As Janelas do Céu
    Notas de rodapé

    As Janelas do Céu

    As bênçãos espirituais e temporais que recebemos na vida quando vivemos a lei do dízimo.

    Quero descrever duas importantes lições que aprendi sobre a lei do dízimo. A primeira lição enfoca as bênçãos que as pessoas e famílias recebem ao obedecerem fielmente a esse mandamento. A segunda lição salienta a importância do dízimo no crescimento de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias no mundo todo. Oro para que o Espírito Santo confirme a cada um de nós a veracidade dos princípios que vou abordar.

    Lição Número 1 — Bênçãos Significativas, Porém Sutis

    Minha sogra é uma mulher fiel e uma dona de casa inspirada. Desde os primeiros dias de seu casamento, ela manteve cuidadosamente os registros financeiros da família. Por décadas, ela tem contabilizado conscienciosamente a renda e as despesas da família, usando livros de registro muito simples. As informações que ela coletou ao longo dos anos são muito abrangentes e úteis.

    Quando minha mulher era jovem, a mãe dela usou os dados dos livros de registro para salientar princípios básicos do viver previdente e prudente no gerenciamento doméstico. Um dia, ao examinarem juntas várias categorias de despesas, a mãe dela notou um padrão interessante. As despesas com consultas médicas e remédios para a família estavam bem abaixo do que era esperado. Ela então relacionou essa descoberta com o evangelho de Jesus Cristo e explicou à filha uma poderosa verdade: quando vivemos a lei do dízimo, com frequência recebemos bênçãos significativas, porém sutis, que nem sempre são esperadas e que facilmente passam despercebidas. A família não havia recebido nenhum aumento súbito ou evidente na renda familiar. Em vez disso, o amoroso Pai Celestial tinha concedido uma bênção simples de modo aparentemente comum. Minha mulher nunca se esqueceu daquela importante lição que aprendeu de sua mãe sobre a ajuda que recebemos por meio das janelas do céu, conforme prometido por Malaquias no Velho Testamento (ver Malaquias 3:10).

    Com frequência, ao ensinar e testificar sobre a lei do dízimo, enfatizamos as bênçãos temporais imediatas, dramáticas e facilmente reconhecíveis que recebemos. E, sem dúvida, essas bênçãos acontecem. Mas algumas das diversas bênçãos que recebemos quando somos obedientes a esse mandamento são significativas, porém sutis. Essas bênçãos podem ser discernidas somente se estivermos espiritualmente atentos e formos observadores (ver I Coríntios 2:14).

    A imagem das “janelas” do céu usada por Malaquias é muito instrutiva. As janelas permitem que a luz natural entre em um edifício. De igual modo, a iluminação e a visão espirituais são derramadas através das janelas do céu para a nossa vida, quando honramos a lei do dízimo.

    Por exemplo: uma bênção sutil, porém significativa, que recebemos é o dom espiritual da gratidão, que nos permite valorizar o que temos de modo a restringir o desejo daquilo que queremos. Uma pessoa grata é rica em contentamento. Uma pessoa ingrata sofre na pobreza de um descontentamento sem fim (ver Lucas 12:15).

    Podemos precisar de ajuda e orar para encontrar um emprego adequado. Os olhos e os ouvidos da fé (ver Éter 12:19) são necessários, porém, para reconhecermos o dom espiritual do discernimento aumentado que nos permite identificar oportunidades de emprego, que muitas pessoas podem deixar passar despercebidas, ou a bênção de maior determinação pessoal, a fim de buscar por mais tempo e mais arduamente um cargo do que outras pessoas teriam capacidade ou disposição para fazer. Podemos esperar uma oferta de emprego, mas a bênção que recebemos pelas janelas do céu pode nos dar maior capacidade de agir e de mudar nossas próprias circunstâncias em vez de esperar que elas sejam mudadas por outra pessoa ou por outra coisa.

    É adequado desejar e trabalhar a fim de receber um aumento de salário no emprego para prover melhor sustento para as necessidades da vida. Os olhos e os ouvidos da fé são necessários, porém, para notarmos em nós uma maior capacidade espiritual e temporal (ver Lucas 2:52) de fazer mais com menos, uma habilidade mais eficaz de priorizar e simplificar, e uma capacidade maior de cuidar melhor das posses materiais que já adquirimos. Podemos querer e esperar um salário maior, mas a bênção que recebemos pelas janelas do céu pode ser a de uma maior capacidade de mudar nossas próprias circunstâncias, em vez de esperar que elas sejam alteradas por outra pessoa ou por outras coisas.

    Os jovens guerreiros do Livro de Mórmon (ver Alma 53; 56–58) oraram sinceramente para que Deus os fortalecesse e os livrasse das mãos de seus inimigos. É interessante notar que a resposta a essas orações não produziu armas adicionais nem maior número de tropas. Em vez disso, Deus concedeu àqueles fiéis guerreiros a certeza de que Ele os livraria, paz na alma e grande fé e esperança em sua libertação Nele (ver Alma 58:11). Assim, os filhos de Helamã adquiriram coragem e a firme determinação de conquistar, e seguiram adiante com toda a sua força contra os lamanitas (ver Alma 58:12–13). A certeza, a paz, a fé e a esperança inicialmente podem não parecer bênçãos que guerreiros possam desejar em uma batalha, mas elas são precisamente as bênçãos que aqueles valorosos jovens precisavam para prosseguir com firmeza e prevalecer física e espiritualmente.

    Às vezes, pedimos a Deus que nos dê sucesso, e Ele nos dá disposição física e mental. Podemos suplicar por prosperidade e receber maior visão e paciência, ou pedir crescimento e ser abençoados com o dom da graça. Ele pode nos conceder a convicção e a confiança ao nos esforçarmos para atingir metas dignas. E quando suplicamos alívio de dificuldades físicas, mentais e espirituais, Ele pode aumentar nossa determinação e força de vontade.

    Prometo que, à medida que vocês cumprirem e guardarem a lei do dízimo, realmente as janelas do céu serão abertas, e bênçãos espirituais e temporais serão derramadas a tal ponto que não haverá lugar suficiente para recebê-las (ver Malaquias 3:10). Também nos lembraremos da declaração feita pelo Senhor:

    “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor.

    Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos” (Isaías 55:8–9).

    Testifico que se formos espiritualmente atentos e observadores, seremos abençoados com olhos que veem mais claramente, ouvidos que ouvem com mais consistência e um coração que compreende mais plenamente o significado e a sutileza da maneira de agir do Senhor, Seus pensamentos e Suas bênçãos em nossa vida.

    Lição Número 2 — A Simplicidade da Maneira do Senhor

    Antes de meu chamado para servir como membro do Quórum dos Doze, li muitas vezes em Doutrina e Convênios sobre o conselho designado para supervisionar e distribuir os fundos sagrados do dízimo. O Conselho de Disposição dos Dízimos foi estabelecido por revelação e é constituído pela Primeira Presidência, pelo Quórum dos Doze Apóstolos e pelo Bispado Presidente (ver D&C 120). Ao preparar-me, em dezembro de 2004, para participar de minha primeira reunião daquele conselho, ansiei muito por aquela extraordinária oportunidade de aprendizado.

    Ainda me lembro das coisas que vivenciei e senti naquele conselho. Adquiri maior gratidão e reverência pelas leis financeiras do Senhor para as pessoas, para as famílias e para Sua Igreja. O programa financeiro básico de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, tanto para rendas quanto para despesas, está definido na seção 119 e 120 de Doutrina e Convênios. Duas declarações encontradas nessas revelações são o alicerce dos assuntos fiscais da Igreja.

    A seção 119 simplesmente declara que todos os membros “pagarão a décima parte de toda a sua renda anual; e isto será uma lei permanente para eles, para meu santo sacerdócio, diz o Senhor” (versículo 4).

    Então, no tocante à distribuição autorizada dos dízimos, o Senhor disse: “Sua distribuição será feita por um conselho composto da Primeira Presidência de minha Igreja e do bispo e seu conselho e de meu sumo conselho; e por minha própria voz a eles, diz o Senhor” (D&C 120:1). O “bispo e seu conselho” e o “meu sumo conselho” mencionados nessa revelação são hoje conhecidos como o Bispado Presidente e o Quórum dos Doze Apóstolos, respectivamente. Esses fundos sagrados são usados nesta Igreja que cresce rapidamente para abençoar as pessoas e as famílias por meio da construção e manutenção de templos e casas de adoração, do financiamento do trabalho missionário, da publicação de escrituras, do patrocínio da pesquisa de história da família, do financiamento de escolas e da educação religiosa, e do cumprimento de outros muitos propósitos da Igreja, conforme a direção dos servos ordenados pelo Senhor.

    Maravilho-me com a clareza e a brevidade dessas duas revelações em comparação às diretrizes e aos procedimentos financeiros complicados usados em tantas organizações e governos do mundo. Como é que os assuntos temporais de uma organização tão grande como a Igreja restaurada de Jesus Cristo conseguem funcionar no mundo todo usando instruções tão sucintas? Para mim a resposta é bem direta: esta é a obra do Senhor, Ele é capaz de fazer Sua própria obra (ver 2 Néfi 27:20), e o Salvador inspira e dirige Seus servos ao aplicarem Suas instruções e trabalharem em Sua causa.

    Naquela primeira reunião do conselho, fiquei impressionado com a simplicidade dos princípios que guiavam nossas deliberações e decisões. Nas operações financeiras da Igreja, dois princípios básicos e imutáveis são seguidos. Primeiro, a Igreja vive dentro de seus meios e não gasta mais do que recebe. Segundo, uma parte da renda anual é separada como reserva para contingências e necessidades imprevistas. Por décadas, a Igreja tem ensinado a seus membros o princípio de separar uma porção extra de alimentos, combustível e dinheiro para emergências que possam surgir. A Igreja, como instituição, simplesmente segue os mesmos princípios que foram ensinados repetidas vezes a seus membros.

    À medida que a reunião progredia, desejei que todos os membros da Igreja pudessem observar a simplicidade, a clareza, a ordem, a caridade e o poder existentes no modo de agir do Senhor (ver D&C 104:16) para conduzir os assuntos temporais de Sua Igreja. Já participo do Conselho de Disposição dos Dízimos há muitos anos. Minha gratidão e reverência pelo padrão do Senhor aumentaram a cada ano, e as lições aprendidas se tornaram ainda mais profundas.

    Meu coração se enche de amor e admiração pelos membros fiéis e obedientes desta Igreja de todas as nações, tribos, línguas e povos. Ao viajar pelo mundo, tomei conhecimento de suas esperanças e de seus sonhos, suas diversas circunstâncias e condições de vida, e suas dificuldades. Participei de reuniões da Igreja com vocês e visitei a casa de alguns de vocês. Sua fé fortalece a minha. Sua devoção faz com que eu me torne mais dedicado. E sua bondade e obediência de coração à lei do dízimo me inspiram a ser melhor como homem, marido, pai e líder da Igreja. Lembro-me de vocês e penso em vocês cada vez que participo do Conselho de Disposição dos Dízimos. Obrigado por suas boas qualidades e sua fidelidade ao honrar seus convênios.

    Os líderes da Igreja restaurada do Senhor sentem uma enorme responsabilidade de cuidar devidamente das ofertas consagradas dos membros da Igreja. Temos profunda consciência da natureza sagrada da oferta da viúva.

    “E, estando Jesus assentado defronte da arca do tesouro, observava a maneira como a multidão lançava o dinheiro na arca do tesouro; e muitos ricos deitavam muito.

    Vindo, porém, uma pobre viúva, deitou duas pequenas moedas, que valiam meio centavo.

    E, chamando os seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta pobre viúva deitou mais do que todos os que deitaram na arca do tesouro;

    Porque todos ali deitaram do que lhes sobejava, mas esta, da sua pobreza, deitou tudo o que tinha, todo o seu sustento” (Marcos 12:41–44).

    Sei por experiência própria que o Conselho de Disposição dos Dízimos está muito vigilante ao cuidar da oferta da viúva. Expresso minha gratidão ao Presidente Thomas S. Monson e seus conselheiros por sua liderança eficaz ao distribuir essa mordomia sagrada. E reconheço a voz (ver D&C 120:1) e a mão do Senhor que apoiam Seus servos ordenados no cumprimento do dever de representá-Lo.

    Convite e Testemunho

    O pagamento honesto do dízimo é bem mais do que um dever. É um passo importante no processo de santificação pessoal. Para aqueles de vocês que pagam o dízimo, eu os elogio.

    Para aqueles que atualmente não obedecem à lei do dízimo, convido-os a repensar seu modo de vida e a se arrepender. Testifico que, por meio de sua obediência a essa lei do Senhor, as janelas do céu serão abertas para vocês. Por favor, não procrastinem o dia de seu arrependimento.

    Presto testemunho das bênçãos espirituais e temporais que recebemos na vida quando vivemos a lei do dízimo. Presto testemunho de que essas bênçãos com frequência são significativas, porém, sutis. Também declaro que a simplicidade da maneira de agir do Senhor, que é tão evidente nos assuntos temporais de Sua Igreja, proporciona padrões que podem nos guiar como pessoas e famílias. Oro para que cada um de nós aprenda a se beneficiar com essas importantes lições. No sagrado nome do Senhor Jesus Cristo. Amém.