2017
Em Tempo Recorde
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Nosso Lar, Nossa Família

Em Tempo Recorde

O autor vivia na Califórnia, EUA, na época dessa experiência.

Só algo fora do comum me faria chegar em casa a tempo para o batismo de minha filha.

Airplanes

Fotografias: Getty Images

Minha filha acabara de completar 8 anos de idade e estava ansiosa para que eu a batizasse. Seus avós também viriam para a ocasião especial, o que acrescentou mais alegria e expectativa. Entretanto, quanto mais o grande dia se aproximava, mais parecia que talvez eu não pudesse comparecer ao batismo.

Meu emprego como piloto de aviões do Exército e oficial assistente de operações de esquadrão raramente era tranquilo, mas o ritmo tornou-se mais intenso quando o oficial de operações teve que atender outra designação. Eu tinha várias missões a cumprir, uma atrás da outra. Para conseguir o número necessário de equipes de voo, fui forçado a cancelar treinamentos, suspender algumas funções do esquadrão e cancelar férias que já haviam sido planejadas meses antes.

Equipes partiam com ordens de voo de 21 dias com poucas chances de voltar mais cedo para casa. E quando o oficial de operações e o outro oficial assistente voltaram, ficou difícil justificar minha permanência ali devido a um evento familiar. Como eu poderia me recusar a partir quando havia exigido sacrifícios de tantos outros companheiros?

Fiquei muito dividido. Sempre tentei colocar a família à frente de minha carreira, mas essas eram circunstâncias incomuns e eu também tinha a obrigação de servir a meu país. O oficial de operações, mesmo não sendo membro da Igreja, entendeu a importância do evento para minha família e deixou que eu mesmo tomasse a decisão. Depois de muitas considerações e orações em família, fiz o que senti ser certo e me escalei para a próxima missão fora dali.

Quando minha tripulação foi avisada de que a missão começaria na segunda-feira de manhã, não parecia haver a menor chance de eu estar de volta para o batismo de minha filha no sábado. Deveríamos voar para um local onde nos pegariam, depois iríamos para uma base, onde deveríamos descansar antes de voar novamente. Mais tarde íamos voar para outro local e descansar, depois levar uma carga para um lugar muito distante e, no voo de volta, parar para que outra tripulação pudesse descansar, voltar para coletar mais carga e começar o ciclo mais uma vez. Normalmente leva pelo menos sete dias para completar esse circuito só uma vez, mas eu sabia que minha família estava orando para que eu voltasse. A fé e as orações deles ajudaram-me a ter fé, e logo ficou claro que eu não estaria numa missão comum.

Primeiro, em vez de parar por um dia ou dois, nossa missão foi designada para reabastecer no ar e continuar sem paradas até nosso destino internacional. Depois, após um período mínimo de descanso legal para a tripulação, fomos enviados a uma missão diferente em vez do local distante de entrega de carga. A descarga de equipamentos e o reabastecimento em terra em nosso destino transcorreram muito bem e, depois de outro período mínimo de descanso, fomos avisados para retornar diretamente à nossa base. Íamos ficar em casa por um dia ou dois!

Eu estava exultante para contar a minha família que estava quase em casa. Mas minha esposa me disse que o horário do serviço batismal havia mudado de 5 horas da tarde para as 2 horas devido a uma atividade dos jovens da estaca. Liguei para o gerente de transporte aéreo e expliquei a situação. Depois de uma breve pausa, ele respondeu que havia a possibilidade de adiar nosso próximo alerta até as 5 horas da tarde de sábado — o horário marcado inicialmente para o batismo!

No voo de volta, ao avistarmos a cadeia de montanhas perto de casa, vi que ainda havia um teste de fé a enfrentar: as luzes da cidade abaixo estavam cobertas por um nevoeiro. Esta seria a pior visibilidade que eu já enfrentara. Rapidamente fizemos um plano para desviar para outro campo de pouso, se necessário, preenchemos a lista de verificação e voamos para baixo para observar.

Ao nos dirigirmos para a pista a 60 metros acima no nível da terra, fomos completamente envolvidos pelo nevoeiro. De repente, ao passar a 40 metros, havia uma pista iluminada à nossa frente e, alguns segundos mais tarde, estávamos a salvo em terra. Todos suspiraram de alívio.

Baptism

Fotografia gentilmente cedida pela família Bairett

Uma cadeia sem precedentes de aparentes coincidências possibilitou que minha tripulação fizesse uma viagem ao outro lado do mundo, cumprisse suas designações e voltasse em tempo recorde, e eu pude estar em casa por um curto período que coincidiu com o batismo de minha filha. Com a ajuda do Senhor, consegui cumprir minha obrigação para com meu país, meu esquadrão e, principalmente, minha família. A vida seguiria seu curso se precisássemos reagendar o batismo de nossa filha, mas o Pai Celestial nos mostrou que nos amava e que ouvira nossas orações. Ele deu à minha filha a lembrança daqueles acontecimentos milagrosos como um testemunho de Seu amor por ela, e minha esposa e eu ganhamos um testemunho mais forte de que “tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, que seja justo, acreditando que recebereis, eis que vos será dado” (3 Néfi 18:20).