2015
    A Porta Chamada Batismo
    Notas de rodapé
    Theme

    A Porta Chamada Batismo

    Oro para que cada um de nós alcance uma melhor compreensão de nossa necessidade do batismo, do acesso que ele nos proporciona ao processo contínuo de conversão e do misericordioso amor expiatório de nosso Salvador.

    Glen (o nome foi mudado) levara uma vida marcada pelo caos e conflito. Quando adolescente, tinha se envolvido em gangues, crimes e atos de violência. Ao conhecer os missionários, achou que as coisas nas quais eles acreditavam eram boas demais para serem verdade. Mas, com o tempo, veio a saber que de fato eram verdade e que tinham mais valor do que qualquer outro conhecimento que ele já adquirira.

    Depois de pôr ordem em sua vida, arrepender-se sinceramente e começar a viver o evangelho, Glen entrou nas águas do batismo. Encontrou uma nova vida com luz, paz e alegria. Ficou puro diante do Senhor.

    Néfi disse:

    “Portanto fazei as coisas que eu vos disse ter visto vosso Senhor e Redentor fazer; porque por esta razão me foram mostradas, para que possais conhecer a porta pela qual deveis entrar. Porque a porta pela qual deveis entrar é o arrependimento e o batismo com água; e recebereis, então, a remissão de vossos pecados pelo fogo e pelo Espírito Santo.

    E estareis então no caminho estreito e apertado que conduz à vida eterna; sim, havereis entrado pela porta” (2 Néfi 31:17–18).

    Ilustrações: J. Kirk Richards

    Esses versículos ensinam claramente que o batismo, o símbolo sagrado de um convênio entre Deus e Seus filhos, é necessário para nossa salvação (ver também Marcos 16:16; Atos 2:38; 2 Néfi 9:23–24). De fato, essa ordenança é tão importante e indispensável que o próprio Jesus foi batizado para “cumprir toda a justiça” (Mateus 3:15).

    A explicação de Néfi sobre isso não deixa margem a dúvidas: “E agora, se o Cordeiro de Deus, sendo santo, terá necessidade de ser batizado com água para cumprir toda a justiça, quanto mais necessidade não teremos nós, sendo impuros, de sermos batizados, sim, com água!” (2 Néfi 31:5.)

    Quando somos batizados, testificamos ao Pai que estamos dispostos a fazer o convênio de “entrar no rebanho de Deus e ser chamados seu povo; e (…) [estamos] dispostos a carregar os fardos uns dos outros, para que fiquem leves;

    Sim, e [estamos] dispostos a chorar com os que choram; sim, e consolar os que necessitam de consolo e servir de testemunhas de Deus em todos os momentos e em todas as coisas e em todos os lugares em que [nos encontremos], mesmo até a morte; para que [sejamos] redimidos por Deus e contados com os da primeira ressurreição, para que [tenhamos] a vida eterna” (Mosias 18:8–9).

    Renovamos esse convênio todos os domingos ao tomarmos o sacramento. As palavras do convênio, conforme formuladas nas orações sacramentais, instam os filhos do Pai Celestial a testificar que “desejam tomar sobre si o nome de [seu] Filho e recordá-lo sempre e guardar os mandamentos que ele lhes deu, para que possam ter sempre consigo o seu Espírito” (D&C 20:77).

    Uma Ordenança Introdutória

    Além de testificar de nossa disposição de obedecer a Deus, o batismo nos permite entrar no reino de Deus, que é a Igreja de Jesus Cristo na Terra. O Guia para Estudo das Escrituras nos ensina: “O batismo por imersão na água, efetuado por quem possui autoridade, é a ordenança introdutória do evangelho, necessária para que a pessoa se torne membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.1

    O Salvador definiu claramente o propósito do batismo quando ensinou a Nicodemos: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus” (João 3:5).

    O batismo autorizado é necessário para habitarmos na presença do Pai e do Filho, mas me alegro que o batismo tenha outro propósito fundamental. O batismo não é apenas a porta pela qual entramos na Igreja do Senhor e futuramente no Reino Celestial, mas também a porta para o processo precioso, indispensável e contínuo de tornarmo-nos “perfeitos em Cristo” (Morôni 10:32, 33) que cada um de nós deseja e de que tanto necessita. Esse processo, conforme descrito na quarta regra de fé, começa com a fé no Senhor Jesus Cristo, é seguido pelo arrependimento, depois vem o “batismo por imersão para remissão de pecados” e, por fim, o recebimento do Espírito Santo.

    Em termos simples, podemos chamar esse processo contínuo de conversão. Jesus referiu-Se a isso em Suas palavras a Nicodemos. Como o Mestre dos mestres, Ele abordou a questão implícita de Nicodemos sobre o que precisamos fazer para ser salvos, dizendo: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (João 3:3).

    Nascer de novo exige mais do que o batismo, explicou o Élder David A. Bednar, do Quórum dos Doze Apóstolos:

    “O renascimento espiritual descrito [nas escrituras] normalmente não ocorre de imediato ou de uma só vez; é um processo contínuo, não um evento isolado. (…)

    Iniciamos o processo de nascer de novo exercendo fé em Cristo, arrependendo-nos de nossas faltas e sendo batizados, por imersão, para a remissão dos pecados, por uma pessoa que possua a autoridade do sacerdócio”. Mas outros “passos essenciais no processo de nascer de novo” incluem “imersão e saturação totais no evangelho do Salvador”.2

    “Nascer de novo” é outra maneira de referir-se à conversão. É ter “um coração quebrantado e um espírito contrito”, a única oferta que o Salvador afirmou que aceitará (ver 3 Néfi 9:19–20). Certamente, nenhum de nós conseguirá “ver” o reino de Deus até termos “experimentado esta poderosa mudança em [nosso] coração” (Alma 5:14; ver também Mosias 5:2; Alma 5:26).

    Esse processo, que leva à remissão de nossos pecados, começa com a fé suficiente para nos arrependermos e sermos batizados. Mórmon explicou esse princípio ao ensinar: “E o primeiro fruto do arrependimento é o batismo; e o batismo vem pela fé, para cumprirem-se os mandamentos; e o cumprimento dos mandamentos traz remissão de pecados” (Morôni 8:25).

    Assim como muitos membros da Igreja, não passei por uma experiência de conversão excepcional como a de Glen e outros. Nasci “de bons pais” (1 Néfi 1:1; ver também Enos 1:1) e fui batizado aos oito anos de idade. Como uma pessoa assim pode ter a mesma conversão vivenciada pelos que se filiam à Igreja com mais idade?

    A Porta para uma Conversão Duradoura

    Trata-se de uma das coisas mais maravilhosas que cada um de nós pode fazer para entender sobre a porta chamada batismo. O batismo não é o destino final nem mesmo quando acompanhado do elemento essencial do dom do Espírito Santo. O batismo é a porta que dá acesso ao processo contínuo da conversão verdadeira e duradoura, um processo que se prolongará por toda a vida.

    Assim como com qualquer novo membro, o processo inicia-se com o desejo sincero e fervoroso de fazer a vontade do Pai sendo batizado. Começa com uma avaliação meticulosa de todos os nossos pecados anteriores e um empenho irrestrito para cessá-los, confessá-los, fazer a restituição quando possível e nunca voltar a praticá-los. Após o batismo, recebemos o direito à companhia constante do Espírito Santo, contanto que sempre recordemos o Salvador em tudo o que pensarmos, fizermos e formos. E assim somos purificados (ver 2 Néfi 31:17).

    Mas e se cometermos outro pecado depois de sermos batizados? Tudo está perdido? Em Sua infinita misericórdia, nosso Pai previu nossas fraquezas humanas. Podemos retomar o processo de fé e esperança em Cristo e o arrependimento sincero. Mas, dessa vez e em vezes subsequentes, a ordenança do batismo, em regra, não é mais necessária. Para isso, o Senhor criou a ordenança do sacramento. Ela nos dá semanalmente a oportunidade de nos autoexaminarmos (ver I Coríntios 11:28) e simbolicamente depormos nossos pecados no altar do Senhor ao nos arrependermos sinceramente, voltarmos a buscar Seu perdão e depois seguirmos avante em novidade de vida.

    Esse é o processo mencionado pelo rei Benjamim ao falar de “[nos despojarmos] do homem natural e [nos tornarmos santos] pela expiação de Cristo, o Senhor” (Mosias 3:19). Esse processo que alivia nossos fardos e literalmente nos exalta foi citado por Paulo ao falar de sermos “sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. (…)

    Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado” (Romanos 6:4, 6).

    Esse é o processo contínuo e cumulativo que nos permite regozijar-nos com os anjos na misericórdia e nos méritos de Cristo (ver Alma 5:26). Inclui o crescimento espiritual a nosso alcance quando recebemos as ordenanças e guardamos os respectivos convênios oferecidos nas ordenações ao sacerdócio e no templo.

    Oro para que cada um de nós alcance uma melhor compreensão de nossa necessidade do batismo, do acesso que ele nos proporciona ao processo contínuo de conversão e do misericordioso amor expiatório de nosso Salvador, que está “à porta” (Apocalipse 3:20) e nos convida a entrar e a habitar com Ele e o Pai para sempre.