2010–2019
    Aqui para Servir em uma Causa Justa
    Notas de rodapé
    Tema

    Aqui para Servir em uma Causa Justa

    Que decidamos servir em uma causa justa como valentes representantes de nosso Senhor Jesus Cristo.

    Sou grata por podermos nos reunir com mulheres fiéis, assim como Lisa — a irmã que aparece no vídeo — que são puras de coração, que amam ao Senhor e servem a Ele, mesmo em meio a suas próprias tribulações. A história de Lisa me faz lembrar que devemos amar umas às outras e ver, umas nas outras, a beleza da alma. O Salvador ensinou: “Lembrai-vos de que o valor das almas é grande à vista de Deus”.1 Quer tenhamos 8 ou 108 anos de idade, cada uma de nós é “[preciosa] aos (…) olhos [Dele]”.2 Ele nos ama. Somos filhas de Deus. Somos irmãs em Sião. Nossa natureza é divina e cada uma de nós tem um trabalho glorioso a realizar.

    No verão, visitei uma bela jovem mãe de meninas. Ela expressou seu sentimento de que nossas jovens precisam de uma causa, algo que as ajude a sentir-se valorizadas. Ela sabia que podemos descobrir nosso valor individual e eterno ao agirmos de acordo com nosso propósito divino na mortalidade. Hoje, este belo e extraordinário coro entoou um hino cujas palavras ensinam nosso propósito. Em meio a testes e provações, sim, cercadas por temor e desespero, nosso coração é valente. Estamos decididas a fazer nossa parte. Estamos aqui para servir em uma causa justa.3 Irmãs, nesta causa, somos todas valorizadas. Todas somos necessárias.

    A causa justa na qual servimos é a causa de Cristo. É o trabalho de salvação.4 O Senhor ensinou: “Esta é minha obra e minha glória: Levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem”.5 Nós somos a razão pela qual Jesus Cristo sofreu, sangrou por todos os poros e, com amor perfeito, deu Sua vida. Sua causa são as boas novas, “as alegres novas, (…) que ele veio ao mundo, sim, Jesus, para ser crucificado pelo mundo e para tomar sobre si os pecados do mundo e para santificar o mundo e purificá-lo de toda iniquidade; para que, por intermédio dele, fossem salvos todos”.6 Nosso Salvador “nos mostrou a senda que conduz”.7 Testifico que, se seguirmos Seu exemplo, amarmos a Deus e servirmos umas às outras com bondade e compaixão, poderemos nos apresentar puras, “sem culpa perante Deus no último dia”.8 Escolhemos servir ao Senhor em Sua causa justa a fim de que nos tornemos um com o Pai e com o Filho.9

    O Profeta Mórmon corajosamente declarou: “Porque enquanto habitarmos este tabernáculo de barro, temos uma obra a executar, para vencermos o inimigo de toda retidão e para que nossa alma descanse no reino de Deus”.10 Os primeiros líderes da Igreja e os pioneiros do passado prosseguiram com coragem heroica e fidelidade inabalável a fim de estabelecer o evangelho restaurado e construir templos, onde as ordenanças de exaltação pudessem ser realizadas. Os pioneiros do presente, ou seja, vocês e eu, também prosseguimos com firmeza na fé, “a fim de [trabalhar na vinha do Senhor] para a salvação da alma dos homens”.11 E, como o Presidente Gordon B. Hinckley ensinou: “Quão magnífico será o futuro à medida que o Todo-Poderoso prosseguir Seu glorioso trabalho (…) por meio do [serviço] altruísta daqueles cujo coração está cheio de amor pelo Redentor do mundo”.12 Estamos unidas a irmãs fiéis do passado, do presente e da nova geração no trabalho de salvação.

    Antes de nascer, aceitamos o plano de nosso Pai Celestial “segundo o qual [nós poderíamos] obter um corpo físico e adquirir experiência terrena a fim de [progredirmos] rumo à perfeição, terminando por alcançar [nosso] destino divino como herdeiros da vida eterna”.13 A respeito desse convênio pré-mortal, o Élder John A. Widtsoe explicou: “Concordamos, por ocasião do conselho, em ser salvadores não só de nós próprios, mas (…) salvadores de toda a família humana. Fizemos uma sociedade com o Senhor. A execução do plano tornou-se assim não só obra do Pai e do Salvador, mas também nossa. Até mesmo o menor de nós, o mais humilde, está em parceria com o Todo-Poderoso para cumprir o propósito do plano eterno de salvação”.14

    Aqui, na mortalidade, fizemos novamente o convênio de servir ao Salvador no trabalho de salvação. Ao participar das ordenanças sagradas do sacerdócio, prometemos embarcar no serviço de Deus com coração, poder, mente e força.15 Recebemos o Espírito Santo e buscamos Sua inspiração para guiar nosso trabalho. A retidão propaga-se pelo mundo quando compreendemos o que Deus quer que façamos e, em seguida, o fazemos.

    Conheço uma criança da Primária que, enquanto estava no ponto de ônibus, disse a um amigo: “Ei, você deveria vir à igreja comigo e aprender sobre Jesus!”

    Vi as meninas em uma aula das Moças entrelaçar os braços juntas e assumir o compromisso de ministrar umas às outras e em seguida, planejar uma maneira adequada de ajudar uma moça que enfrentava um vício.

    Já vi jovens mães darem todo o seu tempo, seus talentos e sua energia a fim de ensinar e exemplificar os princípios do evangelho de modo que seus filhos, como os filhos de Helamã, enfrentassem com coragem e fidelidade as provações, tentações e adversidades.

    Mas, talvez o que mais me enterneceu foi ouvir uma irmã adulta solteira declarar com o fogo do puro testemunho que o trabalho mais importante que podemos fazer é preparar-nos para o casamento e a família. Embora essa não seja sua experiência, ela sabe que a família é a parte fundamental do trabalho de salvação. “O plano divino de felicidade permite que os relacionamentos familiares sejam perpetuados além da morte.”16 Honramos o plano do Pai e glorificamos a Deus ao fortalecermos e magnificarmos esses relacionamentos no novo e eterno convênio do casamento. Escolhemos viver em pureza e virtude de modo que, quando a oportunidade chegar, estejamos preparadas para fazer esse convênio sagrado na casa do Senhor e guardá-lo para sempre.

    Todas passamos por várias épocas e estações em nossa vida. Porém, seja na escola, no trabalho, no bairro ou especialmente em casa, somos representantes do Senhor e estamos a serviço Dele.

    No trabalho de salvação, não há espaço para comparações, críticas ou condenação. Não se trata de idade, experiência ou aclamação pública. Esse trabalho sagrado diz respeito a desenvolver um coração quebrantado, um espírito contrito e o desejo de usar nossos dons divinos e talentos especiais para fazer a obra do Senhor à maneira Dele. É sobre ter a humildade de ajoelhar-se e dizer: “Meu Pai, (…) não seja como eu quero, mas como tu queres”.17

    Com a força do Senhor podemos “fazer todas as coisas”.18 Buscamos continuamente Sua orientação por meio da oração, das escrituras e pelos sussurros do Espírito Santo. Uma irmã, diante de uma tarefa muito difícil, escreveu: “Às vezes, imagino se as irmãs no início da história da Igreja, assim como nós, não se deitavam para dormir à noite e oravam: ‘Seja o que for que aconteça amanhã, ajude-me, por favor, a enfrentar?’” Em seguida, ela escreveu: “Uma das bênçãos é [que] podemos contar umas com as outras e que estamos nisso juntas!”19 A despeito de nossas circunstâncias ou de onde estamos no caminho para a salvação, estamos juntas, em união, em nosso comprometimento com o Salvador. Apoiamo-nos mutuamente no trabalho Dele.

    Hoskins, Ella. Biography

    Vocês talvez tenham lido recentemente a respeito da irmã Ella Hoskins, que, aos 100 anos de idade, foi chamada para ajudar as moças da ala com o Progresso Pessoal.20 Por volta de dois anos mais tarde, aos 102 anos, a irmã Hoskins ganhou o certificado de Reconhecimento das Moças. As moças, as presidências das Moças e da Sociedade de Socorro da ala e da estaca e os familiares se reuniram para comemorar a conquista. Limites como idade, organização e estado civil desvaneceram devido ao serviço fiel. As moças expressaram gratidão à irmã Hoskins por seu ensinamento e por seu exemplo de retidão. Elas queriam ser como aquela irmã. Em seguida, perguntei à irmã Hoskins: “Como você conseguiu?”

    Ela imediatamente respondeu: “Eu me arrependo todos os dias”.

    Por causa de uma senhora tão amável, tão cheia do Espírito do Senhor que a fazia resplandecer com pura luz, lembrei-me de que devemos ser puras a fim de brilhar com a beleza da santidade, permanecer com o Salvador e abençoar outras pessoas. A pureza se torna possível por meio da graça de Cristo à medida que negamos a iniquidade e escolhemos amar a Deus com poder, mente e força.21 O Apóstolo Paulo ensinou: “Foge (…) dos desejos da mocidade; e segue a justiça, a fé, a caridade, e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor”.22 Nenhuma de nós é perfeita. Todas cometemos erros. Mas nós nos arrependemos para que possamos ser melhores e “conservar sempre o nome [de Cristo] escrito em [nosso] coração”.23 Ao servirmos em nome do Senhor com pureza de coração, refletimos o amor do Salvador e concedemos aos outros um vislumbre do céu.

    Que decidamos servir em uma causa justa como valentes representantes de nosso Senhor Jesus Cristo. Lembremo-nos de permanecer juntas e “com alegria [em nosso] coração, [prosseguir] vivendo o evangelho, amando ao Senhor e construindo [Seu] reino”.24 Testifico que, neste trabalho glorioso, podemos conhecer o puro amor de Deus. Podemos receber a verdadeira alegria e obter todas as glórias da eternidade. No sagrado nome de Jesus Cristo. Amém.