Quem Segue ao Senhor: Lições do Acampamento de Sião
    Notas de rodapé

    Quem Segue ao Senhor: Lições do Acampamento de Sião

    Extraído de um discurso do devocional da Semana da Educação: “Who’s on the Lord’s side? Now Is the Time to Show” [Quem Segue ao Senhor? Hoje Podemos Ver], proferido na Universidade Brigham Young–Idaho, em 30 de julho de 2010.

    A expedição do Acampamento de Sião, liderada pelo Profeta Joseph Smith em 1834, é um exemplo marcante da escolha de seguir ao Senhor. Rever a história do Acampamento de Sião pode ajudar-nos a aprender valiosas e eternas lições desse acontecimento significativo da história da Igreja.

    O Que Era o Acampamento de Sião?

    O Profeta Joseph Smith recebeu uma revelação em 1831 designando Independence, Condado de Jackson, Missouri, como a sede de Sião, o lugar central para a reunião dos santos dos últimos dias e o local para a Nova Jerusalém, identificada tanto na Bíblia como no Livro de Mórmon (ver D&C 57:1–3; ver também Apocalipse 21:1–2; Éter 13:4–6). Em meados de 1833, os colonos mórmons totalizavam aproximadamente um terço da população do Condado de Jackson. O número crescente de pessoas, a influência política em potencial e as distintas crenças religiosas e políticas dos recém-chegados foram objeto de preocupação para os outros colonos da região, que consequentemente obrigaram os membros da Igreja a deixar sua casa e suas propriedades. Quando os colonos mórmons não aceitaram o ultimato que lhes foi imposto, o povo do Missouri os atacou em 1833 e os forçou a partir.

    exiled Saints

    Forging Onward, Ever Onward [Avançar, Avançar], de Glen Hopkinson.

    A formação do Acampamento de Sião foi ordenada por revelação em fevereiro de 1834 (ver D&C 103). O propósito principal desse exército do Senhor era proteger os mórmons de novos ataques no Condado de Jackson — depois que a milícia tivesse cumprido sua obrigação de acompanhar os colonos em segurança de volta para sua casa e suas terras. O acampamento também foi formado para trazer dinheiro, suprimentos e apoio moral aos santos empobrecidos. Além disso, durante os meses de maio e junho de 1834, um grupo de mais de 200 voluntários membros da Igreja liderados pelo Profeta Joseph Smith viajou cerca de 1.450 quilômetros de Kirtland, Ohio, ao Condado de Clay, Missouri. Hyrum Smith e Lyman Wight também recrutaram um grupo menor de voluntários do território de Michigan e encontraram-se com o grupo do Profeta no Missouri. Entre os que participaram do Acampamento de Sião estavam Brigham Young, Heber C. Kimball, Wilford Woodruff, Parley P. Pratt, Orson Hyde e muitas outras pessoas proeminentes na história da Igreja.

    Meu propósito não é descrever os detalhes dessa difícil jornada ou recontar todos os acontecimentos espiritualmente significativos que ocorreram. Deixem-me simplesmente resumir um pouco os principais acontecimentos da expedição do Acampamento de Sião:

    • O governador Daniel Dunklin, do Missouri, não providenciou a ajuda militar necessária que prometera para que os colonos mórmons fossem reintegrados a suas terras.

    • As negociações realizadas entre os líderes da Igreja, as autoridades do Estado e os cidadãos do Condado de Jackson a fim de evitar um conflito armado para resolver disputas pelas propriedades não conseguiram chegar a um acordo satisfatório.

    • Por fim, o Senhor orientou Joseph Smith a dissolver o Acampamento de Sião e indicou por que o exército não havia atingido seus objetivos (ver D&C 105:6–13, 19).

    • O Senhor orientou os santos a praticarem uma política de boa vizinhança na região em preparação para o momento em que Sião fosse recuperada por meios legais em vez de militares (ver D&C 105:23–26, 38–41).

    O exército de Sião foi dividido em grupos menores no final de junho de 1834, e os documentos de dispensa foram emitidos nos primeiros dias de julho de 1834. A maioria dos voluntários retornou a Ohio.

    Que Lições Podemos Aprender com o Acampamento de Sião?

    etching of zions camp

    Por não ter conseguido restabelecer os santos em suas terras no Condado de Jackson, o Acampamento de Sião foi considerado por algumas pessoas um esforço malsucedido e inútil. Um irmão de Kirtland, que não teve fé para se unir voluntariamente ao acampamento, ao encontrar Brigham Young por ocasião de seu retorno do Missouri, perguntou-lhe: “‘Bem, o que vocês ganharam nessa jornada inútil ao Missouri com Joseph Smith?’ ‘Tudo o que pretendíamos’, respondeu prontamente Brigham Young. ‘Eu não trocaria a experiência que adquiri nessa expedição por todas as riquezas do Condado de Geauga’”, o condado onde na época se situava Kirtland.1

    Convido-os a pensar seriamente na resposta dada por Brigham Young: “Tudo o que pretendíamos”. Quais são as coisas principais que podemos aprender com uma tarefa que não atingiu seu propósito, mas deu aos santos daquela época e pode nos assegurar as bênçãos da vida eterna?

    Creio afinal que encontramos duas grandes lições na resposta do irmão Brigham àquela pergunta inconveniente: (1) a lição de testar, de separar o joio do trigo e de preparar; e (2) a lição de observar e seguir os líderes e de aprender com a experiência deles. Enfatizo que essas lições são tão importantes, se não são mais importantes, para nós aprendermos e aplicarmos em nossa vida hoje como o foram há cerca de 180 anos para os voluntários do Acampamento de Sião.

    A Lição de Testar, Separar e Preparar

    Os santos fiéis que marcharam no exército do Senhor foram testados e provados. Como declarou o Senhor: “Ouvi suas orações e aceitarei sua oferta; a mim convém que sejam trazidos até aqui para uma prova de sua fé” (D&C 105:19).

    De modo literal, os desafios físicos e espirituais do Acampamento de Sião constituíram uma separação entre o joio e o trigo (ver Mateus 13:25, 29–30; D&C 101:65), a divisão entre as ovelhas e os bodes (ver Mateus 25:32–33), uma separação entre os fortes e os fracos espiritualmente. Além disso, cada homem e cada mulher que se alistou no exército do Senhor deparou-se com uma pergunta incisiva e precisou responder a ela: “Quem segue ao Senhor?”2

    Enquanto Wilford Woodruff estava resolvendo seus assuntos profissionais e preparando-se para se unir ao Acampamento de Sião, seus amigos e vizinhos lhe disseram que não participasse dessa viagem arriscada. Eles o aconselharam: “Não vá, a menos que queira perder a vida”. Ele respondeu: “Se eu soubesse que seria atingido por uma bala que atravessaria meu coração no primeiro passo que eu desse no Missouri, eu iria”.3 Wilford Woodruff sabia que não precisava temer as consequências do mal contanto que fosse fiel e obediente. Ele claramente estava do lado do Senhor.

    De fato: “Hoje podemos ver”4 aqueles homens e mulheres fiéis que viveram em meados de 1834. No entanto, a decisão de marchar com o Profeta Joseph rumo ao Missouri não foi necessariamente uma resposta única, abrangente ou imediata à pergunta “Quem Segue ao Senhor?” Hoje podemos ver que aqueles santos demonstraram que seguiam ao Senhor frequente e repetidamente em meio à fadiga mental e física, com bolhas de sangue nos pés, comida inadequada e água impura, em meio a muitas decepções, dissensões e rebeliões dentro do acampamento e por ameaças externas de inimigos maldosos.

    Eles mostraram que seguiam ao Senhor por meio das experiências e das privações de cada hora, de cada dia e de cada semana. A grande combinação de muitos atos e de muitas escolhas aparentemente pequenas na vida desses fiéis santos é o que responde de maneira contundente à pergunta: “Quem segue ao Senhor?”

    De que maneira o teste e a separação que ocorreram na vida dos que participaram do Acampamento de Sião serviram de preparação? É interessante observar que oito dos irmãos chamados para o Quórum dos Doze Apóstolos em 1835, bem como todos os setentas chamados na mesma época, foram veteranos do Acampamento de Sião. Em uma reunião logo após o chamado dos setentas, o Profeta Joseph Smith declarou:

    “Irmãos, alguns de vós estais zangados comigo, por não haverdes lutado no Missouri, mas quero dizer-vos que o Senhor não desejava que lutásseis. Ele não poderia organizar Seu reino com 12 homens para abrir as portas do evangelho para as nações da Terra e com 70 homens sob a direção deles para seguir-lhes os passos a menos que Ele os tirasse de um corpo de homens que oferecera a própria vida e que fizera um sacrifício tão grande quanto o de Abraão.

    Agora, o Senhor tem Seus Doze e Seus Setenta, e haverá outros Quóruns dos Setentas chamados”.5

    De fato, o Acampamento de Sião foi o fogo refinador para todos os voluntários e particularmente para muitos líderes futuros da Igreja do Senhor.

    As experiências adquiridas pelos voluntários do exército do Senhor também foram uma preparação para uma grande migração futura de membros da Igreja. Mais de 20 pessoas que participaram do Acampamento de Sião tornaram-se capitães e tenentes em dois grandes êxodos — o primeiro, quatro anos depois, que foi a partida de 8 mil a 10 mil pessoas de Missouri para Illinois;6 e o segundo, 12 anos depois, foi o grande deslocamento de aproximadamente 15 mil santos dos últimos dias de Illinois para o Lago Salgado e para outros vales nas Montanhas Rochosas. Como um treinamento preparatório, o Acampamento de Sião foi de grande valia para a Igreja. O ano de 1834 foi o ano em que os santos mostraram que seguiam ao Senhor — e foi uma preparação para os anos de 1838 e de 1846.

    Como famílias e indivíduos, também seremos testados, selecionados e preparados, assim como o foram os membros do Acampamento de Sião. As escrituras e os ensinamentos dos apóstolos estão repletos de promessas de que a fé no Senhor Jesus Cristo, o agir, o honrar e o recordar os convênios sagrados, e a obediência aos mandamentos de Deus vão nos fortalecer e nos preparar para enfrentar as provações e os testes da mortalidade, para vencê-los e para aprender com eles.

    Os líderes da Igreja do Senhor identificam claramente algumas das provações coletivas ou de gerações que podemos encontrar em nossos dias e em nossa geração. Como Presidente do Quórum dos Doze Apóstolos em 1977, o Presidente Ezra Taft Benson (1899–1994) levantou uma voz profética de advertência em uma reunião com os representantes regionais. Cito agora extensivamente a mensagem do Presidente Benson e convido-os a ficar atentos a seu conselho oportuno:

    “Cada geração tem seus testes e a chance de se manter firme e provar a si mesma. Você sabe qual é um de nossos testes mais difíceis? Observe as palavras de Brigham Young: ‘O pior medo que tenho em relação a essas pessoas é que venham a enriquecer neste país, esquecer-se de Deus e de Seu povo, tornarem-se preguiçosos, abandonar a Igreja e ir para o inferno. Essas pessoas vão resistir às investidas das turbas, aos roubos, à pobreza e a toda sorte de perseguição e permanecerão fiéis. Entretanto meu maior medo é que não consigam resistir à riqueza’”.

    O Presidente Benson continua: “Parece que é aí que está a nossa prova mais difícil, pois são males mais sutis e insidiosos. Tudo parece menos ameaçador e mais difícil de detectar. Enquanto todas as provas de retidão exigem esforço, essa prova em particular não parece ser uma prova, não há esforço e por isso mesmo ela bem pode ser a mais enganosa de todas as provas.

    Sabem o que a paz e a prosperidade podem fazer com as pessoas? Podem fazer com sejam menos vigilantes. O Livro de Mórmon nos adverte de como Satanás, nos últimos dias, poderia nos conduzir cuidadosamente ao inferno. O Senhor tem na Terra gigantes espirituais em potencial, os quais Ele reservou por 6 mil anos para ajudar a liderar o reino triunfantemente, e o diabo tenta fazer com que eles sejam menos vigilantes. O adversário sabe que provavelmente não vai conseguir levá-los a cometer pecados grandes e graves. Então faz com que fiquem adormecidos, como Gulliver, enquanto os amarra com os pequenos pecados de omissão. E de que serve um gigante adormecido, neutralizado e indiferente como líder?

    women sitting in front of computer

    “Temos muitos gigantes espirituais em potencial que deveriam ser mais ativos em elevar seu lar, o reino e o país. Temos muitas pessoas que sentem que são bons homens e boas mulheres, mas precisam ser bons em algo — patriarcas fortes, missionários corajosos, oficiantes do templo e historiadores da família valentes, patriotas dedicados, membros de quórum devotados. Lições do Acampamento de Sião, precisamos ser chacoalhados e ser acordados do sono espiritual.”7

    Pensem que a abundância, a prosperidade e a facilidade podem ser uma provação hoje em dia igual ou ainda mais intensa do que a perseguição e as dificuldades enfrentadas pelos santos que se dispuseram a marchar no Acampamento de Sião. Como o Profeta Mórmon descreveu em seu excelente resumo do ciclo do orgulho relatado em Helamã 12:

    “E assim podemos ver quão falso e também quão inconstante é o coração dos filhos dos homens; sim, podemos ver como o Senhor, na grandeza de sua infinita bondade, abençoa e faz prosperar os que colocam nele a sua confiança.

    Sim, e vemos que é justamente quando ele faz prosperar seu povo, sim, aumentando seus campos, seu gado e seus rebanhos e ouro e prata e toda sorte de coisas preciosas de todo tipo e de todo estilo, preservando-lhes a vida e livrando-os das mãos de seus inimigos, abrandando o coração dos inimigos para que não lhes façam guerra; sim, e, em resumo, fazendo tudo para o bem e a felicidade de seu povo; sim, então é quando endurecem o coração, esquecendo-se do Senhor seu Deus e pisando o Santíssimo — sim, e isto em virtude de seu conforto e de sua enorme prosperidade” (Helamã 12:1–2).

    Convido-os a prestar atenção em especial na frase final do último versículo: “e isto em virtude de seu conforto e de sua enorme prosperidade”.

    O Presidente Harold B. Lee (1899–1973) da mesma maneira ensinou sobre o problema da facilidade que todos enfrentamos em nossos dias: “Somos provados, somos testados, estamos passando por uma das provações mais graves hoje em dia e não percebemos talvez a gravidade dela. Naqueles dias havia assassinatos, violência, exílio. Foram forçados a fugir para o deserto, estavam famintos, desnudos e com frio. Vieram para esta terra favorecida. Somos os herdeiros do legado que eles nos deixaram. Mas o que estamos fazendo com ele? Hoje desfrutamos de tal luxo nunca antes visto na história do mundo. Parece-me que essa provavelmente é a prova mais rigorosa que já se viu na história desta Igreja”.8

    Esses ensinamentos dos profetas modernos e antigos sobre os dias de testes e provações seriam sérios e solenes. No entanto, não devem ser desanimadores, e não devemos temer. Para os que têm olhos para ver e ouvidos para ouvir, as advertências espirituais levam ao aumento da vigilância cuidadosa. Vivemos em um “dia de advertência” (D&C 63:58). E como já fomos advertidos e continuaremos a sê-lo, precisamos estar, como admoestou o Apóstolo Paulo: “Vigiando (…) com toda a perseverança” (Efésios 6:18). Se vigiarmos e nos prepararmos devidamente, não precisamos temer (ver D&C 38:30).

    Quem segue ao Senhor? Esta é a época de mostrar que temos a mente e o coração que aceitam e estarão atentos a essas advertências inspiradas. Esta é a época de mostrar que estamos vigilantes e nos preparando para resistir aos desafios provenientes da prosperidade e do orgulho, da abundância e da facilidade, dos corações endurecidos e do esquecimento do Senhor e de nosso Deus. Esta é a época de mostrar que seremos honestos em todos os momentos e em todas as coisas que o Pai Celestial e Seu Filho Amado nos confiaram — e que vamos guardar os mandamentos de Deus e andar em retidão perante Ele (ver Alma 53:20–21).

    A Lição de Observar e Seguir os Líderes e Aprender com Eles

    Os santos fiéis do exército do Senhor foram abençoados por observar e seguir os apóstolos, e aprender com eles. E hoje podemos grandemente nos beneficiar do exemplo e da fidelidade dos membros dedicados do Acampamento de Sião.

    Atendendo ao conselho de Parley P. Pratt, Wilford Woodruff viajou para Kirtland, Ohio, em abril de 1834 para se unir ao Acampamento de Sião. O relato do irmão Woodruff a respeito de seu primeiro encontro com Joseph Smith é instrutivo para todos nós:

    “Aqui, pela primeira vez na vida, encontrei-me e tive uma entrevista com nosso amado Profeta Joseph Smith, o homem a quem Deus havia escolhido para receber Suas revelações nestes últimos dias. Minha primeira impressão não foi condizente com a ideia comumente preconcebida de como seria um profeta e qual seria sua aparência. Deve ter sido um choque para a fé de alguns homens. Encontrei-o com seu irmão Hyrum atirando em um alvo com um par de pistolas na cinta. Quando pararam de atirar, fui apresentado ao irmão Joseph, que me cumprimentou entusiasticamente com um aperto de mão. Convidou-me para ficar em sua casa durante o período de minha estada em Kirtland. Aceitei prontamente o convite e fui grandemente edificado e abençoado durante o período em que estive com ele”.9

    Considero relevante que o irmão Woodruff, que morou por um tempo na casa do Profeta e sem dúvida teve uma oportunidade extraordinária de observá-lo na rotina da vida diária, tenha sido abençoado com olhos para ver além da “ideia comumente preconcebida de como seria um profeta e qual sua aparência”. Essas noções falsas turvam a visão de muitas pessoas no mundo de hoje, tanto dentro como fora da Igreja restaurada do Senhor.

    Devido a meu chamado em 2004 para servir no Quórum dos Doze Apóstolos, tenho uma perspectiva claramente distinta sobre o que significa observar e seguir os apóstolos, e aprender com eles. Agora vejo diariamente as personalidades individuais, as várias preferências e o caráter nobre dos líderes da Igreja. Algumas pessoas consideram as limitações humanas das Autoridades Gerais preocupantes e inconvenientes para nossa fé. Para mim, essas imperfeições promovem a fé. O padrão de governo revelado pelo Senhor em Sua Igreja leva em conta e atenua o impacto das fraquezas humanas. É de fato um milagre para mim testemunhar o Senhor realizando Sua vontade por meio de Seus servos a despeito das imperfeições e das fraquezas de Seus líderes escolhidos. Esses homens nunca declararam ser perfeitos nem o são; entretanto, certamente foram chamados por Deus.

    Wilford Woodruff, um sacerdote na época em que acompanhou o exército do Senhor, declarou tempos depois enquanto servia como membro do Quórum dos Doze Apóstolos: “Adquirimos a experiência que jamais teríamos obtido de qualquer outra maneira. Tivemos o privilégio de (…) viajar mais de 1.500 quilômetros com [o Profeta] e ver o Espírito de Deus agir por meio dele, ver as revelações de Jesus Cristo dadas a ele e o cumprimento dessas revelações. (…) Se eu não tivesse participado do Acampamento de Sião, jamais estaria aqui hoje”.10

    No último domingo de abril de 1834, Joseph Smith convidou alguns líderes da Igreja para falar aos voluntários do Acampamento de Sião reunidos em uma escola. Depois que os irmãos haviam concluído a mensagem, o Profeta levantou-se e expressou que havia sido edificado pelas instruções. Em seguida, profetizou:

    “Quero dizer-lhes, porém, perante o Senhor, que não sabem acerca dos destinos desta Igreja e deste reino mais do que uma criancinha no regaço materno. Não o compreendem. (…) Estão vendo apenas um pequeno grupo de portadores do sacerdócio hoje aqui, mas esta Igreja encherá a América do Norte e do Sul e o mundo todo”.11

    Homens como Brigham Young, Heber C. Kimball, Orson Pratt e Wilford Woodruff ouviram e aprenderam muito com o Profeta naquela noite — e os anos seguintes ajudaram a cumprir seu pronunciamento profético. Que grandiosas oportunidades esses homens tiveram de observar e seguir o Profeta e aprender com ele.

    President Nelson with young man

    É importante que todos nós nos lembremos de que podemos aprender com os ensinamentos dos apóstolos e por meio dos exemplos de sua vida. Dada a visão majestosa do crescimento futuro da Igreja descrito pelo Profeta Joseph Smith, pensem agora no poder de seu exemplo pessoal ao desempenhar as tarefas terrenas rotineiras, porém essenciais. George A. Smith descreveu em seu diário a reação do Profeta aos desafios diários da marcha rumo ao Missouri.

    “O Profeta Joseph Smith sentiu a exaustão de toda a jornada. Além do cuidado em prover o sustento do acampamento e presidi-lo, caminhou a maior parte do tempo com bolhas, sangue e feridas nos pés. (…) No entanto, durante toda a viagem nunca murmurou nem reclamou, enquanto a maioria dos homens do acampamento se queixava de suas feridas nos pés, das bolhas, dos longos trajetos, da exiguidade das provisões, da má qualidade do pão, dos bolinhos ruins, da manteiga malcheirosa, do mel açucarado, do bacon e dos queijos estragados, etc., até mesmo um cão não podia latir para alguns homens, pois iam reclamar com Joseph. Se tinham que acampar sem água limpa, era quase motivo de rebelião, ainda assim éramos o Acampamento de Sião, e muitos não oravam, eram negligentes, descuidados, desatentos, tolos ou diabólicos, e não o sabíamos. Joseph tinha que nos suportar e nos orientar, como crianças.”12

    Joseph foi um exemplo notável do princípio ensinado por Alma: “Porque o pregador não era melhor que o ouvinte nem o mestre melhor que o discípulo; (…) e todos trabalhavam, cada um de acordo com suas forças” (Alma 1:26).

    Desde meu chamado como Autoridade Geral, tenho tentado observar e aprender com alguns dos meus irmãos que enfrentaram os efeitos da idade ou das demandas implacáveis das limitações físicas e dores constantes. Vocês não sabem nem nunca saberão do sofrimento calado e particular vivido por alguns desses homens ao servir publicamente com todo o seu coração, poder, mente e força. Servir com o Presidente Gordon B. Hinckley (1910–2008), com o Presidente James E. Faust (1920–2007), com o Élder Joseph B. Wirthlin (1917–2008), com o Presidente Boyd K. Packer (1924–2015), com o Élder L. Tom Perry (1922–2015), com o Élder Richard G. Scott (1928–2015) e com meus outros irmãos do apostolado e observá-los confere a mim o poder de declarar claramente e com autoridade que os irmãos com os quais sirvo são guerreiros — nobres e grandes guerreiros espirituais — no mais verdadeiro e admirável sentido da palavra! Sua paciência, persistência e coragem permitem-lhes “prosseguir com firmeza em Cristo” (2 Néfi 31:20), um exemplo que devemos seguir.

    O Presidente Lee advertiu-nos de um teste coletivo que está se tornando cada vez mais comum nesta geração: “Estamos passando por outro teste — um período que podemos chamar de sofisticação. É a época em que há muitas pessoas inteligentes que não estão dispostas a ouvir os humildes profetas do Senhor. (…) É um teste ainda mais sério”.13

    O teste da sofisticação é companheiro do teste da prosperidade e da facilidade. Como é importante para cada um de nós observar e seguir os apóstolos e aprender com eles.

    members of the First Presidency

    “Quem segue ao Senhor?” Esta é a época de mostrar que seguimos ao Senhor ouvindo e acatando os conselhos dos apóstolos e provetas vivos de Deus nestes últimos dias para supervisionar e dirigir Sua obra na Terra. Agora é a época de mostrar que cremos que a palavra de Deus “não passará, mas será toda cumprida, seja pela [Sua] própria voz ou pela voz de [Seus] servos, é o mesmo” (D&C 1:38). Hoje iremos ver. O tempo é agora!

    Nosso Acampamento de Sião

    Haverá ocasiões em nossa vida em que seremos chamados a marchar em nosso próprio Acampamento de Sião. A época em que seremos chamados varia, e os obstáculos particulares que venhamos a encontrar em nossa jornada serão diferentes. Mas nossa atitude contínua e consistente diante desse inevitável chamado constituirá a resposta à pergunta: “Quem segue ao Senhor?”

    A época de mostrar é agora, hoje, amanhã e sempre. Que sempre nos lembremos das lições relacionadas aos testes, à separação e à preparação, e também observemos e sigamos os apóstolos e aprendamos com eles.

    Notas

    1. Brigham Young, em B. H. Roberts, A Comprehensive History of the Church [História Abrangente da Igreja], vol. 1, pp. 370–371.

    2. “Quem Segue ao Senhor?”, Hinos, nº 150.

    3. The Discourses of Wilford Woodruff [Discursos de Wilford Woodruff], ed. G. Homer Durham, 1946, p. 306.

    4. “Quem Segue ao Senhor?”, Hinos, nº 150.

    5. Joseph Smith, em Joseph Young Sr., History of the Organization of the Seventies [História da Organização dos Setentas], 1878, p. 14; ver também History of the Church [História da Igreja], vol. 2, p. 182.

    6. Ver Alexander L. Baugh, “From High Hopes to Despair: The Missouri Period, 1831–1839” [Da Esperança ao Desespero: O Período no Missouri, 1831–1839], Ensign, julho de 2001, p. 44.

    7. Ezra Taft Benson, “Our Obligation and Challenge” [Nossa Obrigação e Nosso Desafio], Seminário para Representantes Regionais, 30 de setembro de 1977, pp. 2–3; documento não publicado.

    8. Harold B. Lee, “Christmas address to Church employees” [Devocional de Natal para funcionários], 13 de dezembro de 1973, pp. 4–5; documento não publicado.

    9. Wilford Woodruff, em Matthias F. Cowley, Wilford Woodruff: History of His Life and Labors [História da Vida e do Trabalho de Wilford Woodruff], 1909, p. 39.

    10. Wilford Woodruff, em The Discourses of Wilford Woodruff, [Discursos de Wilford Woodruff], p. 305.

    11. Joseph Smith em Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Wilford Woodruff, 2004, pp. 25–26; ver também Joseph Smith, citado por Wilford Woodruff, Conference Report, abril de 1898, p. 57.

    12. George A. Smith, “My Journal” [Meu Diário], Instructor, maio de 1946, p. 217.

    13. Harold B. Lee, “Sweet Are the Uses of Adversity” [Doces São os Propósitos da Adversidade], Instructor, junho de 1965, p. 217.