Amigos em Vava‘u
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Amigos em Vava‘u

Ifoni Tapueluelu era um menino solitário, o único filho de uma família só de irmãs. Suas irmãs estavam crescendo, fazendo outras amizades e desenvolvendo outros interesses. Ele precisava, então, de um amigo.

Um dia, Ifoni, na época com treze anos, estava nadando perto de uma ponte em Vava‘u, uma bela ilha de Tonga. Outras crianças também nadavam lá, e Ifoni notou um menino — mais tarde soube que era Peter — que estava sozinho e parecia quase tão solitário quanto ele. Quando viu Peter, pensou: Ele não tem amigos, mas precisa de alguém. E eu preciso de um amigo também. Em pouco tempo, os dois tornaram-se inseparáveis — exceto quando Ifoni ia à Igreja.

A ilha de Vava‘u possui três estacas e várias alas e ramos. Ifoni cresceu na Igreja, assim como muitos membros de Tonga. Ele foi batizado aos oito anos e, ao tornar-se diácono, freqüentava fielmente as reuniões de sua ala, cumpria suas obrigações e participava das atividades.

O novo amigo, Peter McLean, já havia passado por alguns infortúnios. Seu pai morrera enquanto pescava no mar. Assim, Peter, suas irmãs, Lilika e Lei, e sua mãe, Hainite, ficaram sozinhos. Peter admite que sofreu. Sua tia o persuadira a freqüentar a Escola Secundária de Saineha, de responsabilidade da Igreja, mas como se sentiu meio deslocado, faltava sempre às aulas. O diretor e os professores eram pacientes e continuaram incentivando-o a voltar. Foi então que conheceu Ifoni, e sua vida começou a mudar.

À medida que Peter e Ifoni se tornaram melhores amigos, Ifoni naturalmente começou a convidar Peter para acompanhá-lo em tudo — à mutual, ao Seminário e às reuniões de domingo. A princípio, Peter não sabia praticamente nada sobre a Igreja. Mas tinha um ótimo amigo que lhe ensinaria tudo.

Ifoni tinha um forte testemunho, que foi reforçado graças a alguns acontecimentos miraculosos da sua infância. Aos oito anos, quando brincava de lutar espada com um machete (espécie de facão) de verdade e muito afiado, Ifoni foi atingido no olho. O médico disse que ele ficaria cego daquela vista. O pai do menino e seu bispo deram-lhe uma bênção do sacerdócio, pedindo que, se assim o Senhor desejasse, que sua visão fosse restaurada. Três meses depois, já conseguia enxergar, embora tenha ficado com a cicatriz. Uma vez, assim que chegou a eletricidade à pequena vila onde sua família morava, ele quase foi eletrocutado. Mas novamente recebeu uma bênção do sacerdócio, e sua vida foi poupada. Hoje, como adolescente, ele não tem dúvidas sobre o poder do sacerdócio. “Quando recebi o Sacerdócio Aarônico”, conta, “minha mãe me incentivou a ser fiel ao poder do Senhor. É muito importante permanecer puro e ser digno de possuir o Sacerdócio Aarônico.”

E Ifoni sabia que Peter precisava das mesmas bênçãos em sua vida.

Peter gostava de ir às atividades da Mutual, mas nem sempre queria ir à Igreja aos domingos. “Todo domingo, Ifoni ficava na porta de casa me esperando”, diz Peter, “Ele não desistia.”

Então, o testemunho de Peter começou a crescer. O Seminário ajudou muito. “Um dia, o professor explicou sobre como resistir a Satanás e enfrentar as provações do dia-a-dia”, relata Peter. “Doutrina e Convênios 10:5 fala sobre orar com fervor a fim de resistir à tentação. Sempre penso nessa escritura.”

Agora, com dezessete anos, Ifoni e Peter não vêem a hora de servir em uma missão. Eles serão ótimos missionários, pois enxergam possibilidades onde os outros vêem dificuldades. Por exemplo, mais da metade da população de Vava‘u, que é de 15.000 pessoas, são membros da Igreja, menciona Peter. Depois pergunta: “Você não acha que é possível ajudar a outra metade a se converter à Igreja?” Nota-se, então, um descrédito quanto a tal conversão generalizada. Mas um simples olhar no rosto de Peter e Ifoni dissipa tais dúvidas. Eles possuem fé; e com essa fé tudo é possível.

Enquanto se preparam para a missão, ambos desempenham o chamado de secretário adjunto da Ala 4 de Neiafu, na Estaca Neiafu Vava‘u Tonga Oeste. Como parte desse chamado, eles precisam passar quinze horas por semana na capela, atualizando registros e cuidando do jardim.

Peter e Ifoni vêem o evangelho como uma grande força em sua vida e na vida dos habitantes de Vava‘u. E mal conseguem esperar pelo dia em que, devidamente vestidos como missionários, compartilharão o seu tempo a fim de proclamar o evangelho.

Peter explica que há uma escritura que aprendeu no Seminário, que tornou-se sua oração pessoal:

“E rogamos-te, Pai Santo, que teus servos saiam desta casa armados de teu poder; e que teu nome esteja sobre eles e tua glória ao redor deles e que teus anjos os guardem;

E que deste lugar levem novas sumamente grandes e gloriosas aos confins da Terra, em verdade para que saibam que esta é tua obra e que estendeste a mão para cumprir o que disseste pela boca dos profetas, concernente aos últimos dias.” (D&C 109:22–23)

Naturalmente, a escritura preferida de Ifoni fala sobre ajudar os outros. Está em Doutrina e Convênios 81:5–6, onde o Senhor diz para ser fiel e “[erguer] as mãos que pendem e [fortalecer] os joelhos enfraquecidos”.

E é exatamente isso que Ifoni fez quando viu alguém que precisava de um amigo. Sua amizade mudou o curso da vida de Peter. E o resultado? Dois amigos, juntos, bem mais fortes no evangelho do que quando sozinhos.