Capítulo 21: A Busca da Perfeição

"Capítulo 21: A Busca da Perfeição," Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Harold B. Lee, (2001)


Introdução

O Presidente Harold B. Lee ensinou a importância de seguirmos o exemplo do Salvador ao buscarmos a perfeição.

“Estou convencido de que o Mestre não estava falando meramente de perfeição relativa quando disse: ‘Sede vós perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus’. [Mateus 5:48] (…) Supõem que o Salvador estivesse sugerindo uma meta impossível de ser alcançada e assim zombando de nossos esforços para atingir essa perfeição? É impossível para nós aqui na mortalidade chegar a esse estado de perfeição mencionado pelo Mestre, mas nesta vida estabelecemos o alicerce sobre o qual edificaremos na eternidade. Portanto, precisamos certificar-nos de que nossas bases estejam assentadas firmemente na verdade, na retidão e na fé. A fim de atingirmos esta meta, precisamos guardar os mandamentos de Deus e ser fiéis até o fim de nossa vida mortal. E depois, do outro lado do véu, devemos persistir em retidão e sabedoria até nos tornarmos como nosso Pai Celestial. (…)

(…) [O Apóstolo Paulo] mostrou o caminho pelo qual podemos alcançar a perfeição. Referindo-se a Jesus, disse: ‘Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu. E, sendo ele consumado, veio a ser a causa da eterna salvação para todos os que lhe obedecem’. (Hebreus 5:8–9) (…)

(…) Não deixem passar um dia sequer sem que aprendam lições com a grandiosa vida de Cristo e Seu exemplo de perfeição, e andemos por Suas veredas rumo a nossa meta eterna.” 1

Ensinamentos de Harold B. Lee

Como o entendimento do que nos falta pode ajudar-nos a alcançar a perfeição?

[Há] três coisas essenciais para inspirar-nos a levar uma vida cristã ou—usando uma linguagem mais semelhante à das escrituras—levar uma vida perfeita como a do Mestre. A primeira delas que eu gostaria de citar é: a pessoa a ser ensinada ou que deseje levar uma vida perfeita deve presenciar em sua vida um despertar, uma consciência de suas necessidades.

O jovem rico não precisava aprender sobre o arrependimento por assassinato nem por pensamentos homicidas. Não precisava ouvir sobre como se arrepender do adultério ou do roubo, da mentira, da fraude ou da desonra aos pais. Ele disse que observara todos esses mandamentos desde a mocidade, mas sua pergunta era: “Que me falta ainda”? [Ver Mateus 19:16–22.]

O Mestre, com Seu aguçado discernimento e o poder de um Grande Professor, fez um diagnóstico perfeito da situação do jovem. O que ele precisava fazer e o que lhe faltava para vencer seu amor às coisas materiais e sua tendência de confiar nas riquezas. Em seguida, Jesus recomendou um remédio eficaz: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me”. (Mateus 19:21)

Na extraordinária conversão do Apóstolo Paulo, quando a luz o cegou a caminho de Damasco (…), ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” [Atos 9:4] E das profundezas de sua alma atormentada, veio a pergunta que sempre é feita pelas pessoas que sentem que necessitam de algo: “Senhor, que queres que eu faça”? [Atos 9:6] (…)

Enos, neto de Leí, falou da luta que travou perante Deus antes de receber a remissão de seus pecados. Não sabemos quais eram seus pecados, mas tudo leva a crer que ele os confessou abertamente. Em seguida, relatou: “E minha alma ficou faminta (…)”. [Enos 1:4] Como vemos, essa consciência, esse sentimento de grande necessidade e esse espírito introspectivo levaram-no a detectar suas carências.

Essa qualidade de perceber as próprias necessidades foi expressa no grandioso Sermão da Montanha, quando o Mestre disse: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus”. (Mateus 5:3) Os pobres de espírito, obviamente, referem-se aos que estejam necessitados espiritualmente, que se sintam tão debilitados espiritualmente que buscam ardorosamente auxílio. (…)

Todos nós, se desejarmos alcançar a perfeição, precisamos num momento ou outro fazer a seguinte pergunta a nós mesmos: “Que me falta ainda?” É necessário que assim procedamos para iniciarmos nossa jornada ascendente no caminho que conduz à perfeição. (…)

Como o fato de nascer de novo nos ajuda a alcançar a perfeição?

O segundo requisito para alcançarmos a perfeição que eu gostaria de citar é algo que encontramos na conversa entre o Mestre e Nicodemos. Quando foi procurado por Nicodemos, Cristo percebeu que ele estava em busca de respostas para uma pergunta feita por muitos outros: “O que preciso fazer para ser salvo”? E o Mestre respondeu: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”. Então, Nicodemos perguntou: “Como pode um homem nascer, sendo velho? (…)” Jesus explicou: “Na verdade, na ver- dade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus”. (João 3:3–5)

Um homem precisa “nascer de novo” se quiser alcançar a perfeição, a fim de ver o reino de Deus ou nele entrar. Mas como alguém pode nascer de novo? Essa é a mesma pergunta feita por Enos. E recordemos a resposta simples que foi concedida: “Por causa da tua fé em Cristo, a quem nunca ouviste nem viste antes. E muitos anos hão de passar antes que ele se manifeste na carne; portanto, vai, tua fé te salvou”. [Enos 1:8]

O irmão Marion G. Romney e eu estávamos no escritório certo dia quando um rapaz entrou. Ele estava preparando-se para partir para o campo missionário, fora entrevistado como de praxe e confessara certas transgressões cometidas na juventude. Mas ele disse-nos: “Não estou satisfeito por apenas confessar. Como posso saber que fui perdoado”? Em outras palavras, “Como posso saber se nasci de novo”? Ele sentia que não poderia ir para a missão no estado em que se encontrava.

Em determinado momento da conversa, o irmão Romney disse: “Filho, lembra-se do que disse o rei Benjamim? Ele estava pregando a algumas pessoas que se haviam compungido no coração devido a ‘seu estado carnal, menos ainda que o pó da Terra. E todos clamaram a uma só voz, dizendo: Oh! Tende misericórdia e aplicai o sangue expiatório de Cristo, para que recebamos o perdão de nossos pecados e nosso coração seja purificado; porque cremos em Jesus Cristo, o Filho de Deus, que criou o céu e a Terra e todas as coisas; que descerá entre os filhos dos homens. E aconteceu que depois de haverem pronunciado essas palavras, o Espírito do Senhor desceu sobre eles e encheram-se de alegria, havendo recebido a remissão de seus pecados e tendo paz de consciência, por causa da profunda fé que tinham em Jesus Cristo (…)’”. (Mosias 4:2–3)

O irmão Romney disse a ele: “Meu filho, ore e espere até receber paz de consciência como resultado de sua fé na expiação de Jesus Cristo. Então, saberá que seus pecados foram perdoados”. Se não for dessa forma, conforme explicou o Élder Romney, todos nós perdemos muito. Andamos no escuro até passarmos por esse renascimento. (…)

Não é possível levar uma vida cristã (…) sem nascer de novo. Ninguém jamais poderá ser feliz na presença do Santo de Israel sem esse processo de limpeza e purificação. (…)

Como uma obediência mais plena aos mandamentos nos ajuda a atingir a perfeição?

E por fim, o último requisito essencial: ajudar o aprendiz a conhecer o evangelho por meio da prática. A convicção espiritual necessária à salvação precisa ser precedida por um elevado grau de esforço individual. A graça, ou o dom gratuito do poder expiatório do Senhor, precisa ser precedida por um empenho pessoal. Repetindo o que Néfi disse: “Pela graça (…) somos salvos, depois de tudo o que pudermos fazer”. [2 Néfi 25:23] (…)

Este é um dos requisitos fundamentais para os que desejarem levar uma vida perfeita. Eles precisam decidir-se a guardar os mandamentos.

O Mestre respondeu a uma pergunta dos judeus sobre como eles podiam ter certeza de que a missão Dele era de Deus ou se Ele era apenas um homem comum. Ele ensinou: “Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo”. (João 7:17)

O testemunho da verdade nunca é concedido a alguém que possua um tabernáculo impuro. O Espírito do Senhor não pode habitar simultaneamente com a imundície em determinada pessoa. “Eu, o Senhor, estou obrigado quando fazeis o que eu digo; mas quando não o fazeis, não tendes promessa alguma.” (D&C 82:10) “(…) A não ser que guardeis minha lei, não obtereis esta glória.” (D&C 132:21) Essa verdade é ressaltada diversas vezes nas escrituras.

Todos os princípios e ordenanças do evangelho são, de certa forma, apenas convites para aprendermos o evangelho por meio da observância de seus ensinamentos. Ninguém conhece o princípio do dízimo até pagar o dízimo. Ninguém conhece o princípio da Palavra de Sabedoria até guardar a Palavra de Sabedoria. As crianças—e também os adultos—não se convertem ao dízimo, à Palavra de Sabedoria, à observância do Dia do Senhor ou à oração apenas por ouvirem alguém falar sobre tais princípios. Aprendemos o evangelho praticando-o. (…)

Para resumir, eu gostaria de dizer que verdadeiramente só conhecemos algo acerca do evangelho depois de desfrutarmos as bênçãos advindas da obediência a cada um de seus princípios. “Os princípios morais em si mesmos”, disse alguém, “têm um efeito apenas superficial no espírito, a menos que estejam apoiados em ações.” O mais importante de todos os mandamentos do evangelho para vocês e para mim é aquele que no momento exige de nós o maior esforço e energia para ser cumprido. Cada um de nós deve avaliar suas necessidades e começar hoje a superar suas limitações, pois só assim teremos um lugar reservado no reino de nosso Pai. 2

Como as Bem-Aventuranças podem ser vistas como “a constituição para uma vida perfeita”?

Vocês devem querer conhecer os “passos” a serem seguidos para que nossa vida seja pautada pela plenitude que nos torna um cidadão digno ou “santo” no reino de Deus. Podemos encontrar a melhor resposta ao estudarmos a vida de Jesus nas escrituras. (…) Cristo veio ao mundo não só para expiar os pecados da humanidade, mas para deixar ao mundo um exemplo do padrão de perfeição da lei de Deus e de obediência ao Pai. No Sermão da Montanha, o Mestre deu-nos uma espécie de revelação de Seu próprio caráter, que era perfeito (…) e, ao fazêlo, mostrou-nos o modelo a ser seguido em nossa vida. (…)

No incomparável Sermão da Montanha, Jesus indicou-nos oito maneiras diferentes de alcançarmos (…) alegria. Cada uma de Suas declarações se inicia com a palavra “Bem-aventurados”. (…) Essas declarações do Mestre são conhecidas na literatura do mundo cristão como as Bem-Aventuranças. (…) Elas representam de fato a constituição para uma vida perfeita.

Examinemo-las por alguns instantes. Quatro delas dizem respeito a nós mesmos, individualmente, e mostram-nos como proceder em nossa vida pessoal se quisermos ser perfeitos e alcançar o estado bem-aventurado dessa alegria interior.

Bem-aventurados os pobres de espírito.

Bem-aventurados os que choram.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça.

Bem-aventurados os limpos de coração. [Ver Mateus 5:3–4, 6, 8.]

Os pobres de espírito

Ser pobre de espírito significa sentir-se como aqueles que são carentes espiritualmente, que sempre dependem do Senhor para a roupa, o alimento, o ar que respiram, a saúde e a própria vida, percebendo que não devem deixar passar um único dia sem que orem fervorosamente para agradecer e pedir orientação, perdão e forças suficientes para as necessidades diárias. Se um jovem se der conta de suas necessidades espirituais, quando estiver em locais perigosos, onde sua vida corre riscos, poderá ser atraído para a fonte da verdade e receber sussurros do Espírito do Senhor em suas horas de maior tribulação. É muito triste ver que, por causa das riquezas, conhecimento ou posição no mundo, algumas pessoas se acham independentes e isentas dessa necessidade espiritual. [Ser pobre de espírito] é o contrário de ser orgulhoso ou presunçoso. (…) Se, em sua humildade, vocês se derem conta de sua necessidade espiritual, estarão preparados para serem adotados na “Igreja do Primogênito e tornarem-se os eleitos de Deus”. [Ver D&C 76:54; 84:34.]

Os que choram

Ao chorar, como indica a lição do Mestre, a pessoa precisa mostrar que a “tristeza segundo Deus opera arrependimento”, granjeia para o penitente o perdão dos pecados e o proíbe de voltar aos atos pelos quais pranteia. [Ver II Coríntios 7:10.] Significa ver, como o fez o Apóstolo Paulo, “[glória] nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência; e a paciência a experiência, e a experiência a esperança”. (Romanos 5:3–4) É preciso estar disposto a “carregar os fardos uns dos outros, para que fiquem leves”. É preciso estar disposto a “chorar com os que choram e consolar os que necessitam de consolo”. (Mosias 18:8–9) Quando uma mãe chora em solidão esperando a volta de uma filha desobediente, movidos pela compaixão vocês devem proibir que alguém atire a primeira pedra. (…) Ao chorarem com os idosos, as viúvas e os órfãos, vocês devem oferecer-lhes o auxílio necessário. Em suma, devem ser como o publicano e não como o fariseu. “Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!” [Ver Lucas 18:10–13.] Sua recompensa por fazer [isso] é a bênção de receber refrigério para sua própria alma por meio do perdão de seus pecados.

Os que têm fome e sede

Vocês já tiveram fome de comida e sede de água quando tudo o que lhes foi oferecido para aplacar suas angustiantes necessidades foram algumas migalhas de pão dormido e um gole de água quente? Se já passaram por algo assim, podem ter idéia da maneira como o Mestre ensinou que devemos ter fome e sede de justiça. É essa fome e sede que tira as pessoas de casa e as leva a buscar a união com os santos nas reuniões sacramentais e induz à adoração no Dia do Senhor onde quer que se encontrem. É isso que as inspira a orar com fervor, as leva aos templos sagrados e as faz permanecer reverentes lá. Aquele que santificar o Dia do Senhor se encherá de uma alegria duradoura e muito mais desejável do que os prazeres efêmeros resultantes de atividades contrárias ao mandamento de Deus. Se perguntarmos com “um coração sincero e com real intenção, tendo fé em Cristo, ele (…) manifestará a verdade (…) pelo poder do Espírito Santo” e por esse poder, podemos “saber a verdade de todas as coisas”. (Morôni 10:4–5) (…)

Os limpos de coração

Se quisermos ver a Deus, precisamos ser puros. (…) Algumas pessoas que conviviam com Jesus enxergavam Nele apenas o filho de José, o carpinteiro. Outros O consideravam um beberrão por causa de Suas palavras. Já outros O acusavam de estar endemoninhado. Somente os justos O viam como o Filho de Deus. Somente se formos puros de coração veremos a Deus. Da mesma forma, ainda que em menor grau, só enxergaremos o que há de divino nas pessoas e conseguiremos amá-las por causa da bondade que virmos nelas. Identifiquem bem as pessoas que criticam e difamam os homens de Deus ou os líderes ungidos do Senhor em Sua Igreja. Suas palavras brotam de um coração impuro.

A fim de sermos admitidos no reino do céu, precisamos não só ser bons, mas fazer o bem e ser bons para alguma coisa.

Assim, se quisermos caminhar diariamente rumo à meta da perfeição e à vida em sua plenitude, precisamos aprender os outros quatro “artigos” da carta magna do Mestre para uma vida perfeita. Essas bem-aventuranças têm a ver com as relações sociais dos homens uns com os outros.

Bem-aventurados os mansos.

Bem-aventurados os misericordiosos.

Bem-aventurados os pacificadores.

Bem-aventurados os que sofrem perseguição. [Ver Mateus 5:5, 7, 9–10.]

Os mansos

Manso é o homem que não se deixa irritar ou exasperar facilmente e é paciente diante de injúrias ou provocações. A mansidão não é sinônimo de fraqueza. O homem manso é o homem forte, vigoroso e dotado de pleno autodomínio. Ele tem a coragem proveniente de suas convicções morais, a despeito das pressões externas. Em caso de controvérsias, seus julgamentos são como um tribunal de última instância, e seus conselhos sábios acalmam as multidões agitadas. Ele é humilde e não se vangloria. “Melhor é o que tarda em irar-se do que o poderoso”. (Provérbios 16:32) Ele é um líder nato e é o escolhido no exército ou marinha, nos negócios e na Igreja para comandar outros homens. É o sal da Terra e a herdará.

Os misericordiosos

Nossa salvação depende da misericórdia que demonstrarmos pelas pessoas. Palavras descorteses e impiedosas ou atos torpes de crueldade para com as pessoas ou animais, ainda que como mero revide, tornam o autor indigno de misericórdia quando ele dela precisar no dia do julgamento, tanto nos tribunais terrenos como celestiais. Existe algum entre vocês que nunca tenha sido atingido pela crueldade de alguém que julgavam ser seu amigo? Lembram-se de como foi difícil conter-se para não pagar com a mesma moeda? Bem-aventurados são todos vocês que forem misericordiosos, pois alcançarão misericórdia!

Os pacificadores

Os pacificadores serão chamados filhos de Deus. Os agitadores, os opositores da lei e da ordem, os líderes de rebeliões e os infratores são impulsionados por motivos malignos e, a menos que desistam, serão chamados de filhos de Satanás, e não de Deus. Mantenham distância daqueles que provocarem dúvidas inquietantes ao fazerem pouco caso das coisas sagradas, pois eles não buscam a paz, mas desejam semear confusão. Aqueles que estão sempre em brigas e contendas e cujos argumentos tenham propósitos de não estabelecer a verdade, violam um princípio fundamental ensinado pelo Mestre como essencial para uma vida fértil. “Paz na terra, boa vontade para com os homens” foi o cântico dos anjos que anunciaram o nascimento do Príncipe da Paz. [Ver Lucas 2:14.] (…)

Os que sofrem perseguição por causa da justiça

Sofrer perseguição por defender uma causa grandiosa, na qual estão em jogo a verdade e a honra, é algo divino. Sempre houve mártires em todas as grandes causas. O grande dano que pode advir da perseguição não é a perseguição em si, mas o possível efeito que ela pode ter sobre os perseguidos, que podem ficar impedidos de levar a cabo sua causa justa. Em boa parte dos casos, a perseguição provém da falta de compreensão, pois os homens tendem a opor-se ao que não entendem. Em outros casos, partem de pessoas mal-intencionadas. Seja qual for o motivo, a perseguição é tão generalizada contra aqueles que lutam por uma boa causa que o Mestre nos advertiu: “Ai de vós quando todos os homens de vós disserem bem, porque assim faziam seus pais aos falsos profetas”. (Lucas 6:26)

(…) Lembrem-se desse alerta quando forem reprovados e ridicularizados por não rebaixarem seus padrões de abstinência, honestidade e pureza moral a fim de receberem os aplausos do mundo. Se vocês permanecerem firmes no que é certo a despeito do escárnio das multidões ou mesmo da violência física, serão coroados com a felicidade da alegria eterna. É possível que novamente em nossos dias, assim como na antigüidade, alguns dos santos ou mesmo apóstolos, precisem dar a vida em defesa da verdade. Se isso porventura ocorrer, que Deus os ajude a não falharem!

Ao refletirmos serena e fervorosamente sobre esses ensinamentos, faremos a descoberta—para alguns surpreendente—de que, em última análise, Deus não mede nosso valor em Seu reino pelas elevadas posições que tivermos ocupado entre os homens ou em Sua Igreja, nem pelas honras que tivermos alcançado, mas sim pela vida que tivermos levado e o bem que tivermos praticado, de acordo com a “constituição para uma vida perfeita” revelada na vida do Filho de Deus.

Oro para que façam das Bem-aventuranças a carta magna de sua própria vida e assim recebam a felicidade nelas prometida. 3

Sugestões para Estudo e Discussão

  • Como podemos aprender diariamente “lições com a grandiosa vida de Cristo”?

  • Em nosso empenho para tornarmo-nos semelhantes a Cristo, por que é importante perguntarmos com freqüência a nós mesmos o que nos falta?

  • Que experiências ajudaram vocês a compreenderem que aprendemos os ensinamentos do evangelho ao pô-los em prática?

  • Quando percebemos que dependemos do Senhor para todas as bênçãos de nossa vida, como isso afeta nossas atitudes e comportamento?

  • Quais são alguns dos significados da declaração: “Bem-aventurados os que choram”?

  • Como o amor às coisas do mundo pode enfraquecer nossa fome e sede de coisas espirituais?

  • Como o fato de sermos puros de coração pode ajudar-nos a ver o que há de bom nas pessoas?

  • De que forma a mansidão nos ajuda a ser fortes?

  • Como podemos mostrar misericórdia pelas pessoas em nosso cotidiano?

Exibir Referências

  •  

    1.  Decisions for Successful Living (1973), pp. 40–41, 44.

  •  

    2.  Stand Ye in Holy Places (1974), pp. 208–216.

  •  

    3.  Decisions for Successful Living, pp. 55–62.