1990–1999
    Paciência—Uma Virtude Celestial
    Notas de rodapé
    Tema

    Paciência—Uma Virtude Celestial


    Freqüentemente, esperamos soluções instantâneas para ( … ) desafios, esquecendo-nos de que, com freqüência, é necessário termos a virtude celestial da paciência.

    Há pouco tempo encon­trei um velho amigo que não via há muito tempo. Ele cum­pri­men­tou-me dizen­do: “Como está a vida?” Não me lem­bro do que res­pon­di espe­ci­fi­ca­men­te, mas essa per­gun­ta pro­vo­can­te fez-me refle­tir sobre minhas mui­tas bên­çãos e minha gra­ti­dão pela pró­pria vida e pelo pri­vi­lé­gio e opor­tu­ni­da­de de ser­vir.


    Algumas vezes a res­pos­ta a essa mesma per­gun­ta traz uma res­pos­ta ines­pe­ra­da. Alguns anos atrás, fui a uma con­fe­rên­cia de esta­ca no Texas. O pre­si­den­te da esta­ca encon­trou-me no aero­por­to e, enquan­to nos diri­gía­mos para a cape­la da esta­ca, per­gun­tei-lhe: “Presidente, como vão as coi­sas?”


    Ele res­pon­deu: “Gostaria que essa per­gun­ta tives­se sido feita na sema­na pas­sa­da, por­que mui­tas coi­sas acon­te­ce­ram nesta sema­na. Na sexta-feira fui demi­ti­do de meu empre­go, hoje de manhã minha espo­sa entrou em crise de bron­qui­te e hoje à tarde nosso cachor­ro foi atro­pe­la­do e mor­reu. Fora isso, acho que tudo vai bem.”


    A vida está cheia de difi­cul­da­des, algu­mas meno­res e outras mais sérias. Os desa­fios que todos temos de enfren­tar pare­cem infin­dá­veis. Nosso pro­ble­ma é que, fre­qüen­te­men­te, espe­ra­mos solu­ções ins­tan­tâ­neas para tais desa­fios, esque­cen­do-nos de que, com fre­qüên­cia, é neces­sá­rio ter­mos a vir­tu­de celes­tial da paciên­cia.


    Os con­se­lhos ouvi­dos em nossa juven­tu­de ainda se apli­cam hoje em dia e devem ser aten­di­dos. “Calma”, “Tenha paciên­cia”, “Mais deva­gar”, “Não tenha tanta pres­sa”, “Obedeça às regras”, “Tenha cui­da­do” são expres­sões mais do que bati­das. Elas des­cre­vem con­se­lhos sin­ce­ros e mos­tram a sabe­do­ria que pro­vém da expe­riên­cia.


    O insen­sa­to exces­so de velo­ci­da­de de um carro cheio de jovens, des­cen­do uma estra­da sinuo­sa e peri­go­sa, pode tra­zer repen­ti­na perda de con­tro­le; o carro pode capo­tar com seus pre­cio­sos pas­sa­gei­ros e des­pen­car pelo pre­ci­pí­cio. A queda mui­tas vezes causa inca­pa­ci­da­de per­ma­nen­te e, tal­vez, morte pre­ma­tu­ra e sofri­men­to dos entes que­ri­dos. Um momen­to diver­ti­do pode, num ins­tan­te, trans­for­mar-se em arre­pen­di­men­to para o resto da vida.


    Oh, pre­cio­sos jovens. Dêem uma chan­ce à vida! Usem a vir­tu­de da paciên­cia.


    Na doen­ça, com a dor cons­tan­te, é pre­ci­so que se tenha paciên­cia. Se o único homem per­fei­to que já viveu—o pró­prio Jesus de Nazaré—teve de tole­rar gran­de sofri­men­to, como pode­mos nós, que somos menos que per­fei­tos, espe­rar ficar livres de tais desa­fios?


    Quem será capaz de con­tar as gran­des mul­ti­dões de pes­soas soli­tá­rias, ido­sas, desam­pa­ra­das—pes­soas que se sen­tem aban­do­na­das pela cara­va­na da vida, que segue seu cami­nho até desa­pa­re­cer para além da visão daque­les que ficam pen­san­do, que se espan­tam e que, às vezes, se ques­tio­nam quan­do dei­xa­dos a sós com seus pen­sa­men­tos. A paciên­cia pode ser uma com­pa­nhei­ra útil duran­te momen­tos tão difí­ceis.


    Visito oca­sio­nal­men­te abri­gos de ido­sos, onde encon­tra­mos lon­ga­ni­mi­da­de. Certa vez, ao par­ti­ci­par das reu­niões da Igreja num des­ses locais, num domin­go, notei uma jovem que ia tocar vio­li­no para con­for­tar as pes­soas ali reu­ni­das. Disse-me que esta­va ner­vo­sa e que espe­ra­va fazer o melhor pos­sí­vel. Enquanto ela toca­va, alguém comen­tou: “Você é tão boni­ta e toca tão bem!” As cor­das do vio­li­no e os ele­gan­tes movi­men­tos dos dedos da moça pare­ce­ram ins­pi­rar-se pelo comen­tá­rio ines­pe­ra­do. Ela tocou mag­ni­fi­ca­men­te.


    Posteriormente, dei os para­béns a ela e a sua acom­pa­nhan­te. Elas res­pon­de­ram: “Viemos aqui para ale­grar os fra­cos, os doen­tes e os ido­sos. Nossos temo­res desa­pa­re­ce­ram enquan­to tocá­va­mos. Esquecemos de nos­sas preo­cu­pa­ções e temo­res. Podemos tê-los ale­gra­do, mas eles cer­ta­men­te nos ins­pi­ra­ram.”


    Às vezes, acon­te­ce o opos­to. Uma que­ri­da e jovem amiga, Wendy Bennion, da cida­de de Salt Lake, era o exem­plo disso. Anteontem ela dei­xou a mor­ta­li­da­de silen­cio­sa­men­te e retor­nou “( … ) para aque­le Deus que [lhe] deu vida. (Alma 40:11) Ela lutou duran­te mais de cinco anos con­tra o cân­cer. Sempre ale­gre, sem­pre esten­den­do a mão para aju­dar os outros, sem jamais per­der a fé, seu sor­ri­so con­ta­gian­te atraía os outros para ela como o ímã atrai o metal. Uma amiga, sen­tin­do-se depri­mi­da por seus pró­prios pro­ble­mas, foi visi­tar Wendy, doen­te e com dores. A mãe de Wendy, Nancy, saben­do que ela esta­va com mui­tas dores, achou que tal­vez a amiga já tives­se fica­do tempo demais. Ela per­gun­tou a Wendy, após a par­ti­da da amiga, por que havia per­mi­ti­do que a amiga se demo­ras­se tanto, uma vez que sen­tia tan­tas dores. A res­pos­ta de Wendy foi: “O que eu esta­va fazen­do por minha amiga era muito mais impor­tan­te do que a dor que eu sen­tia. Se eu for capaz de ajudá-la, vale a pena sen­tir dor.” Sua ati­tu­de lem­bra-nos Dele, que supor­tou os sofri­men­tos do mundo, que pacien­te­men­te sofreu enor­mes dores e desi­lu­sões, mas que, cami­nhan­do silen­cio­sa­men­te com Suas san­dá­lias, pas­sou por um homem que era cego de nas­cen­ça, res­tau­ran­do-lhe a visão. Ele apro­xi­mou-se da viúva de Naim, que esta­va sofren­do muito, e trou­xe seu filho de volta à vida. Ele subiu o íngre­me Calvário car­re­gan­do Sua cruz, sem Se impor­tar com a zom­ba­ria e insul­tos que acom­pa­nha­vam cada um de Seus pas­sos. Ele tinha um des­ti­no divi­no para cum­prir. De um modo muito real, Ele visi­ta-nos sem­pre, cada um de nós, com Seus ensi­na­men­tos. Ele traz ale­gria e ins­pi­ra-nos a ser bon­do­sos. Ele deu Sua vida pre­cio­sa para que a sepul­tu­ra não tives­se vitó­ria e a morte per­des­se seu agui­lhão, para que a vida eter­na fosse nossa dádi­va.


    Tirado da cruz, sepul­ta­do num sepul­cro empres­ta­do, esse homem de dores e expe­ri­men­ta­do nos tra­ba­lhos, res­sur­giu na manhã do ter­cei­ro dia. Sua res­sur­rei­ção foi des­co­ber­ta por Maria e pela outra Maria, quan­do se apro­xi­ma­ram do sepul­cro. A gran­de pedra que fecha­va a entra­da havia sido afas­ta­da. A seguir, a per­gun­ta dos anjos em rou­pas bri­lhan­tes: “Por que bus­cais o viven­te entre os mor­tos? Não está aqui, mas res­sus­ci­tou.”1

    Paulo decla­rou aos hebreus: “Portanto nós tam­bém, pois que esta­mos rodea­dos de uma tão gran­de nuvem de tes­te­mu­nhas, dei­xe­mos todo o emba­ra­ço, e o peca­do que tão de perto nos rodeia, e cor­ra­mos com paciên­cia a car­rei­ra que nos está pro­pos­ta.”2

    Talvez jamais tenha ocor­ri­do tama­nha demons­tra­ção de paciên­cia como a exem­pli­fi­ca­da por Jó, que foi des­cri­to na Santa Bíblia como “um homem ínte­gro, reto e temen­te a Deus e que des­via­va-se do mal.”3 Ele foi aben­çoa­do com gran­des rique­zas em abun­dân­cia. Satanás obte­ve per­mis­são do Senhor para ten­tar Jó. Como foi gran­de o sofri­men­to de Jó, como foram ter­rí­veis suas per­das, que tor­tu­ra foi sua vida! Instado pela espo­sa a amal­di­çoar a Deus e mor­rer, a res­pos­ta que deu reve­lou sua fé: “Sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levan­ta­rá sobre a terra. E depois de con­su­mi­da a minha pele, con­tu­do ainda em minha carne verei a Deus.”4 Que fé, que cora­gem, que con­fian­ça! Jó per­deu seus bens—todos eles. Jó per­deu a saúde—com­ple­ta­men­te. Jó hon­rou a con­fian­ça nele depo­si­ta­da. Jó per­so­ni­fi­cou a paciên­cia.


    Outro exem­plo da vir­tu­de da paciên­cia foi o Profeta Joseph Smith. Após sua divi­na expe­riên­cia no bos­que cha­ma­do Sagrado, onde o Pai e o Filho lhe apa­re­ce­ram, foi-lhe man­da­do que espe­ras­se. Depois de algum tempo, depois de sofrer duran­te três anos escár­nio por suas cren­ças, o anjo Morôni apa­re­ceu a ele. Depois disso, foi-lhe exi­gi­do mais tempo de espe­ra e paciên­cia. Lembremo-nos do con­se­lho encon­tra­do em Isaías: “Porque os meus pen­sa­men­tos não são os vos­sos pen­sa­men­tos, nem os vos­sos cami­nhos os meus cami­nhos, diz o Senhor. Porque assim como os céus são mais altos que a terra, assim são os meus cami­nhos mais altos que os vos­sos cami­nhos, e os meus pen­sa­men­tos mais altos do que os vos­sos pen­sa­men­tos.”5

    Em nossa vida con­fu­sa e apres­sa­da de hoje em dia, pode­mos muito bem vol­tar no tempo e lem­brar-nos da lição que nos foi há muito ensi­na­da, a res­pei­to de atra­ves­sar­mos ruas peri­go­sas. “Pare, olhe e escu­te” eram os con­se­lhos. Será que não pode­ría­mos apli­cá-los agora? Pare com esse ritmo de vida que des­trói. Olhe para cima para rece­ber ajuda divi­na. Escute Seu con­vi­te: “Vinde a mim, todos os que estais can­sa­dos e opri­mi­dos, e eu vos ali­via­rei.”6

    Ele nos ensi­na­rá a ver­da­de des­tes belos ver­sos:


    A vida é real! A vida é séria!


    E a tumba não é seu des­ti­no final;


    Porquanto és pó e em pó te tor­na­rás


    Não se refe­ria à alma imor­tal.7

    Aprenderemos que todos somos pre­cio­sos para nosso Irmão Mais Velho, sim, o Senhor Jesus Cristo. Ele nos ama ver­da­dei­ra­men­te.


    Sua vida é o exem­plo per­fei­to de alguém afli­to, sofre­dor e enga­na­do, que ainda assim deu o exem­plo de esque­cer-se de Si mesmo e ser­vir ao pró­xi­mo. O ver­si­nho dos tem­pos de crian­ça ainda ecoa:


    Sim, Jesus me ama!


    Sim, Jesus me ama!


    Sim, Jesus me ama!


    A Bíblia assim o diz!8

    O Livro de Mórmon tam­bém diz a mesma coisa, bem como Doutrina e Convênios e Pérola de Grande Valor. Se as escri­tu­ras forem o seu guia, nunca se encon­tra­rão numa estra­da que não leva a lugar algum.


    Hoje, alguns não têm empre­go nem dinhei­ro nem auto­con­fian­ça. A fome amea­ça-os, e o desâ­ni­mo acom­pa­nha-os sem­pre. Mas exis­te ajuda—sim, ali­men­to para o famin­to, roupa para o nu e abri­go para o desa­bri­ga­do.


    Milhares de tone­la­das saem dos arma­zéns da Igreja todas as sema­nas—sim, ali­men­tos, rou­pas, equi­pa­men­to médi­co e supri­men­tos para os qua­tro can­tos da Terra e para os armá­rios vazios dos neces­si­ta­dos que vivem perto de nós.


    Sou tes­te­mu­nha da moti­va­ção que leva den­tis­tas e médi­cos ocu­pa­dos e talen­to­sos a, com regu­la­ri­da­de, sair de seus con­sul­tó­rios e doar seus talen­tos àque­les que pre­ci­sam desse tipo de ajuda. Eles via­jam a luga­res dis­tan­tes para ope­rar pes­soas com fen­das pala­ti­nas, fazer cor­re­ções em más-for­ma­ções ósseas e res­tau­rar mem­bros defei­tuo­sos—tudo por amor aos filhos de Deus. Os afli­tos, que pacien­te­men­te espe­ra­ram esse tra­ba­lho cor­re­ti­vo, são aben­çoa­dos por esses “anjos dis­far­ça­dos”.


    Convido-os a acom­pa­nha­rem-me até a região leste da Alemanha, onde esti­ve no mês pas­sa­do. Ao via­jar­mos pelas auto-estra­das, pen­sei em uma oca­sião, vinte e sete anos atrás, quan­do tudo que vi nes­sas auto-estra­das foram cami­nhões levan­do sol­da­dos e poli­ciais arma­dos. Por toda parte havia cães pre­sos em colei­ras, latin­do, e os infor­man­tes anda­vam pelas ruas. Naquela época, a chama da liber­da­de esta­va muito fraca. Existia um muro de ver­go­nha, e uma cor­ti­na de ferro havia sido fecha­da. As espe­ran­ças esta­vam des­truí­das. A vida, a pre­cio­sa vida, con­ti­nua­va com fé, de nada duvi­dan­do. Era pre­ci­so espe­rar com paciên­cia. Uma ina­ba­lá­vel con­fian­ça em Deus mar­ca­va a vida de cada santo dos últi­mos dias.


    Quando fiz minha pri­mei­ra visi­ta no outro lado do muro, a época era de temor por parte de nos­sos mem­bros que, com difi­cul­da­de, pros­se­guiam em suas tare­fas. Eu per­ce­bia a apa­tia do deses­pe­ro nos ros­tos de mui­tos tran­seun­tes, mas uma radian­te e bela expres­são de amor ema­na­va de nos­sos mem­bros. Em Görlitz, o edi­fí­cio onde nos reu­nía­mos esta­va per­fu­ra­do de balas da época da guer­ra, mas seu inte­rior refle­tia o cui­da­do de nos­sos líde­res em fazer com que uma estru­tu­ra, que tinha tudo para estar encar­di­da e des­gas­ta­da, per­ma­ne­ces­se limpa e relu­zen­te. A Igreja havia sobre­vi­vi­do à guer­ra e à Guerra Fria que se seguiu. O canto dos san­tos ilu­mi­na­va todas as almas pre­sen­tes. Eles can­ta­vam um velho hino da Escola Dominical:


    Se a vida é peno­sa para nós; 


    Se pesa­res são difí­ceis para nós;


    Se a luta é amar­ga, Já não pesa nossa carga


    E o hori­zon­te se alar­ga para nós.


    Não te can­ses de lutar.


    De Deus aten­de a voz;


    Deus des­can­so man­da­rá


    Perdão e gra­ças para nós.9

    Fiquei emo­cio­na­do com a sin­ce­ri­da­de deles. Senti-me toca­do pela pobre­za em que viviam. Eles tinham tão pouco. Meu cora­ção angus­tiou-se ao saber que não tinham um patriar­ca. Eles não tinham esta­cas e alas—só ramos. Não podiam rece­ber as bên­çãos do tem­plo—nem as inves­ti­du­ras nem o sela­men­to. Fazia muito tempo que não rece­biam um visi­tan­te ofi­cial da sede da Igreja. Era-lhes proi­bi­do sair do país. Ainda assim, con­fia­vam no Senhor de todo o cora­ção e não con­fia­vam somen­te em seu pró­prio enten­di­men­to. Em todas as suas vere­das reco­nhe­ciam o Senhor, e Ele guia­va-os.10 Do púl­pi­to, com os olhos cheios de lágri­mas e a voz embar­ga­da de emo­ção, fiz-lhes uma pro­mes­sa: “Se forem sem­pre fiéis aos man­da­men­tos de Deus, terão as mes­mas bên­çãos des­fru­ta­das por qual­quer outro mem­bro da Igreja em qual­quer outro país.”


    Naquela noite, per­ce­ben­do o que eu havia pro­me­ti­do, caí de joe­lhos e orei: “Pai Celestial, estou a Vosso ser­vi­ço; esta é Vossa Igreja. Disse pala­vras que não vie­ram de mim, mas de Vós e Vosso Filho. Por favor, Pai, fazei com que essa pro­mes­sa se cum­pra na vida desse nobre povo.” As pala­vras do salmo pas­sa­ram-me pela mente: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus”.11 Era neces­sá­rio ter a celes­tial vir­tu­de da paciên­cia.


    Pouco a pouco, a pro­mes­sa foi cum­pri­da. Em pri­mei­ro lugar, orde­na­ram-se patriar­cas; a seguir, foram pro­du­zi­dos os manuais de lições. Formaram-se alas e cria­ram-se esta­cas. Construíram-se cape­las e sedes de esta­ca e elas foram dedi­ca­das. Então, o mila­gre dos mila­gres acon­te­ceu: rece­be­mos auto­ri­za­ção para ter­mos um santo tem­plo de Deus, que foi pla­ne­ja­do, cons­truí­do e dedi­ca­do. Finalmente, após cin­qüen­ta anos de ausên­cia, foi con­ce­di­da auto­ri­za­ção para que mis­sio­ná­rios de tempo inte­gral entras­sem no país e para que os jovens do país ser­vis­sem em outros luga­res do mundo. Então, como a Muralha de Jericó, o Muro de Berlim veio abai­xo, e a liber­da­de, com as res­pon­sa­bi­li­da­des que lhe são ine­ren­tes, retor­nou ao país.


    Todas as par­tes da pre­cio­sa pro­mes­sa de vinte e sete anos antes haviam sido cum­pri­das, exce­to uma. A peque­na Görlitz, onde a pro­mes­sa fora feita, ainda não tinha sua pró­pria cape­la. Agora, até mesmo esse sonho tor­nou-se rea­li­da­de. O edi­fí­cio foi apro­va­do e cons­truí­do. Chegou o dia da dedi­ca­ção. Há um mês, a irmã Monson e eu, junto com o Élder Dieter Uchtdorf e espo­sa, fize­mos uma reu­nião para dedi­car a cape­la de Görlitz. Cantamos os mes­mos hinos de vinte e sete anos atrás. Os mem­bros sabiam do sig­ni­fi­ca­do da oca­sião, mar­can­do o cum­pri­men­to total da pro­mes­sa. Eles cho­ra­vam ao can­tar. O canto do justo foi real­men­te uma ora­ção ao Senhor e foi res­pon­di­do com uma bên­ção sobre sua cabe­ça.12

    Ao final da reu­nião, relu­tá­va­mos em par­tir. Ao sair­mos, vimos as mãos de todos, que ace­na­vam, e ouvi­mos as pala­vras Auf Wiedersehen, auf wie­der­se­hen; Deus vos guar­de até nos encon­trar­mos nova­men­te.


    A paciên­cia, uma vir­tu­de celes­tial, trou­xe a humil­des san­tos a recom­pen­sa dos céus. As pala­vras do Réquiem, do [poeta inglês] Rudyard Kipling pare­cem muito ade­qua­das:


    Morrem os gri­tos e o cla­mor,


    Passa dos reis o vão poder,


    Mas teu divi­no esplen­dor


    Há de viver, há de viver.


    Teus man­da­men­tos, ó Senhor,


    Não nos per­mi­ta esque­cer!13

    Em nome de Jesus Cristo, ⌦amém. 9