2000–2009
O Evangelho em Nossa Vida
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O Evangelho em Nossa Vida

Ele nos deu Sua Expiação, Seu Evangelho e Sua Igreja, uma sagrada combinação que nos proporciona a certeza de imortalidade e a oportunidade de vida eterna.

Há alguns anos vi uma tira de jornal que mostrava um ministro religioso conversando com um casal montados numa motocicleta e vestidos como hippies. “Nós vamos à igreja, sim”, disse um deles ao ministro religioso. “Estamos indo para lá há muitos anos (…) só que ainda não chegamos.”1

Muitos de nossos parentes e amigos ainda não chegaram à igreja também. Eles podem freqüentar esporadicamente, mas ainda não estão desfrutando todas as bênçãos da participação e do serviço na Igreja. Outros talvez freqüentem regularmente mas deixam de assumir compromissos e não procuram o próprio renascimento espiritual que resulta da entrega do coração a Deus. Ambos estão perdendo algumas das bênçãos especiais desta vida e arriscam-se a perder as mais gloriosas bênçãos da vida futura.

O Senhor deu profetas e apóstolos, conforme ensinou Paulo, para “o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo”. (Efésios 4:12) As pessoas que não estão participando plenamente na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e procurando uma conversão espiritual pessoal estão perdendo experiências essenciais no Grande Plano de Felicidade estabelecido por Deus. Os ensinamentos e o trabalho da Igreja são essenciais para levar a efeito a vida eterna do homem. (Ver Moisés 1:39.)

Oro para que muitos que ouvirem minhas palavras venham a ter um testemunho espiritual da importância da missão da Igreja de edificar e exaltar os filhos de Deus. Oro especialmente para que alguns que ainda não estejam desfrutando as bênçãos da plena participação e do comprometimento na Igreja procurem e adquiram esse testemunho e coloquem-no em prática.

Há aproximadamente dez anos, quando eu estava numa conferência de estaca nos Estados Unidos, fui apresentado a um membro que não participava na Igreja por muitos anos. Aquele membro perguntou-me: “Por que devo voltar a ser ativo na Igreja?” Respondi que se levásse-mos em consideração tudo o que o Salvador fez por nós, seria fácil oferecer algo a serviço Dele e de nosso próximo. Aquele membro pensou alguns momentos no que eu dissera e então deu-me esta surpreendente resposta: “O que Ele fez por mim?”

Essa surpreendente resposta levou-me a refletir no que as pessoas esperam receber de Jesus Cristo, de Seu evangelho e da participação em Sua Igreja. Pensei em outros que disseram ter parado de ir à Igreja porque ela não estava “atendendo a suas necessidades”. A que necessidades esperavam que a Igreja atendesse? Se as pessoas estiverem simplesmente procurando satisfazer uma necessidade de convívio social, elas podem ficar desapontadas em determinada ala ou ramo e procurar outras associações. Existem oportunidades satisfatórias de convívio social em muitas organizações. Se estiverem simplesmente buscando ajuda para aprender o evangelho, podem procurar alcançar essa meta por meio da literatura existente. Mas será que são esses os principais propósitos da Igreja? Isso é tudo o que recebemos do evangelho de Jesus Cristo?

Alguém disse que aquilo que recebemos depende do que procuramos. As pessoas que freqüentam a Igreja apenas para receber alguma coisa de natureza temporal podem ficar desapontadas. O Apóstolo Paulo escreveu reprovadoramente sobre as pessoas que “não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre”. (Romanos 16:18) As pessoas que freqüentam a Igreja a fim de doar algo a seu semelhante e servir o Senhor raramente ficarão desapontadas. O Salvador prometeu: “Quem perder a sua vida, por amor de mim, achá-la-á”. (Mateus 10:39)

A Igreja nos dá oportunidades de servir o Senhor e nosso semelhante. Se for oferecido da forma correta e pelo motivo certo, esse serviço irá recompensar-nos com muito mais do que doamos. Milhões de pessoas servem abnegada e eficazmente como líderes ou professores nas organizações da Igreja e aqueles que o fazem têm a experiência de conversão descrita pelo profeta que nos rogou: “Vinde a Cristo, sede aperfeiçoados nele”. (Morôni 10:32)

Por toda a minha vida fui abençoado por ser membro e participar da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. É impossível descrever todas as maneiras pelas quais a Igreja abençoou minha vida e a vida das pessoas que amo. Mas darei alguns exemplos, esperando que acrescentem persuasão pessoal aos princípios citados.

A freqüência à Igreja todas as semanas proporciona a oportunidade de tomarmos o sacramento, como o Senhor nos ordenou. (Ver D&C 59:9.) Se o fizermos com a preparação e atitude corretas, o sacramento renova o efeito purificador de nosso batismo e nos qualifica para a promessa de que teremos sempre o Seu Espírito conosco. A missão desse Espírito, o Espírito Santo, é prestar testemunho do Pai e do Filho e conduzir-nos à verdade. (Ver João 14:26; 2 Néfi 31:18.) O testemunho e a verdade, que são essenciais à nossa conversão pessoal, são os frutos especiais dessa renovação semanal de nossos convênios. Nas decisões do dia-a-dia e em meu próprio crescimento pessoal, desfrutei o cumprimento dessa promessa.

Sinto-me triste quando um santo dos últimos dias deixa de entender a preciosa bênção que recebem aqueles que guardam o mandamento de oferecer seus sacramentos a cada Dia do Senhor. O que existe nesta vida, nos lagos ou rios, nos locais de recreação comercial, ou na leitura do jornal de domingo, que possa proporcionar algo que se compare a essas bênçãos? Não há prazer recreativo que possa se igualar à renovação purificadora e à orientação e crescimento espiritual que Deus prometeu aos que fielmente tomarem o sacramento e O honrarem a cada Dia do Senhor. Dou graças pelo cumprimento dessas promessas em minha vida e afirmo que elas estão ao alcance de todos.

Quando cheguei à idade da responsabilidade e compreendi e senti os efeitos do pecado pessoal, os ensinamentos do evangelho de Jesus Cristo deram-me paz e coragem para prosseguir, sabendo que meus pecados poderiam ser perdoados e que sempre existe esperança e misericórdia para os que erram.

Ao ter a experiência de ver entes queridos falecerem, inclusive meu pai, minha mãe e minha esposa, as revelações consoladoras do Espírito Santo deram-me forças para seguir adiante. O Espírito afirma que existe propósito nas adversidades mortais e dá-nos a certeza da ressurreição e da realidade do relacionamento familiar selado para a eternidade.

Por toda a vida, fui abençoado pela doutrina e os ensinamentos do evangelho de Jesus Cristo. Conforme ensinado nas escrituras e pelos líderes e professores desta Igreja, o evangelho foi uma luz em meu caminho e o impulso para meu progresso temporal e espiritual. Conforme ensinou Brigham Young, as leis do evangelho “ensinam os homens a serem verdadeiros, honestos, castos, sóbrios, trabalhadores, econômicos e a amar e praticar toda boa palavra e obra, (…) elas elevam e enobrecem o homem, (…) [e] se forem plenamente cumpridas, proporcionam saúde e força para o corpo, clareza de percepção, vigor para as faculdades mentais, bem como salvação para a alma”.2

Entre as muitas bênçãos que recebi por causa dos ensinamentos do evangelho estão aquelas prometidas pelo cumprimento da Palavra de Sabedoria. Para mim, elas incluíram saúde e conhecimento e a capacidade de correr e não me cansar; caminhar e não desfalecer, e o cumprimento da promessa de que “o anjo destruidor passará por eles, como os filhos de Israel, e não os matará”. (D&C 89:18–21)

O evangelho nos ensina a pagar o dízimo e as ofertas, prometendo-nos bênçãos se assim o fizermos. Presto testemunho do cumprimento dessa promessa em minha vida. Vi as janelas do céu abrirem-se para mim, concedendo-me inumeráveis bênçãos. Entre elas está a capacidade de ver a importância relativamente pequena que têm as propriedades, o orgulho, a preeminência e o poder neste mundo, no contexto da eternidade. Quão grato sou pelo enfoque e paz resultantes de uma compreensão baseada no evangelho do propósito da vida e seu relacionamento com a eternidade!

Desde minha infância, durante o período estudantil, no casamento e passando além da meia-idade, a Igreja proporcionou-me um convívio pessoal com as melhores pessoas do mundo. Os professores e colegas de classe na Escola Dominical e Primária, no escotismo e em outras atividades dos jovens, nas atividades do quórum, da ala e da estaca, foram os melhores exemplos e amigos que eu poderia encontrar neste mundo. Evidentemente, nossa Igreja não tem o monopólio das pessoas boas do mundo, mas temos uma concentração notável delas. As pessoas com quem convivi nas organizações da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias deram-me a capacidade de reconhecer, apreciar e ampliar meu convívio com pessoas excelentes em outras igrejas e organizações.

Como meu pai morreu antes que eu completasse oito anos de idade, tive motivo para questionar o propósito que o Senhor teria em privar-me de um relacionamento que os outros meninos desfrutavam sem dar-lhe o devido valor. Assim como acontece com muitas outras dificuldades mortais, o entendimento do evangelho de Jesus Cristo preencheu esse vazio. Quão grato sou por meu irmão, minha irmã e eu termos sido criados por uma mãe viúva que usou sua fé e o casamento de nossos pais no templo para fazer com que nosso pai falecido fosse uma presença diária em nossa vida. Nunca tivemos que sentir que estávamos desprovidos de um pai. Tínhamos um pai, mas ele não estava conosco por um período de tempo. Existem poucas coisas mais importantes nesta vida do que o conhecimento de nosso lugar na mortalidade e nosso potencial na eternidade. O casamento selado para a eternidade num templo do Senhor proporciona essa possibilidade para toda criança ou adulto.

Ao longo dos anos, minha participação ativa na Igreja proporcionou-me acesso a conselhos e inspiração dos líderes da Igreja nas coisas que eu deveria fazer como marido, pai e líder em minha família. Repetidas vezes, nas conferências gerais e de estaca, nos quóruns do sacerdócio e nas aulas da Escola Dominical, fui ensinado e inspirado por pais, mães e avós maravilhosos e experientes. Procurei seguir esses ensinamentos para melhorar minha participação nesses relacionamentos que terão continuidade por toda a eternidade. Para citar um exemplo, foi-me ensinado acerca do poder de uma bênção do sacerdócio, não apenas como uma bênção de cura, mas também uma bênção de conforto e orientação que um pai portador do Sacerdócio de Melquisedeque tem o privilégio de dar aos membros de sua família. O aprendizado e a aplicação prática desse princípio favoreceram minha vida e a vida de meus entes queridos com um carinho e proximidade que só poderiam advir da experiência de sentir o significado do sacerdócio de Deus numa família eterna.

Também sou grato pelas admoestações das escrituras e dos líderes da Igreja sobre as coisas que devemos evitar. Seguindo seu conselho, pude evitar as armadilhas que poderiam ter-me subjugado e escravizado. O álcool, o cigarro, as drogas, a pornografia e o jogo são apenas alguns dos exemplos de substâncias e práticas causadoras de vício e dependência das quais fui aconselhado a me afastar. Lanço um apelo a todos, especialmente aos jovens, de que dêem ouvido e atendam às palavras dos homens e mulheres que Deus chamou como seus líderes e professores. Vocês serão abençoados se abstiverem-se de colocar sua própria sabedoria ou desejos acima dos mandamentos de seu Criador e das admoestações de Seus servos.

As escrituras nos instruem a tomarmos sobre nós “toda a armadura de Deus” para que sejamos capazes de “resistir no dia mau”. Elas prometem que a “couraça da retidão” e “o escudo da fé” irão “apagar todos os dardos inflamados dos iníquos”. (D&C 27:15–17) Rogo que obedeçam a esses ensinamentos e se tornem merecedores dessas bênçãos. Elas incluem a conversão espiritual pessoal — a “vigorosa mudança (…) em nosso coração” (Mosias 5:2) — que nos ajuda a tornar-nos como nosso Pai Celestial deseja que sejamos.

Os líderes desta Igreja dizem, como disse o Salvador: “A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou. Se alguém quiser fazer a vontade Dele, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo”. (João 7:16–17)

Seus líderes também dizem, tal como o rei Benjamim: “Quisera que considerásseis o estado abençoado e feliz daqueles que guardam os mandamentos de Deus. Pois eis que são abençoados em todas as coisas, tanto materiais como espirituais; e se eles se conservarem fiéis até o fim, serão recebidos no céu, para que assim possam habitar com Deus em um estado de felicidade sem fim”. (Mosias 2:41)

Na revelação moderna, o Senhor declarou: “Eu, o Senhor, estou obrigado quando fazeis o que eu digo; mas quando não o fazeis, não tendes promessa alguma”. (D&C 82:10)

O que o Salvador fez por nós? Ele nos deu Sua Expiação, Seu evangelho e Sua Igreja, uma sagrada combinação que nos proporciona a certeza de imortalidade e a oportunidade de vida eterna. Testifico que isso é verdade e presto testemunho de Deus, o Pai, o Autor do Plano, e de Seu Filho Jesus Cristo, o Redentor que tornou tudo isso possível, em nome de Jesus Cristo. Amém.

  1. Calvin Grondahl, [Ogden, Utah] Standard Examiner, 26 de maio de 1990.

  2. Carta ao redator do Religio-Philosophical Journal, 7 de janeiro de 1869, citado por Jed Woodworth, “Brigham Young and the Mission of Mormonism”, Brigham Young University Studies, vol. 40, N° 2, (2001) p. 11.