2010–2019
Paternidade — Nosso Destino Eterno
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Paternidade — Nosso Destino Eterno

Que desfrutemos a plenitude das bênçãos do Pai nesta vida e o cumprimento de Sua obra e Sua glória ao nos tornarmos pais de nossa família eternamente.

Quando eu era jovem, meu pai me ensinou uma importante lição. Ele percebeu que eu estava ficando muito apegado a coisas materiais. Quando eu tinha dinheiro, gastava-o imediatamente — quase sempre com coisas para mim.

Certa tarde, ele me levou para comprar sapatos novos. No segundo andar da loja de departamentos, pediu-me que eu olhasse pela janela.

Então me perguntou: “O que você vê?”

Respondi: “Vejo os prédios, o céu, as pessoas”.

“Quantas?”

“Muitas!”

Então, pegou uma moeda de seu bolso. Ele a deixou em minhas mãos e fez outra pergunta: “O que é isso?”

Reconheci imediatamente: “É uma moeda de um dólar!”

Baseando-se em seu conhecimento em química, ele disse: “Se você derretesse essa moeda e a misturasse com os ingredientes certos, você teria nitrato de prata. Se essa janela fosse revestida de nitrato de prata, o que você veria?”

Eu não tinha a menor ideia, então ele me acompanhou até um longo espelho e me perguntou: “O que você vê agora?”

“Eu me vejo.”

“Não”, ele replicou, “o que você vê é a prata com o seu reflexo. Se seu foco for a prata, tudo o que verá é você mesmo e, como um véu, vai impedi-lo de ver claramente o destino eterno que o Pai Celestial preparou especialmente para você”.

“Larry”, continuou ele, “não busque as coisas deste mundo, mas procure primeiro o reino de Deus e estabelecer Sua justiça e todas essas coisas lhe serão acrescentadas” [ver Tradução de Joseph Smith, Mateus 6:38 (comparar com Mateus 6:33)].

Ele pediu que eu ficasse com a moeda e que nunca a perdesse. Todas as vezes que eu olhava para ela, pensava a respeito do destino eterno que o Pai Celestial tem para mim.

Amava meu pai e a forma como ele me ensinava. Eu queria ser como ele. Ele plantou no meu coração o desejo de ser um bom pai e minha esperança mais profunda é a de que eu esteja vivendo à altura de seu exemplo.

Nosso amado profeta, o Presidente Thomas S. Monson, frequentemente diz que nossas decisões determinam nosso destino e têm consequências eternas (ver “As Decisões Determinam o Destino”, serão do Sistema Educacional da Igreja, 6 de novembro de 2005, p. 2, LDS.org/broadcasts).

Não deveríamos, então, desenvolver uma clara perspectiva de nosso destino eterno, particularmente a que o Pai Celestial quer que alcancemos — a paternidade eterna? Deixemos que nosso destino eterno conduza todas as nossas decisões. A despeito do quanto sejam difíceis essas decisões, o Pai nos susterá.

Aprendi sobre o poder de tal perspectiva quando me uni a meus filhos de 12 e 13 anos de idade para uma competição de 80 por 20. Uma competição de 80 por 20 consiste em caminhar 80 quilômetros em menos de 20 horas. Começamos às 21 horas e caminhamos toda aquela noite e a maior parte do dia seguinte. Foram 19 horas excruciantes, mas nós conseguimos.

Ao voltar para casa, literalmente engatinhamos para dentro, onde uma esposa e mãe maravilhosa tinha preparado um ótimo jantar, o qual não foi tocado. Meu filho mais novo desabou, totalmente exausto, no sofá, enquanto meu filho mais velho se arrastou escada abaixo, até seu quarto.

Depois de um doloroso descanso de minha parte, dirigi-me ao meu filho mais novo para certificar-me de que ele ainda estava vivo.

“Você está bem?” perguntei.

“Pai, essa foi a coisa mais difícil que já fiz, não quero fazer isso nunca mais.”

Eu não queria dizer a ele que eu também nunca faria isso de novo. Em vez disso, disse que estava orgulhoso por ele ter conseguido realizar uma tarefa tão difícil. Eu sabia que isso o prepararia para outras coisas difíceis que ele enfrentaria em seu futuro. Com esse pensamento, eu disse: “Filho, deixe-me fazer uma promessa. Quando você for para a missão, você jamais terá que andar 80 quilômetros em um dia”.

“Que bom, papai! Então eu irei.”

Aquelas simples palavras encheram minha alma de gratidão e alegria.

Em seguida, desci as escadas para ver meu filho mais velho. Deitei-me ao lado dele — e o chamei. “Filho, você está bem?”

“Pai, essa foi a coisa mais difícil que já fiz em minha vida e nunca, nunca mais farei isso novamente.” Seus olhos se fecharam — mas, em seguida, se abriram — e ele disse: “A menos que meu filho queira”.

Lágrimas caíram ao expressar minha gratidão por ele. Disse que sabia que ele seria um pai muito melhor do que eu era. Meu coração estava cheio de alegria porque, mesmo em sua tenra e pouca idade, ele já tinha reconhecido que um de seus deveres do sacerdócio mais sagrados era o de ser pai. Ele não tinha medo daquele papel e título — o mesmo título que o próprio Deus quer que usemos quando nos dirigimos a Ele. Eu sabia que tinha a responsabilidade de manter as brasas da paternidade ardendo dentro de meu filho.

Estas palavras do Salvador assumiram um significado muito mais profundo para mim como um pai:

“Na verdade, na verdade vos digo que o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer o Pai; porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente” (João 5:19).

“Nada faço por mim mesmo; mas falo como meu Pai me ensinou” (João 8:28).

Amo ser marido e pai — casado com uma filha escolhida de pais celestiais. Eu a amo. É uma das partes mais gratificantes de minha vida. Minha esperança naquela noite era a de que meus cinco filhos e sua irmã pudessem sempre ver em mim a alegria que advém do casamento eterno, da paternidade e da família.

Pais, tenho certeza de que vocês já ouviram o ditado “Pregue o evangelho o tempo todo e, se necessário, use palavras” (atribuído a Francisco de Assis). Vocês ensinam a seus filhos todos os dias o que significa ser um pai. Vocês estão construindo um alicerce para a próxima geração. Seus filhos aprenderão a ser maridos e pais ao observar a maneira que você cumpre com esses papéis. Por exemplo:

Eles sabem o quanto você ama e valoriza a mãe deles e o quanto você ama ser o pai deles?

Eles aprenderão como tratar a futura esposa e os filhos deles à medida que observam como vocês tratam cada um de seus próprios filhos, assim como o Pai Celestial trataria.

Por meio de seu exemplo, eles podem aprender a respeitar, honrar e proteger a feminilidade.

Em seu lar, eles podem aprender a presidir a família com amor e retidão. Eles podem aprender a prover as necessidades da vida e a proteção para sua família — temporal e espiritualmente (ver “A Família: Proclamação ao Mundo”, A Liahona, novembro de 2010, última contracapa).

Irmãos, com toda a energia de minha alma, peço-lhes que reflitam sobre esta pergunta: Seus filhos veem seu esforço para fazer o que o Pai Celestial deseja que eles façam?

Oro para que a resposta seja sim. Se a resposta for não, não é tarde demais para mudar, mas vocês devem começar hoje. Testifico que o Pai Celestial vai ajudá-los.

Agora, rapazes, a quem tanto amo, vocês sabem que estão se preparando para receber o Sacerdócio de Melquisedeque, receber as sagradas ordenanças do templo, cumprir seu dever e a obrigação de servir missão de tempo integral e, então, sem esperar muito tempo, casar-se no templo com uma filha de Deus e ter uma família. Vocês deverão, então, liderar sua família nas coisas espirituais, conforme orientados pelo Espírito Santo (ver D&C 20:44; 46:2; 107:12).

Tenho perguntado a muitos rapazes em todo o mundo: “Por que vocês estão aqui?”

Até agora, nenhum deles respondeu: “Para aprender a ser um pai, para me preparar e me qualificar para receber tudo o que o Pai Celestial possui”.

Vamos examinar seus deveres no Sacerdócio Aarônico, conforme descritos na seção 20 de Doutrina e Convênios. Fiquem atentos ao que vocês sentem à medida que aplico esses deveres ao seu serviço em sua família.

“Convidar todos [de sua família] a virem a Cristo” (versículo 59).

“Zelar sempre [por eles], estar com [eles] e fortalecê-los” (versículo 53).

“Pregar, ensinar, explicar, exortar, batizar” os membros de sua família (versículo 46).

“[Exortá-los] a orarem em voz alta e em segredo e a cumprirem todas as obrigações familiares” (versículo 47).

“Certificar-se que não haja iniquidade na [sua família] nem aspereza entre uns e outros nem mentiras, maledicências ou calúnias” (versículo 54).

“Certificar-se que [sua família] se reúna amiúde” (versículo 55).

Auxiliar seu pai em seu dever como patriarca. Apoiar sua mãe com a força do sacerdócio quando o pai estiver ausente (ver versículos 52, 56).

Quando solicitado, “ordenar outros sacerdotes, mestres e diáconos” em sua família (versículo 48).

Isso não lhes parece o trabalho e o papel de um pai?

Cumprir seus deveres no Sacerdócio Aarônico é preparar vocês, rapazes, para a paternidade. O livreto Dever para com Deus pode ajudá-los a aprender seus deveres e a fazer planos específicos para cumpri-los. Ele pode servir como um guia e auxílio à medida que buscam a vontade do Pai Celestial e estabelecem metas para realizá-la.

O Pai Celestial lhes trouxe aqui nesta época específica para um trabalho especial e um propósito eterno. Ele quer que vocês vejam e compreendam claramente qual é esse propósito. Ele é seu Pai, e vocês podem sempre buscá-Lo para receber orientação.

Sei que o Pai Celestial Se preocupa com cada um de nós individualmente e tem um plano pessoal para alcançarmos nosso destino eterno. Ele enviou Seu Filho Unigênito, Jesus Cristo, para ajudar-nos a superar nossas imperfeições por meio da Expiação. Ele nos abençoou com o Espírito Santo para ser uma testemunha, um companheiro e um guia para nosso destino eterno se confiarmos Nele. Que desfrutemos a plenitude das bênçãos do Pai nesta vida e o cumprimento de Sua obra e Sua glória ao nos tornarmos pais para nossa família eternamente (ver Moisés 1:39). Em nome de Jesus Cristo. Amém.