2010–2019
Decisões para a Eternidade
Notas de rodapé
Tema

Decisões para a Eternidade

O uso sábio de nossa liberdade para tomar nossas próprias decisões é fundamental para nosso crescimento espiritual, agora e na eternidade.

Meus queridos irmãos e irmãs, cada dia é um dia de decisão. O Presidente Thomas S. Monson nos ensinou que “as decisões determinam nosso destino”.1 O uso sábio de nossa liberdade para tomar nossas próprias decisões é fundamental para nosso crescimento espiritual, agora e na eternidade. Nunca somos jovens demais para aprender nem velhos demais para mudar. Nossos anseios em aprender e mudar vêm de um esforço divinamente instilado para alcançarmos o progresso eterno.2 Cada dia traz oportunidades para que tomemos decisões para a eternidade.

Somos seres eternos — filhos espirituais de pais celestes. A Bíblia registra que “criou Deus o homem à sua imagem; (…) homem e mulher os criou”.3 Recentemente ouvi um coro de crianças cantarem o querido hino “Sou um Filho de Deus”.4 Perguntei-me: “Por que não ouço esse hino ser cantado mais vezes por mães ou pais fiéis?” Não somos todos filhos de Deus? Na verdade, nenhum de nós pode deixar de ser filho de Deus!

Como filhos de Deus, devemos amá-Lo de todo o coração e de toda a alma, ainda mais do que amamos nossos pais terrenos.5 Devemos amar nossos semelhantes como irmãos e irmãs. Nenhum outro mandamento é maior do que esses dois.6 E devemos sempre reverenciar o valor da vida humana, em cada um de seus muitos estágios.

As escrituras ensinam que o corpo e o espírito são a alma do homem.7 Como seres duais, cada um de vocês pode agradecer a Deus por essa dádiva inestimável de seu corpo e de seu espírito.

O Corpo Humano

Meus anos de profissão como médico fizeram com que eu adquirisse um profundo respeito pelo corpo humano. Criado por Deus como dádiva para nós, ele é absolutamente assombroso! Pense em seus olhos que veem, ouvidos que ouvem e dedos que sentem todas as coisas maravilhosas a seu redor. Seu cérebro permite que vocês aprendam, pensem e raciocinem. Seu coração bombeia sangue incansavelmente, dia e noite, quase sem que vocês o percebam.8

Seu corpo se protege. A dor vem como aviso de que algo está errado e precisa de atenção. As doenças infecciosas atacam de tempos em tempos e, quando isso acontece, são formados anticorpos que aumentam sua resistência a uma infecção subsequente.

Seu corpo repara a si mesmo. Os cortes e machucados saram. Os ossos quebrados podem se tornar fortes novamente. Citei apenas uma minúscula amostra das muitas qualidades impressionantes do corpo que nos foi concedido por Deus.

Mesmo assim, parece que em toda família, senão em toda pessoa, existem alguns problemas físicos que exigem cuidados especiais.9 Um padrão para conseguirmos lidar com esses desafios nos foi dado pelo Senhor. Ele disse: “Dou a fraqueza aos homens a fim de que sejam humildes; (…) porque caso se humilhem (…) e tenham fé em mim, então farei com que as coisas fracas se tornem fortes para eles”.10

Espíritos extraordinários muitas vezes são abrigados em corpos imperfeitos.11 A dádiva de um corpo assim pode na verdade fortalecer a família à medida que os pais e irmãos edificam de boa vontade a sua vida em torno daquele filho nascido com necessidades especiais.

O processo de envelhecimento também é uma dádiva de Deus, assim como a morte. A morte final de seu corpo mortal é essencial para o grande plano de felicidade estabelecido por Deus.12 Por quê? Porque a morte permite que seu espírito retorne a Ele.13 Do ponto de vista eterno, a morte somente é prematura para aqueles que não estão preparados para se encontrar com Deus.

Visto que nosso corpo é uma parte tão essencial do plano eterno de Deus, não é de se admirar que o Apóstolo Paulo o tenha descrito como um “templo de Deus”.14 Toda vez que nos olhamos no espelho, vemos nosso corpo como o nosso templo. Essa verdade — renovada com gratidão a cada dia — pode influenciar positivamente nossas decisões sobre como vamos cuidar de nosso próprio corpo e como vamos usá-lo. E essas decisões determinarão nosso destino. Como isso pode acontecer? Porque o corpo é o templo de nosso espírito. E o modo como usamos nosso corpo afeta nosso espírito. Algumas das decisões que vão determinar nosso destino eterno incluem:

  • De que modo decidiremos como vamos cuidar de nosso corpo e usá-lo?

  • Que atributos espirituais vocês vão decidir desenvolver?

O Espírito Humano

Seu espírito é uma entidade eterna. O Senhor disse a seu profeta Abraão: “Abraão, (…) foste escolhido antes de nasceres”.15 O Senhor disse algo semelhante a respeito de Jeremias16 e de muitos outros.17 Ele disse o mesmo até a respeito de vocês.18

Seu Pai Celestial já os conhece há muito tempo. Vocês, como Seus filhos e Suas filhas, foram escolhidos por Ele para vir à Terra precisamente nesta época, para ser um líder em Sua grandiosa obra na Terra.19 Vocês não foram escolhidos por suas características corpóreas mas por seus atributos espirituais, tais como bravura, coragem, integridade de coração, sede de verdade, fome de sabedoria e desejo de servir ao próximo.

Vocês desenvolveram alguns desses atributos na pré-mortalidade. Outros vocês podem desenvolver aqui na Terra20 se persistentemente os buscarem.21

Um atributo espiritual essencial é o do autodomínio — a força de colocar a razão acima do apetite. O autodomínio edifica uma consciência forte. E sua consciência determina suas respostas morais em situações difíceis e tentadoras que os põem à prova. O jejum ajuda seu espírito a desenvolver domínio sobre seus apetites físicos. O jejum também aumenta seu acesso à ajuda celestial à medida que intensifica suas orações. Por que necessitamos de autodomínio? Deus implantou dentro de nós fortes apetites por nutrição e amor, que são vitais para que a família humana seja perpetuada.22 Quando dominamos nossos apetites dentro das leis de Deus, podemos desfrutar uma vida mais longa, mais amor e imensa alegria.23

Não é de surpreender, portanto, que a maioria das tentações para que nos desviemos do plano de felicidade estabelecido por Deus venha por meio do mau uso desses apetites essenciais que nos foram dados por Deus. O controle de nossos apetites nem sempre é fácil. Nenhum de nós os domina perfeitamente.24 Acontecem erros. Cometemos enganos. Pecados são cometidos. O que podemos fazer então? Podemos aprender com eles. E podemos nos arrepender sinceramente.25

Podemos mudar nosso comportamento. Nossos próprios desejos podem mudar. Como? Existe apenas um meio. A verdadeira mudança — a mudança permanente — somente pode vir pelo poder curador, purificador e capacitador da Expiação de Jesus Cristo.26 Ele ama vocês — cada um de vocês!27 Ele permite que vocês tenham acesso a Seu poder à medida que guardarem Seus mandamentos com avidez, sensibilidade, sinceridade e precisão. É tão simples e claro assim. O evangelho de Jesus Cristo é um evangelho de mudanças!28

Um forte espírito humano, que controla os apetites da carne, domina suas emoções e paixões e não é escravo delas. Esse tipo de liberdade é vital para o espírito, assim como o oxigênio é para o corpo! A liberdade da autoescravidão é uma libertação verdadeira!29

Somos “livres para escolher a liberdade e a vida eterna (…) ou para [escolher] o cativeiro e a morte”.30 Quando escolhemos o caminho mais elevado rumo à liberdade e a vida eterna, esse caminho inclui o casamento.31 Os santos dos últimos dias proclamam que “o casamento entre homem e mulher foi ordenado por Deus e que a família é essencial ao plano do Criador para o destino eterno de Seus filhos”. Também sabemos que o “sexo (masculino ou feminino) é uma característica essencial da identidade e do propósito pré-mortal, mortal e eterno de cada um”.32

O casamento entre um homem e uma mulher é fundamental para a doutrina do Senhor e essencial para o plano eterno de Deus. O casamento de um homem e uma mulher é o padrão de Deus para uma plenitude de vida na Terra e no céu. O padrão de casamento estabelecido por Deus não pode ser utilizado indevidamente, mal compreendido ou distorcido.33 Não se quisermos ter a verdadeira alegria. O padrão de casamento estabelecido por Deus protege o poder sagrado de procriação e a alegria da verdadeira intimidade conjugal.34 Sabemos que Adão e Eva foram casados por Deus antes de vivenciarem a alegria de se unirem como marido e mulher.35

Em nossos dias, os governos civis têm absoluto interesse em proteger o casamento porque as famílias fortes constituem a melhor maneira de proporcionar saúde, educação, bem-estar e prosperidade para as novas gerações.36 Mas os governos civis são fortemente influenciados pelas tendências sociais e pelas filosofias seculares ao elaborarem, reescreverem e implantarem leis. Independentemente de quais leis civis sejam implantadas, a doutrina do Senhor em relação ao casamento e à moralidade não pode ser mudada.37 Lembrem-se: o pecado, mesmo que legalizado pelo homem, continua sendo pecado aos olhos de Deus!

Embora devamos imitar a bondade e a compaixão de nosso Salvador, embora devamos valorizar os direitos e os sentimentos de todos os filhos de Deus, não podemos mudar a Sua doutrina. Não nos cabe mudá-la. Sua doutrina é nossa para estudarmos, compreendemos e apoiarmos.

O modo de vida do Salvador é bom. Seu modo inclui a castidade antes do casamento e total fidelidade dentro do casamento.38 O modo do Senhor é a única maneira de vivenciarmos a felicidade duradoura. Seu modo proporciona consolo contínuo para nossa alma e paz duradoura para nosso lar. E, melhor de tudo, Seu modo nos leva de volta à presença Dele e de nosso Pai Celestial, para a vida eterna e a exaltação.39 Essa é a própria essência da obra e glória de Deus.40

Meus queridos irmãos e irmãs, cada dia é um dia de decisão, e nossas decisões determinam nosso destino. Um dia, cada um de nós estará diante do Senhor para ser julgado.41 Cada um de nós terá uma entrevista pessoal com Jesus Cristo.42 Prestaremos contas das decisões que tomamos a respeito de nosso corpo, de nossos atributos espirituais e de como honramos o padrão de Deus para o casamento e a família. Que sejamos sábios nas decisões que tomamos a cada dia para a eternidade, é minha sincera oração no sagrado nome de Jesus Cristo. Amém.