforme descrito nas escrituras que atualmente chamamos de Velho Testamento.

“E começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes em todas as escrituras o que dele estava escrito” (Lucas 24:27). Aprender sobre o Salvador e Sua missão foi uma experiência espiritual profunda para os discípulos, e eles Lhe imploraram que ficasse com eles por mais tempo (ver Lucas 24:28–32).

Assim como os primeiros seguidores de Cristo, temos a oportunidade de conhecer nosso Salvador de maneira mais significativa ao examinarmos o Velho Testamento este ano. Esse registro, acompanhado dos livros de Moisés e Abraão na Pérola de Grande Valor, oferece-nos uma compreensão mais plena de quem Ele é — Sua natureza, Seu relacionamento com Seu Pai e com cada um de nós. Precisamos dessa compreensão para receber a dádiva da vida eterna (ver João 17:3).

A seguir, estão cinco verdades que nos ajudarão a reconhecer e melhor compreender Jesus Cristo nesse livro antigo e sagrado.

Primeira verdade: Jesus Cristo é Jeová

No Novo Testamento, lemos sobre quando Jesus Cristo Se identificou certa vez como Jeová (ver João 8:58, nota de rodapé b). As pessoas se escandalizaram e procuraram apedrejá-Lo por blasfêmia (ver João 8:59). Elas não perceberam a preciosa verdade que continua a ser mal interpretada por muitos atualmente: que Jesus Cristo é Jeová, o Deus do Velho Testamento.1

Talvez parte da razão pela qual a identidade do Salvador seja, com frequência, incompreendida no Velho Testamento é porque o nome “Jesus Cristo” não é usado no registro. Em vez disso, os autores usaram vários títulos para se referir a Ele, tais como “Deus”, “Eu Sou” ou “o Senhor”.2 Quando entendemos isso, começamos a enxergar Jesus Cristo mais claramente no Velho testamento. Por exemplo:

  • Quando Moisés conversou com “Deus” na sarça ardente, ele estava falando com Jesus Cristo (ver Êxodo 3:6).3

  • Do mesmo modo, Jesus Cristo Se identificou como o “Grande Eu Sou” para Joseph Smith (Doutrina e Convênios 29:1).

  • João Batista foi chamado para preparar o caminho “do Senhor” (Mateus 3:3). Isso é em cumprimento de Isaías 40:3, que profetiza de Jesus Cristo.

  • Ver o quadro na página 17 para mais exemplos de Jeová nas escrituras.

Segunda verdade: Os objetos e eventos podem nos ensinar sobre o Salvador

Adão e Eva foram ordenados a sacrificar animais como parte de sua adoração. Esses sacrifícios nos relembram que Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus, consentiu que Ele fosse morto como parte de Sua Expiação.

Adam and Eve Offering Sacrifices, de Keith Larson

O Velho Testamento é abundante em símbolos e histórias que nos lembram da ajuda que o Salvador oferece. Por exemplo:

  • Muitas escrituras descrevem momentos em que pessoas fiéis foram ordenadas a sacrificar animais como parte de sua adoração. Por exemplo, os filhos de Israel foram ordenados a sacrificar um cordeiro e marcar o umbral de suas portas com o sangue do cordeiro. Aqueles que fizeram isso foram protegidos de uma praga mortal no Egito. Esses sacrifícios nos relembram que Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus, consentiu que Ele fosse morto como parte de Sua Expiação. Seu sacrifício nos redime da morte física e espiritual (ver Êxodo 12:13).

  • Quando o profeta Elias precisou fugir e se esconder no deserto para salvar sua vida, ele se entristeceu e disse que preferia estar morto. Enquanto dormia, pão e água milagrosamente apareceram para alimentá-lo e refrescá-lo, fortalecendo-o para que prosseguisse. Isso nos lembra que Jesus Cristo é a Água Viva e o Pão da Vida. Ele é nossa fonte suprema de esperança (ver 1 Reis 19:1–8).4

  • “A tua palavra é lâmpada para os meus pés”, um salmista declarou (Salmos 119:105; grifo do autor). Miqueias testificou: “Se eu morar nas trevas, o Senhor será a minha luz” (Miqueias 7:8; grifo do autor). Suas palavras nos lembram de que Jesus Cristo é a Luz do Mundo, que nos guia de volta ao nosso lar celestial.

Ao ler o Velho Testamento, você poderá descobrir outras coisas que lembrem Jesus Cristo e Sua capacidade de nos salvar — como a família de Noé que foi salva do Dilúvio por meio da arca; ou quando o Senhor deu tempo para Jonas se arrepender enquanto estava dentro da baleia. Esses eventos nos lembram que o Salvador pode nos orientar pelas tempestades da vida e que Ele sempre nos dá oportunidades de voltarmos ao caminho certo (ver Gênesis 7:1; Jonas 1:17).

Terceira verdade: Jeová é um Deus pessoal

Às vezes, pode parecer que o Deus do Velho Testamento está irado ou é vingativo. Devemos entender que os autores originais do livro pertenciam a culturas antigas, com costumes e descrições que podem ser difíceis de entender plenamente nos dias de hoje. O manual Vem, e Segue-Me, os debates em grupo e o esclarecimento do Espírito Santo podem nos ajudar a harmonizar o que lemos no Velho Testamento com o que sabemos sobre Jesus Cristo de outros livros de escritura.

E eis uma característica notória de Jeová que será familiar para os que estudam sobre o Salvador: Ele é um Deus pessoal. Sua intervenção, seja de maneira simples ou majestosa, mostra como Ele está sempre pronto para livrar aqueles que confiam Nele. Eis alguns exemplos de Seu ministério no Velho Testamento:

  • Depois que Adão e Eva transgrediram, o Senhor os vestiu, ou os cobriu, com túnicas de pele (ver Gênesis 3:21). A palavra hebraica para “Expiação” significa “cobrir” ou “perdoar”.

  • Ele convidou Enoque para caminhar com Ele (ver Moisés 6:34) e tomou para Si o povo de Sião (ver Moisés 7:69).

  • Ele preparou José para salvar sua família e muitos outros da fome (ver Gênesis 37–46).

  • Ele conduziu os filhos de Israel pelo deserto (ver Êxodo 13:21–22).

  • Ele visitou Aarão e Miriã para fortalecer sua fé no profeta vivo (ver Números 12:5).

  • Ele guiou Rute e preservou Sua linhagem por meio da semente dela (ver Rute 3:10–11; 4:14–17).

  • Ele chamou o menino Samuel pelo nome (ver 1 Samuel 3:3–10).

  • Ele fortaleceu Ester para corajosamente salvar seu povo (ver Ester 2:17; 8:4–11).

Quarta verdade: Jesus Cristo nos ajuda a lutar nossas batalhas

Às vezes, nosso cotidiano parece uma batalha. De fato, estamos em meio a uma batalha espiritual entre o bem e o mal, não tão diferente das guerras descritas no Velho Testamento. Como os soldados da antiguidade, clamamos: “Jeová, sê nosso guia”.5 Nas escrituras a seguir, ouvimos Sua resposta tranquilizadora:

  • “Não te deixarei nem te desampararei” (Josué 1:5).

  • “Não temais, nem vos assusteis por causa desta grande multidão, pois a peleja não é vossa, senão de Deus” (2 Crônicas 20:15).

  • “Eu te fortaleço (…) e te sustento” (Isaías 41:10).

  • “Estou contigo para te livrar” (Jeremias 1:8).

Quinta verdade: As promessas do Senhor continuam

Estamos mais conectados com os povos fiéis do Velho Testamento do que pensamos. Os profetas da antiguidade aguardaram a vida mortal de Jesus Cristo e escreveram sobre ela. Isaías, por exemplo, descreveu o Senhor com palavras tão poderosas que elas se tornaram parte da música que compartilhamos na Páscoa e no Natal (ver Isaías 7; 9; 40 e 53).6

Como esses profetas, também aguardamos a vinda de Cristo — desta vez, esperando Seu retorno para reinar pessoalmente sobre a Terra.7 E, ao prepararmos o mundo para Sua Segunda Vinda, obtemos força nas verdades e promessas registradas previamente no Velho Testamento, como:

  • As bênçãos patriarcais, com uma declaração da casa de Israel à qual pertencemos. O convênio que o Senhor fez com Abraão há milhares de anos se aplica a nós atualmente como membros da Igreja do convênio, independentemente da tribo da qual fazemos parte (ver Gênesis 13:14–17; Abraão 2:9–11).

  • O mandamento de guardar o Dia do Senhor, o qual Ele disse que seria “um sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que eu sou o Senhor, que vos santifica” (Êxodo 31:13).

  • Abluções, unções e vestimentas sagradas, que são parte da adoração no templo atualmente, foram dados primeiramente a Aarão e sua posteridade (ver Levítico 8).

Pense em quantos homens e mulheres justos se sacrificaram para nos trazer até este ponto da história humana. Edificamos sobre seus sagrados esforços e compartilhamos sua visão de um mundo dirigido pelo Salvador. Como o presidente Russell M. Nelson ensinou: “Após cerca de 4.000 anos de espera e preparação, este é o dia indicado em que o evangelho deverá ser levado para as nações da Terra. Este é o momento da prometida coligação de Israel. E podemos participar!”8

Um ano grandioso de estudo

Christ in a Red Robe, de Minerva Teichert, Cortesia do Museu de História da Igreja

Temos em nossas mãos a história do início da humanidade — nossa história como cristãos do convênio. Graças à Expiação de Jesus Cristo, sabemos como essa grandiosa jornada se encerrará. Satanás será destruído, e os justos serão vitoriosos. Mas como nossa história pessoal se desdobrará?

Escolheremos caminhar com Jesus Cristo este ano? Rogaremos que Ele fique conosco, ouvindo com entusiasmo o que Ele ensinar?

Ele é o Salvador amoroso e pessoal, cuja voz ouvimos em Doutrina e Convênios, de Quem a vida está registrada no Novo Testamento e cujos ensinamentos são claramente ensinados no Livro de Mórmon. Com um pouco de treino, também seremos capazes de perceber Seu ministério entrelaçado nas páginas do Velho Testamento. Ele é o centro do passado, do presente e do futuro da humanidade. Ele esteve — e sempre estará — ao nosso lado em cada passo da jornada.

Notas

  1. Ver o segundo parágrafo de “O Cristo Vivo: O Testemunho dos Apóstolos”, ChurchofJesusChrist.org.

  2. Em traduções no português, as referências a Jesus Cristo são geralmente escritas em letras maiúsculas como “SENHOR”. Em 1 Samuel 1:15, encontramos dois exemplos da palavra “senhor” referindo-se a uma pessoa e “SENHOR” fazendo referência a Jesus Cristo. Ver também James E. Talmage, Jesus, o Cristo, 1971, p. 36.

  3. Em versões da Bíblia publicadas pela Igreja, as notas de rodapé podem ajudar a esclarecer quando as escrituras se referem ao Salvador. Por exemplo, ver Êxodo 3:6, nota de rodapé a.

  4. Para mais informações sobre o simbolismo dessa história, ver Marissa Widdison, “The Bread and the Water of Hope”, Ensign, setembro de 2019, p. 56.

  5. “Jeová, sê nosso guia”, Hinos, nº 40.

  6. Alguns versículos de Isaías foram usados na letra do oratório Messias, de Handel.

  7. Ver Regras de Fé 1:10.

  8. Russell M. Nelson, “Convênios”, A Liahona, novembro de 2011, p. 88.