1990–1999
“Faze para Ti uma Arca”

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“Faze para Ti uma Arca”


Precisamos dar ouvidos aos porta-vozes do Senhor. Temos que seguir adiante calmamente e prepararmo-nos para o que, com certeza, está por vir.

“Há … tanta espécie de vozes no mundo”, disse o Apóstolo Paulo aos Coríntios há dois mil anos (I Cor. 14:10). Eles pareciam perturbados com as mesmas mensagens que ouvimos hoje em dia. Podemos assustar-nos quando pensamos na fragilidade e inconstância de nossa sociedade.


Sempre existiram vozes discordantes e conflitos, e nossos dias não são exceção. Por meio dos jornais, da televisão, dos filmes e das revistas somos diariamente bombardeados por violência e imoralidade, disfarçadas pelas vozes atraentes da permissividade.


No Sermão da Montanha, o Mestre admoestou-nos: “Não vos inquieteis pois pelo dia d’amanhã, porque o dia d’amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.” (Mateus 6:34)


Basta, realmente, o mal dos dias em que vivemos. O mal parece estar crescendo continuamente e vemos uma torrente de iniqüidade espalhar-se por todo o mundo. O crime e a violência crescem em proporções alarmantes. O medo toma conta das ruas e invade as casas.


Já se disse que podemos observar os conceitos de uma nação por meio de seus comerciais, e muitos dos que tenho visto demonstram que não estamos muito bem. Alguém mencionou que houve uma época em que os filmes eram classificados levando-se em conta sua qualidade em vez de quem pode assistir a eles.


De acordo com o Livro de Mórmon, o diabo “procura tornar todos os homens tão miseráveis como ele próprio.” (2 Néfi 2:27) As evidências desse artifício encontram-se, com certeza, entre nós. Élder Richard L. Evans disse: “Se não mudarmos de direção, chegaremos aonde estamos indo.” [Richard Evans’ Quote Book (Livro das Citações de Richard Evans), Cidade do Lago Salgado: Publishers Press, 1971, p. 244.]


Não é sem razão que os profetas nos admoestam repetidas vezes que nos fortaleçamos e a nossas famílias—realizando noites familiares, lendo e estudando as escrituras, fazendo orações pessoais e familiares diariamente e, citando nosso profeta Howard W. Hunter, tratando “uns aos outros com mais bondade, cortesia, humildade, paciência e perdão.” (A Liahona, agosto de 1994, Notícias Locais, p. 3.)


As influências imorais do mundo são perniciosas principalmente para as crianças. Nossos filhos, da mesma maneira que nós, não vivem sem a influência de outras pessoas. Não viveram nem jamais viverão. Durante seu crescimento e desenvolvimento, podemos fazer muito para ajudá-los, protegê-los e guiá-los. Não podemos, porém, isolá-los das influências de nossa própria época e de nossa própria geração. Haverá ocasiões em que outras vozes soarão em seus ouvidos e outras mãos tocarão seus ombros. Haverá momentos em que estarão longe de casa.


Apesar de nossa influência ainda ser a mais forte em sua vida, é necessário que lhes transmitamos padrões corretos e um firme alicerce de princípios sadios e seguros.


O Senhor disse a Noé: “Faze para ti uma arca …” e “contigo estabelecerei o meu pacto …”. (Gênesis 6:14, 18)


“E fez Noé conforme tudo o que o Senhor lhe ordenara …


… e ficou somente Noé, e os que com ele estavam na arca.” (Gênesis 7:5, 23)


Precisamos todos construir uma arca pessoal, fortalecermo-nos contra o mal crescente, protegermo-nos e proteger nossas famílias das torrentes de iniqüidade que nos cercam. Não devemos esperar que a chuva comece, mas sim, prepararmo-nos antecipadamente. Essa tem sido a mensagem de todos os profetas desta dispensação, incluindo o Presidente Hunter, assim como dos profetas da antigüidade.


Infelizmente nem sempre atendemos às claras advertências de nossos profetas. Vivemos complacentemente até que se abata sobre nós a calamidade, quando, então, entramos em pânico. 


Quando começa a chover, já é tarde para que comecemos a construir a arca. No entanto, precisamos dar ouvidos aos porta-vozes do Senhor. Temos que seguir adiante calmamente e prepararmo-nos para o que, com certeza, está por vir. Não é necessário entrarmos em pânico ou termos medo, pois se estivermos preparados, espiritual e materialmente, nós e nossa família sobreviveremos a qualquer dilúvio. Nossa arca flutuará num mar de fé, se nossas obras nos estiverem preparando para o futuro com firmeza e segurança.


A chave está em aceitarmos o conselho de nosso profeta, a quem apoiamos nesta manhã, de vivermos “sempre atentos à vida e ao exemplo do Senhor Jesus Cristo, dando especial atenção ao amor, esperança e compaixão que Ele demonstrou.” (A Liahona, agosto de 1994, Notícias Locais, p. 3.)


A coisa mais importante a fazermos—quer sejamos jovens ou idosos—é desenvolver um relacionamento pessoal com Jesus Cristo. Se assim o fizermos, estaremos sempre bem com nós mesmos. Nossa auto-estima aumentará e teremos tal grau de confiança que nos ajudará a vencer quaisquer provações. O Senhor nos faz a seguinte promessa: “Não temais, pequeninos, pois sois Meus, e Eu venci o mundo …” (D&C 50:41).


Ao sentirmo-nos ansiosos, com medo ou frustrados, basta que nos lembremos das palavras de conforto do Senhor ao Profeta Joseph Smith na cadeia de Liberty: “Meu filho, paz seja com a tua alma …” (D&C 121:7). A cada um de nós, Ele dirá sempre: “Meu filho, minha filha, paz seja com a tua alma.”


De nossa parte, devemos assumir um compromisso, como o fez o poeta George Herbert:


Durante sete dias, e não somente um em sete,


Louvar-vos-ei …


Até mesmo a eternidade é muito curta


Para vos exaltar.


Meus irmãos, presto-vos testemunho de que Jesus é o Cristo, de que Ele realmente venceu o mundo por meio de Seu sacrifício expiatório, e de que Ele estará sempre pronto a confortar-nos, se seguirmos Seu exemplo e fizermos a vontade do Pai. E faço-o em nome de Jesus Cristo. Amém. 9