2021
Os convênios podem transformar nossos relacionamentos
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Jovens adultos

Os convênios podem transformar nossos relacionamentos

A autora mora em Utah, EUA.

Os convênios podem nos dar poder para amarmos a nós mesmos, servirmos ao próximo e retornarmos à presença de nosso Pai Celestial e nosso Salvador.

Fotografia do Templo de Boston Massachusetts: Christina Smith

Quando criança, sentia orgulho de conseguir definir uma palavra grande como convênio. Sempre que o assunto surgia na igreja, declarava com orgulho: “Convênio é uma promessa entre mim e Deus!”

Ao crescer, fiz convênios por meio do batismo e no templo, e minha definição continuava praticamente inalterada. Enxergava os convênios como um conjunto de regras a serem seguidas e, então, Deus cumpriria Sua parte do trato ao me conceder as bênçãos prometidas.

Para mim, os convênios pareciam um item a assinalar em uma lista de afazeres. Eu conseguia enxergar como outras práticas do evangelho como a oração e o jejum contribuíam para desenvolvermos um relacionamento com o Pai Celestial, mas os convênios pareciam não passar de regras Dele.

Minha definição na infância não deixou de ser um bom começo, mas precisava de mais algumas linhas caso os convênios fossem transformar minha vida do modo como Deus planejava.

Preenchendo as lacunas

Estas palavras do élder Gerrit W. Gong, do Quórum dos Doze Apóstolos, foram um ponto de partida para o desenvolvimento de minha definição de convênio:

“Por convênio divino, pertencemos a Deus e uns aos outros. Fazer parte do convênio é um milagre. (…)

É não desistir de nós mesmos, uns dos outros nem de Deus”.1

Desde que descobri essa citação, percebi que os convênios têm um impacto diário em nossa vida. Quando verdadeiramente vivemos de acordo com os convênios que fizemos, não desistimos de nós mesmos, das pessoas ao nosso redor nem de Deus. Nossos convênios nos ajudam a entender a verdadeira natureza de nossos relacionamentos e nos dão o poder de que precisamos para desenvolvê-los.

Trata-se mais do que apenas seguir regras; os convênios têm o objetivo de fortalecer relacionamentos!2

Examinemos três relacionamentos que são essenciais em nossa vida e como nossos convênios podem fortalecê-los: nosso relacionamento com nós mesmos, nosso relacionamento com os outros e nosso relacionamento com nosso Pai Celestial e nosso Salvador.

Reconhecer nossa identidade eterna

Todos anseiam por um senso de identidade. Quando estava no Ensino Médio, um dos pilares de minha identidade era meu amor pela dança. Por fazer inúmeras aulas de dança e apresentações, “dançarina” era uma parte central de quem eu era.

Mas, ao terminar o Ensino Médio, a vida tomou novos rumos e me distanciei de minha antiga paixão. Sem a dança, faltava-me motivação diária, e eu ansiava por voltar a me sentir parte de um grupo. Vivi semanas de profundo desânimo à medida que tentava redescobrir quem eu era e qual era meu lugar. Essa difícil experiência me ensinou que, enquanto algumas identidades são passageiras, outras podem enriquecer nossa vida para sempre.

O élder Gong ensinou:

“Com amor infinito, [Deus] nos convida a acreditar e a fazer parte de Seu reino por convênio.

(…) O antigo paradoxo continua sendo verdadeiro. Quando abrimos mão de nosso lado mundano ao fazermos parte do convênio, descobrimos e nos tornamos o melhor ser eterno que podemos ser — livres, vivos, reais”.3

Ser membro de um grupo de dança foi uma experiência significativa e instrutiva, mas, ao focar demais em meu rótulo de “dançarina”, perdi de vista minha identidade eterna.

O que me ajudou a voltar o foco para minha identidade eterna foi me lembrar de meus convênios batismais. Ao decidir moldar minha identidade por meu papel principal de discípula de Jesus Cristo, encontrei o senso de pertencimento que tanto almejava.

Também percebi que fazer e guardar convênios sagrados com Deus nos ajuda a focar em Cristo, o que contribui para termos sucesso em todos os aspectos da vida. Acredito que Cristo Se importa com meu amor pela dança e me ajudou a ter êxito nisso. Apenas precisei aprender a não deixar a dança ser a base de minha identidade.

Esta jornada mortal será diferente para cada pessoa, mas guardar convênios e permanecer no caminho do convênio pode trazer a todos nós o poder de que precisamos para nos tornarmos a melhor versão de nós mesmos.4

Aprofundar nosso amor pelos outros

Os relacionamentos de amor que cultivamos com as pessoas estão entre as partes mais gratificantes da vida, mas também podem ser difíceis de construir e manter. Por meio de nossos convênios, entenderemos melhor como amar as pessoas a nosso redor. O élder Gong disse: “Na revelação de nossa essência verdadeira e divina por meio de nossos convênios com Deus, aprendemos a reconhecer e amar nossos semelhantes tal como Ele o faz”.5

Os convênios podem transformar nossa perspectiva das relações terrenas. Por exemplo, depois que uma amiga minha foi batizada na casa dos 40 anos, comentou que tinha uma compreensão diferente de seu papel como mãe. O fato de saber que o Pai Celestial a orientaria por meio do dom do Espírito Santo lhe deu segurança de que ela poderia ajudar seus filhos a sobrepujarem seus desafios pessoais.

Ser alguém que guarda os convênios pode abençoar nossos relacionamentos de muitas formas, inclusive as seguintes:

  • Quando nos lembramos da natureza eterna dos convênios, conseguimos encontrar maior esperança, força e paciência nos relacionamentos difíceis.

  • Ao nos tornarmos melhores em cumprir promessas, conseguiremos desenvolver um nível de confiança mais profundo uns nos outros.6

  • “Chorar com os que choram” (Mosias 18:9) pode nos ajudar a cultivar proximidade e amor.

  • Quando reconhecemos que somos todos filhos do Pai Celestial, nosso coração se enche de amor até mesmo por totais desconhecidos (ver Doutrina e Convênios 18:10–11).

Esses são apenas alguns exemplos. Contudo, à medida que guardamos nossos convênios, o Pai Celestial pode nos conceder poder para desenvolvermos os atributos e as perspectivas necessários para relacionamentos bem-sucedidos, e sou grata por isso.

Fortalecer nosso relacionamento com Deus e Jesus Cristo

Embora seja verdade que as mesmas palavras são usadas quando as pessoas fazem certos convênios (como batismo e investidura no templo), duas palavras proferidas quando fiz esses convênios os tornaram exclusivos: Emily Abel. Essas duas palavras transformaram convênios universais em meu convite pessoal para que Cristo esteja presente em minha vida. Em razão desses convênios, agora estou, por meio do poder do sacerdócio, ligada a Cristo “por laços de amor”,7 e Ele está ligado a mim. O mesmo se dá com todos os que fazem convênios.

A dra. Ellie L. Young, professora adjunta de psicologia clínica e educação especial na Universidade Brigham Young, afirmou: “Estar ligados a Cristo significa conhecê-Lo. Sentimos Seu amor consolador. Sentimos Sua mão orientadora em nossa vida”.8

O objetivo de nossos convênios é, pelo menos em parte, ensinar-nos a amar nosso Pai Celestial e nosso Salvador, e conhecer a voz Deles (ver Alma 5:60). E ver nossos convênios como parte de um relacionamento pessoal e crescente com Eles é essencial para retornarmos ao caminho do convênio quando nos desviamos. Quando saímos da rota ao trilharmos o caminho do convênio, Eles nos chamam e nos convidam a voltar. O Pai Celestial e Jesus Cristo estão sempre dispostos a perdoar quando desejamos, com sinceridade, retornar a Eles.

Agora sei que honrar meus convênios significa ter um relacionamento forte com o Pai Celestial e Jesus Cristo. Mesmo depois de cometermos um pecado grave, nossos convênios não são anulados para sempre caso nos arrependamos. Nosso Pai Celestial e nosso Salvador nos convidam a voltar e iniciar a mudança. Como salientou o élder Jeffrey R. Holland, do Quórum dos Doze Apóstolos, “não lhes é possível afundar tanto a ponto de não ver brilhar a infinita luz da Expiação de Cristo”.9

Em um mundo com tanta competitividade, sou grata pelos convênios que me ajudam a me lembrar de meu valor infinito. Em um mundo repleto de relacionamentos complexos, sou grata pelos convênios que podem guiar minhas interações com as pessoas. E em um mundo marcado por desafios, sou grata a meu Pai Celestial e meu Salvador, que me ajudam a percorrer em segurança o caminho de volta para casa.